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Religiosidade traz alívio para idosos em hemodiálise

Estudo realizado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP que investigou o Bem-Estar Espiritual e a Religiosidade de idosos em tratamento hemodialítico, aponta que essas pessoas encontram na religiosidade características positivas para lidar com situações que a doença gera. A crença também traz qualidade de vida e alívio durante o tratamento hemodialítico, revela o estudo

 Religiosidade temproario

Pacientes buscam religião como forma de estratégia, conforto ou fonte de esperança.

Raquel Duarte/Agência USP de Notícias

A pesquisa foi feita pela enfermeira Calíope Pilger, na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e teve como objetivo analisar a relação entre o bem-estar espiritual, a religiosidade, o enfrentamento religioso e espiritual, as variáveis sociodemográficas, econômicas e de saúde, com a qualidade de vida de idosos que se encontram em tratamento.

Os idosos que realizam hemodiálise precisam se adaptar a um novo estilo de vida que a doença renal crônica lhes impõem. Nessa nova vida, diz a pesquisadora, eles se deparam com o uso contínuo de medicações, mudança nos hábitos alimentares, o enfrentamento da dependência de outras pessoas, de aparelhos para adaptações à nova realidade da sua vida, e isto pode levá-los a depressão, problemas emocionais e existenciais.

Nesse sentido, a religião é utilizada pelos pacientes como enfrentamento para as situações estressantes da vida, segundo Calíope. “Eles usam a fé como uma forma de auxiliar as consequências emocionais negativas que vieram depois da doença, ou então dos momentos difíceis que precisam vivenciar”.

Para os idosos, algumas questões são apontadas como importantes dentro da religião, como estar conectado com Deus, o encontro com pessoas nas igrejas, ou templos religiosos. Com isso, relatam, dividem a mesma crença, a realização de ações sociais, como grupos de oração, visita aos doentes e a fé, que auxilia nas dificuldades que a vida impõe.

Dos 169 idosos questionados, 125 eram do sexo masculino, e 44 do sexo feminino, com idade entre 60 e 99 anos. Do total, 104 fazem parte da religião católica, 35 da religião evangélica, 15 da religião espírita e uma da budista. Os demais não possuem religião.

Mulheres se apegam mais a religião
O estudo constatou que as mulheres apresentaram maior RO, RNO e RI quando comparadas aos homens. Os idosos com até 80 anos de idade apresentaram maior RO, porém, os com 80 anos ou mais apresentaram maior RNO e RI. Alguns índices indicaram que quanto maior a idade e o número de comorbidades, menores a RO, outro dado é que quanto maior o tempo de tratamento hemodialítico maior a religiosidade.

Hemodialise temproarioSegundo a pesquisadora, os idosos afirmaram que, a doença renal crônica é vista como uma das piores e mais sofridas doenças, pois após os rins pararem de funcionar, o paciente necessita realizar o processo de hemodiálise. O processo permite a remoção das toxinas e o excesso de água do organismo, a partir da filtragem do sangue em um rim artificial por meio de uma máquina, o que é feito três vezes por semana, com duração de quatro horas cada sessão. “O tratamento hemodialítico promove o equilíbrio do corpo e mantém a vida”, diz Calíope.

É nesse momento que os pacientes buscam e religião, diz a pesquisadora, como forma de estratégia, conforto, ou, fonte de esperança para enfrentar a situação em que se encontram. Para ela tal prática é importante, uma vez que ajuda a administrarem o seu dia a dia.

“Percebo a importância da religião como suporte social, pois é uma forma de o idoso se socializar; mas muito importante também é a esperança, o conforto que a crença em algo Superior proporciona a saúde física, mental e social. Além de representar uma estratégia de enfrentamento de situações estressantes”, afirma ela.

Calíope lembra que diferente de pessoas em outras fases da vida, os idosos possuem suas singularidades e especificidades, seja nas dimensões físicas, sociais, emocionais e espirituais. “Na parte espiritual, as particularidades dos idosos estão relacionadas às questões existenciais, e a busca pela cura e conforto.

A tese Estudo correlacional entre bem-estar espiritual, religiosidade, enfrentamento religioso e espiritual e qualidade de vida de idosos em tratamento hemodialítico, foi defendida em maio último, com orientação da professora Luciana Kusumota.

