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Depressão também atinge populações da Amazônia

É comum associarmos a depressão com cotidiano das grandes cidades. Violência, estresse, trânsito intenso e modo de vida acelerado, entre outros motivos, quase sempre são apontados como possíveis causas desse transtorno mental. Mas, um estudo realizado pela professora e enfermeira Edinilza Ribeiro dos Santos nas cidades de Coari e Tefé, no interior do estado do Amazonas, mostra que 1 em cada 5 habitantes, com 20 anos de idade ou mais, tem depressão

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Antonio Carlos Quinto/Agência USP de Notícias

Os fatores de risco associados ao transtorno depressivo na população do estudo foram: baixos níveis de escolaridade e renda, uso de álcool, ausência ou pouco apoio social de familiares e amigos, estresse e ter outras doenças físicas. Os resultados da pesquisa foram publicados em um artigo na revista PLOS ONE, em sua edição de março.

“Realizamos um estudo de prevalência nos dois municípios e constatamos que os fatores de risco para transtorno depressivo são semelhantes aos observados em estudos prévios realizados em grandes centros urbanos”, conta a pesquisadora, que é docente na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Ao todo, foram entrevistadas 1.631 pessoas residentes nas duas cidades. Essas entrevistas foram realizadas por dez profissionais previamente capacitados, durante cerca de um ano, entre 2013 e 2014.
Segundo a pesquisadora, não havia na literatura, à época do início desta pesquisa, estudos que mostrassem estatísticas de depressão na região norte do País. Em sua tese de doutorado Prevalência de episódio de depressão maior em áreas de abrangência da estratégia saúde da família em dois municípios do Amazonas, defendida no Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina (FM) da USP, Edinilza mostra que quase 100% da população das duas cidades são cadastradas nos serviços de atenção básica à saúde das duas cidades e foi a partir desses registros que as pessoas foram convidadas a participar da pesquisa. “Esse aspecto facilitou nosso trabalho e os entrevistados foram selecionados por meio de um sorteio”, conta, lembrando que o objetivo de seu estudo foi “quantificar os casos de depressão”.

Entre as pessoas mais atingidas pela depressão estão as mulheres e os mais jovens. A prevalência mais alta de depressão em mulheres é observada em outras localidades dentro e fora do Brasil, já em relação à idade não há linearidade entre os resultados dos estudos realizados em diferentes lugares, mostrando que outros fatores podem influenciar, para mais ou para menos, a ocorrência de depressão segundo grupos etários “Talvez na população da minha pesquisa os mais jovens sejam mais pré-dispostos aos transtornos depressivos devido ao alto desemprego na região e a consequente falta de perspectiva. Além disso, a violência tem crescido na nossa região”, diz.

Nas duas cidades são poucas as opções de lazer.Em termos percentuais, a pesquisa mostra que a prevalência de sintomas que indicam a presença da depressão foi de 19%. “Um estudo nacional de amostra por domicílio mostrou que a prevalência entre pessoas de 14 anos ou mais atingiu 15%”, ressalta. Edinilza teve a orientação do professor Paulo Rossi Menezes, médico psiquiatra e epidemiologista, da FM e da pesquisadora Marcia Scazufca do Instituto de Psiquiatria (IPq) do HCFMUSP.

Rezar ou beber
Durante sua pesquisa, Edinilza ao dialogar com um jovem sobre possibilidades de lazer ouviu a seguinte frase: “aqui só temos duas alternativas, rezar ou beber”. Na opinião da pesquisadora, a declaração chama a atenção para a ausência de opções de lazer nos dois municípios. “As opções de diversão ficam por conta das eventuais festas folclóricas e áreas de banho naturais, visto que as cidades estão localizadas no curso do rio Solimões e banhadas por afluentes e igarapés do grande rio”, lembra a enfermeira.
Estudo sobre a depressão foi feito nas cidades de Coari e Tefé, no Amazonas.Coari e Tefé são municípios vizinhos, localizados no centro territorial do Estado do Amazonas. “Só há duas formas de se chegar às cidades, por avião ou pelo rio”, lembra. Coari está distante de Manaus, via fluvial, 360 quilômetros (km) e Tefé está a 633 km, também por navegação. “Os dois municípios possuem agricultura e pecuária de subsistência, mas o grande empregador em ambos é o poder público”. De acordo com o senso de 2010, Tefé possui cerca de 61 mil habitantes e Coari aproximadamente 75 mil habitantes.

