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Fiocruz alerta para agravamento de doenças na população após tragédia

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertaram ontem (5) para a possibilidade de agravamento de doenças crônicas na população de Brumadinho e dos arredores, sobretudo em locais isolados e sem acesso aos serviços de saúde, em decorrência do rompimento da
barragem da Vale na Mina Córrego do Feijão.

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O impacto da lama sobre o bioma traz alterações na biodiversidade, podendo favorecer a proliferação de caramujos, transmissores da esquistossomose, e de mosquitos da dengue. Foto: Corpo de Bombeiros/MG

A instituição científica elaborou um mapa das comunidades cujo acesso pode estar dificultado em decorrência de bloqueios causados pela lama que vazou após a tragédia.

O levantamento revela que cerca de 1.090 domicílios, abrangendo uma população de 3.485 pessoas, podem ser afetados pela falta de acesso ao SUS, com dificuldade para obter medicamentos e com o sistema de abastecimento de água obstruído, entre outros problemas. "A demanda dentro da área que foi soterrada é tão grande que algumas pessoas podem ser esquecidas", diz Christovam Barcellos, pesquisador do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz.

Segundo ele, a situação pode levar à desassistência de pessoas que dependam de hemodiálise ou que tenham doenças crônicas como hipertensão e diabetes. "Elas precisam ter cuidado especial, porque o quadro pode se agravar, inclusive com o impacto psicológico do desastre", alerta. Os últimos números divulgados pela Defesa Civil de Minas Gerais aponta para 134 mortos e 199 pessoas desaparecidas.

O pesquisador Diego Xavier, que também atua no Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, acredita que profissionais de saúde estão lidando com perdas. Os pesquisadores defendem que seja cobrado da mineradora Vale uma projeto de reparação que leve em conta melhoras estruturais. Segundo Barcellos, houve sistemas de saneamento danificados pela força da lama, mas em alguns locais eles eram inexistentes.

Outra recomendação mais imediata diz respeito à necessidade de controle de vetores de doenças infecciosas. Isso porque o impacto da lama sobre o bioma traz alterações na biodiversidade local. Um impacto sobre predadores poderia favorecer a proliferação de caramujos, transmissores da esquistossomose, e de mosquitos que transmitem, por exemplo, a dengue, a chikungunya e a febre amarela.

"É uma área de transmissão de esquistossomose, todo o vale do Rio Paraopeba", alerta Barcellos. Há risco de que as pessoas, com receio de se contaminarem, passem a armazenar água de forma incorreta, facilitando a reprodução do mosquito Aedes Aegypti. Há, ainda, preocupação com novas ocorrências de leptospirose, doença típica de situações de enchentes e inundações, e de doenças respiratórias (ABr).

Rio terá primeiro presídio vertical do país, anuncia Witzel

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A estrutura será erguida no espaço de uma unidade penal do Complexo de Bangu, o Presídio Plácido de Castro. Foto: G1.globo.com

Agência Brasil

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, anunciou que o estado terá o primeiro presídio vertical do Brasil, com nove andares, capaz de alojar 5 mil presos. A estrutura será erguida no espaço de uma unidade penal do Complexo de Bangu, o Presídio Plácido de Castro, que "está em más condições de conservação". Witzel ressaltou que a ampliação do sistema penitenciário também é uma resposta às medidas propostas pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, de endurecimento das leis penais.

“A primeira questão que eu coloquei para o ministro Sergio Moro, foi o impacto disso no sistema carcerário. Nós estamos desenvolvendo aqui no Rio um modelo de presídio vertical, com nove pavimentos, que pode acondicionar em cada cela de seis a oito presos. Isto já está em andamento, nós já estamos fazendo um projeto básico para encaminhar ao Departamento Penitenciário”, disse Witzel, ao participar da posse do novo presidente do TJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares.

O presídio vertical deve custar de R$ 60 milhões a R$ 80 milhões e representará uma modernização no sistema penitenciário estadual. “Imaginem que nós poderemos, com R$ 800 milhões, termos 70 mil novas vagas aqui no estado”, calculou Witzel.

O governador disse que o prédio será construído o mais breve possível e que o projeto está sendo tocado pela Secretaria Estadual de Obras, em um primeiro momento, para reduzir custos: “Estou andando com o projeto de forma acelerada, para que a gente consiga implementar esse presídio, que será uma inovação em termos de estabelecimento prisional no Brasil. Isto tudo está sendo feito com a nossa Secretaria de Obras, sem contratação de terceirizados”.

Papa Francisco cogita mediar crise na Venezuela

O papa Francisco cogitou ontem (5) a hipótese de uma mediação da Santa Sé na crise na Venezuela, desde que seja um desejo dos dois lados. Na última segunda (4), Nicolás Maduro disse ter mandado uma mensagem a Jorge Bergoglio pedindo sua ajuda para instaurar um diálogo político no país. Francisco afirmou que ainda não leu a carta, mas prometeu "ver o que é possível fazer".

"Mas para que se dê o último passo, a mediação, é necessária vontade política de ambas as partes. Ambas as partes devem pedir. Assim foi com Argentina e Chile", declarou o Papa no retorno de sua viagem a Abu Dhabi, em referência à mediação de João Paulo II para um acordo de paz entre Argentina e Chile, que batalhavam por ilhas no Canal de Beagle.

A Igreja já tentou buscar uma solução pacífica para a crise na Venezuela, mas não obteve frutos, ao contrário de suas mediações para a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos e nas negociações de paz com as Farc. Quem também se juntou aos pedidos por diálogo foi a Rússia, principal aliada de Maduro e que cobrou que governo e oposição se sentem à mesa de negociações (ANSA).

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