 

Equipe traz qualidade de vida a paciente em estado grave

Desde agosto do ano passado, uma equipe multiprofissional vem transformando a realidade dos profissionais de saúde, dos pacientes e suas famílias na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP

Rita Stella/Agência USP de Notícias

Trata-se da Equipe de Cuidados Paliativos, que está trazendo a realidade da morte para o contexto da emergência médica, procurando amenizar as diversas formas de dor. Segundo o médico da equipe, André Filipe Junqueira dos Santos, geriatra e especialista em cuidados paliativos, o objetivo desse serviço é garantir qualidade de vida, minimizando o sofrimento, dos pacientes em estado grave, especialmente aqueles que não poderão mais se recuperar totalmente ou que eventualmente venham a falecer.

Na Unidade de Emergência (UE) o atendimento é realizado por equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais e farmacêuticos, além da assistência religiosa. Esses profissionais proporcionam “uma assistência mais completa aos pacientes e suas famílias, conforme o que é preconizado pela filosofia de atendimento em cuidados paliativos”, conta Santos.

Tendo a atenção integral ao paciente como o alvo do trabalho, a equipe de cuidados paliativos leva em consideração todos os aspectos do adoecimento e seus impactos físicos, sociais, psicológicos e espirituais. E, para escolher o melhor atendimento de pacientes e familiares, utilizam a discussão com as equipes de saúde como “a melhor ferramenta de trabalho”. De agosto de 2014 a junho de 2015, a equipe em atividade na urgência do hospital já atendeu 325 pacientes, média de 30 por mês.
A maioria dos pacientes é portadora de doenças neurológicas e neoplasias, seguidas pelos casos de traumas crânio-encefálicos e paradas cardiorrespiratórias. A média de idade gira em 66 anos.

A equipe está disponível para atender a qualquer solicitação na UE durante todos os dias da semana, além de rotineiramente avaliar novos pacientes nas enfermarias da emergência por meio de contato com as equipes de saúde.

Esta integração da equipe de Cuidados Paliativos com as equipes de saúde permite que, caso algum paciente dê sinais que não está respondendo ao tratamento curativo, seja introduzido o tratamento paliativo visando “condutas de alívio de sintomas, conforto e dignidade ao paciente”. Isso permite também uma transição no objetivo do tratamento (curativo para paliativo) de forma menos abrupta, evitando a falsa premissa de que “não há mais nada a ser fazer” em situações que as pessoas irão falecer, apesar de todos os esforços da equipe.

O trabalho, segundo Santos, pode contribuir para que o paciente permaneça “internado no tempo ideal”. Quando identificam uma proposta paliativa, “as condutas são tomadas no sentido de evitar procedimentos que não vão beneficiar o paciente”. Desse modo, uma pessoa pode ser encaminhada para um leito especializado no Hospital Estadual Américo Brasiliense e outros hospitais da região que possuem leitos de longa permanência e convênio com a UE, como os de Guariba, São Simão e Altinópolis, ou mesmo ir para casa contando com apoio da equipe de Cuidados Paliativos do HCFMRP, que realiza visitas domiciliares.

“O resultado é um giro maior de leitos, diminuição dos dias de internação e qualidade de vida dos pacientes”, garante o médico.

A atuação da equipe na UE é considerada pioneira no Brasil e até no mundo, pois, como adianta o professor Antonio Pazin Filho, da FMRP, principal incentivador do serviço, apesar da “tendência de fortalecimento dos cuidados paliativos, no caso da emergência ainda é incipiente”.

A emergência não é reconhecida como especialidade médica em vários países. Mas, segundo Pazin, o projeto implantado em sua UE tem se traduzido como apoio importante às equipes de saúde que “contam agora com apoio nas decisões mais difíceis”, com as propostas alternativas para diminuir o sofrimento. Para o professor, “as novas tecnologias que prolongam a vida do paciente criaram a falsa ilusão de que o médico deve sempre curar o paciente e todos os profissionais de saúde se apegaram a isso e se esqueceram do ‘Cuidar’ no sentido mais amplo”.

Com esse universo em mente, Pazin garante que hoje “estamos diante do resgate do cuidar em medicina” e os exemplos desse resgate são “as iniciativas de práticas de qualidade hospitalar e, no presente caso, os cuidados paliativos”.

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