Mulheres que enfrentam longa jornada de trabalho têm mais dificuldade para engravidar

Estudo realizado na Universidade de Harvard (Estados Unidos) analisou dados de 1.739 enfermeiras com idade média de 33 anos e que estavam tentando engravidar.
O questionário aplicado avaliou, inclusive, detalhes da jornada de trabalho, bem como escalas e esforço físico. A maioria trabalhava somente no turno da manhã ou da noite, sendo que 16% enfrentavam escalas rotativas. Mais de 30% afirmaram trabalhar acima de oito horas diárias. Resultado: trabalhar mais de 40 horas por semana pode aumentar em 20% o tempo que a mulher leva até ficar grávida – comparando com quem trabalha entre 21 e 40.
Os pesquisadores também revelaram que 44% delas estavam acima do peso ou eram obesas e 22% eram fumantes ou ex-fumantes. Em um ano, 16% das participantes não tinham engravidado, enquanto 5% não conseguiram engravidar num período de dois anos. As enfermeiras que levantavam cargas pesadas mais de 15 vezes por dia levaram um tempo superior para engravidar de cerca de 50% em relação àquelas cujas rotinas não incluíam muito esforço físico. A associação entre fazer esforço físico e levar mais tempo para engravidar foi mais observada entre mulheres com sobrepeso ou obesas.
Na opinião do especialista brasileiro em Medicina Reprodutiva, Assumpto Iaconelli Junior, diretor do Fertility Medical Group (SP), um dos problemas mais observados entre os casais que buscam ajuda especializada para engravidar é a falta de tempo destinado às relações sexuais frequentes para atingir o objetivo, especialmente durante a ovulação feminina.
“A fadiga gerada por trabalhos extenuantes, associada muitas vezes ao estresse mental e emocional de determinadas ocupações profissionais, têm sido bastante recorrentes, já que impactam o bem-estar físico e mental das pessoas. Quando esse fator determinante encontra outras variáveis, como idade avançada, excesso de peso, doenças preexistentes, fumo, álcool etc., é hora de recorrer a um tratamento de reprodução assistida”.
Iaconelli diz que, quando um casal resolve engravidar, o tempo de tentativas até atingir o objetivo costuma girar em torno de três meses, mas depende muito de fatores como estilo de vida, idade, e condição da saúde geral. Por isso, é comum que alguns casais levem até um ano para conseguir engravidar. Para os cerca de 10% a 15% de casais que não engravidam dentro desse espaço de tempo, o ideal é buscar ajuda especializada. “Em alguns casos, pequenos ajustes no estilo de vida do casal podem fazer grande diferença nos resultados.
Além de relações sexuais mais frequentes (duas vezes por semana, pelo menos), também fazemos um acompanhamento nutricional e psicológico para que o casal adquira hábitos mais saudáveis de vida e alimentação, além de manter o estresse sob controle”. Entretanto, a paciente com mais de 35 anos tem apenas 10% de chance por mês de engravidar. De acordo com o especialista, quem tem vinte e poucos anos, todo mês tem entre 20% e 25% de chance de engravidar. Dos 30 aos 34 anos, as chances caem para 15% ao mês. Depois dos 35 anos, essa possibilidade cai consideravelmente.
“Quem tem mais de 35 anos e tentou engravidar por seis meses sem sucesso não deve esperar muito para buscar ajuda especializada. Além de a paciente às vezes precisar somente de um ‘empurrãozinho’, com regulação de vitaminas, hormônios, dieta etc., pode ser necessário seguir com tratamentos mais complexos, como a indução da ovulação, transferência de gametas, inseminação artificial por doador, doação de óvulos, injeção intracitoplasmática de espermatozoides, fertilização in vitro etc.”.

Fonte e mais informações (www.fertility.com.br).

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