ISSN: 2595-8410 Contato: (11) 3043-4171

Infarto também é assunto de mulher

Até os anos 80, problemas no coração eram considerados “coisa de homem”

infarto-em-mulheres-e-estresse-no-trabalho-4-766-thumb-570 temporario

 

Milla Oliveira (*)

Mas o aumento do número de casos entre as mulheres nos últimos anos acendeu o sinal vermelho entre os cardiologistas, que passaram a se debruçar mais sobre o coração da mulher para entender os motivos desse crescimento. A organização American Heart Association apontou que as doenças do coração são a causa número 1 de mortalidade no sexo feminino. No Brasil, 42% das pessoas que enfartam e morrem são mulheres e as doenças do aparelho circulatório hoje são a principal causa de mortalidade feminina.

Há 50 anos, a cada dez casos de infarto, um era de mulher. Hoje, são cinco mulheres infartadas a cada dez casos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). “As mulheres morrem por doenças cardíacas porque houve um certo descompasso no entendimento de que eram tão vulneráveis quanto os homens a problemas no coração”, afirma Elizabeth Alexandre, presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC. Com números tão alarmantes, é mais do que necessário que as mulheres fiquem alertas à saúde cardíaca, principalmente as que já entraram na menopausa.

Nesta fase da vida, ocorre uma queda acentuada do estrogênio, hormônio que tem como uma de suas funções regular o colesterol no organismo da mulher. A queda nos níveis do hormônio favorece o aumento do colesterol ruim e a baixa do nível de colesterol bom no sangue. A “gangorra” faz com que o colesterol se acumule nas artérias e interrompa o fluxo sanguíneo, facilitando o infarto. Essas mudanças fazem da menopausa um período crítico para problemas cardíacos nas mulheres, mas a mortalidade por doenças cardiovasculares em um grupo mais jovem vem surpreendendo os cardiologistas.

“No grupo de mulheres com idade entre 35 e 44 anos não observamos a mesma redução de mortalidade que observamos em outros grupos. Esse é o foco das pesquisas no momento”, diz a cardiologista. De acordo com a médica, foi avaliado que alguns dos fatores de risco para doenças coronarianas como hipertensão, tabagismo, obesidade, diabetes e sedentarismo são muito comuns entre essas mulheres, que não costumam se preocupar com o coração. “O tabagismo, que se observa bastante nessa idade, é muito mais perigoso para a mulher do que para o homem. Esse é o grande fator de risco para o infarto nas mulheres mais jovens.”

infarto-mulheres-11475135-2731 temporarioA cardiologista Roberta Saretta, do Hospital Sírio-Libanês, explica que a mulher foi adquirindo esses outros fatores de risco, que antes eram “exclusivos” dos homens, por conta de uma rotina mais atribulada. “Com a expressiva participação no mercado de trabalho e a segunda jornada em casa, o universo feminino passou a conviver com esses problemas silenciosos, como é o caso do colesterol alto, da diabetes e do tabagismo”. A médica da SBC comentou sobre o risco oferecido pelo diabetes. “Temos chamado muita atenção porque o risco cardiovascular da mulher diabética é o dobro do homem diabético”. Segundo o último levantamento do Ministério da Saúde, o diabetes atinge 9 milhões de brasileiros – o que corresponde a 6,2% da população adulta. As mulheres (7%) apresentaram maior proporção da doença do que os homens (5,4%).

Se a mulher tem algum dos fatores de risco listados, além de predisposição genética, é recomendável procurar um médico cardiologista a partir dos 30 anos para fazer uma avaliação. “A doença cardiovascular é altamente evitável e é possível fazer uma prevenção muito eficaz”, afirma a especialista da SBC. Segundo Roberto Kalil Filho, diretor da unidade de cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, é importante desmistificar a ideia de que a mulher não enfarta e incentivar a procura por um médico especialista para avaliar a saúde do coração.

sintomas-de-infarto-em-mulheres temporario“A mulher costuma ir ao ginecologista anualmente, mas ignora que é preciso procurar um clínico cardiologista para avaliar riscos de problemas cardíacos”, disse Kalil.

No mês passado, o hospital lançou uma campanha voltada à saúde feminina, com foco na prevenção de doenças coronarianas. As iniciativas visam difundir informações sobre prevenção e tratamento correto de doenças cardiovasculares entre o público feminino. Médicas de diferentes especialidades irão integrar o futuro serviço de avaliação do coração da mulher do hospital, incluindo especialistas em oncologia, endocrinologia, ginecologia e cardiologia do exercício.

(*) - Fonte e mais informações: (coracaoevida.com.br).

Câncer de mama também abala os maridos

Raquel Duarte/Agência USP de Noticias

Mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama relatam que este é um dos momentos mais difíceis no enfrentamento da doença. Mas quem pensa que são somente elas que sofrem, está enganado. Estudo realizado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP comprova que os maridos também sofrem diante da possibilidade de perder a esposa, além disso, eles passam por grande desestabilização emocional no momento da notícia.

 temporarioOs resultados apresentados pela pesquisa, que contou com a colaboração de homens casados, com idade entre 48 e 76 anos, mostraram que o parceiro da mulher com câncer de mama precisa ser sensível em todos os acontecimentos, do diagnóstico ao processo de reabilitação. Além disso, o estudo mostrou que o meio profissional e científico não tem alternativas e opções de acompanhamento dos familiares da mulher com câncer.

Segundo o psicólogo Leonardo Yoshimochi, autor do estudo a dificuldade vivida durante o tratamento muda a vida do casal e acaba refletindo nas atividades diárias, como os cuidados com a casa, com os filhos e com toda a família. “Mesmo sensíveis com a situação, os parceiros acabam sofrendo de forma solitária, pois não aceitam expor suas dificuldades mediante tamanho cuidado que se destinaram a prestar”, diz.

Além da estrutura familiar, a vida íntima do casal que a mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama, também muda. Durante o tratamento, a mulher sofre mudanças físicas, que podem interferir na intimidade do casal, como as modificações no corpo, diminuição do desejo sexual, secura vaginal, depressão, ansiedade e tristeza. “Nesse momento é importante que eles mantenham o diálogo, para que nada afete a intimidade”. “É necessário que a relação do casal seja bem cuidada, caso contrário, acaba se tornando uma situação ainda mais traumática, e com isso o tempo para melhora emocional deles pode ser estendido e levar anos”, relata Yoshimochi.

Apesar de as mulheres serem diretamente afetadas pela doença, diz o pesquisador, os parceiros também precisam procurar tratamento, uma vez que sofrem com toda a situação. Segundo ele, primeiro é necessário que busquem informações com os profissionais que acompanham suas mulheres, e depois um acompanhamento que acolha suas necessidades pessoais, como o tratamento psicológico, por exemplo. “Os profissionais podem auxiliar os maridos a compreender suas próprias questões, e cuidar de seu mundo”.

No entanto, salienta o pesquisador, por mais que a ajuda profissional seja importante, os homens preferem dedicar seu tempo ao cuidado com a esposa, exatamente pela situação vivida por ela e, mesmo quando elas apresentam melhoras, eles não buscam ajuda, pois entendem que o pior já passou e não há mais necessidade de cuidados especiais.

Rua Vergueiro, 2949, 12º andar – cjto 121/122
04101-300 – Vila Mariana – São Paulo - SP

Contato: (11) 3043-4171