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Métodos substituem animais vivos nas aulas de veterinária

Embora anos antes já tivesse introduzido novas práticas no ensino de cirurgia aos alunos do curso de veterinária, foi no simbólico ano 2000 que a professora Julia Maria Matera deu sua palavra final: “chega.” Desde então, nenhum animal vivo foi utilizado em suas aulas — e pouco depois, em mais nenhuma aula da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP

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Iniciativa foi premiada, em primeiro lugar, na World Animal Protection.

Aline Naoe/Agência USP e Notícias

Quando iniciou sua carreira de docente na Universidade e assumiu a disciplina de Técnica Cirúrgica, o treinamento dos estudantes era feito com animais recolhidos pelo Centro de Controle de Zoonoses da cidade, encaminhados à faculdade. Os cães eram sedados e, após o procedimento, eutanasiados. “Eram utilizados, em média, 300 animais por ano, e isso me incomodava muito”, lembra a professora. Além de provocar o sacrifício desnecessário de animais saudáveis, a prática não tinha a eficiência desejada, já que nem todos os alunos podiam treinar os procedimentos estudados — as turmas eram divididas em grupos e apenas um integrante de cada grupo podia realizar, de fato, a prática. Nas semanas seguintes, já em outros tópicos, os demais alunos se revezavam.

Com esse incômodo, que a acompanhava desde sua própria formação, Julia passou a fazer visitas em outras universidades com a ideia de desenvolver técnicas cirúrgicas que dispensassem o uso de animais vivos. Nos Estados Unidos e na Europa, já se usavam cadáveres preservados para os treinamentos, mas era preciso fazer adaptações para o uso das técnicas no Brasil, devido às altas temperaturas do País. “Sempre tive claro que para ter uma boa aceitação, era preciso ter um material de qualidade”, afirma. Assim, procurou o professor Antonio Augusto Coppi, colega de departamento, para trabalhar na empreitada.

Buscando a solução
O uso de cadáveres preservados em vez de animais vivos em sala de aula apresentava algumas exigências: tinha que manter a textura da pele, coloração e estruturas, ou seja, garantir a similaridade com o modelo vivo. “Pesquisamos alternativas e então encontramos uma técnica que era usada para embalsamar cadáveres no século 18 em um hospital na França, a solução de Larssen”, conta Julia. Adaptando a fórmula para reduzir os custos do produto sem perder a qualidade, os pesquisadores chegaram à chamada solução de Larssen modificada. Injetado no animal, o líquido consegue preservar os tecidos, conservando a cor e a flexibilidade característicos. Os detalhes da técnica foram relatados na dissertação da então mestranda Rosane Maria Guimarães da Silva.

portal20160321 1-263x130 temporarioCom a introdução dos cadáveres nas aulas, todos os alunos passaram a poder realizar os procedimentos e, inclusive, repeti-los, algo de grande relevância na área cirúrgica, que exige habilidades só adquiridas na prática. “E além disso você tem um aluno muito mais concentrado, que consegue prestar atenção e pode repetir o procedimento sem culpa”, acrescenta a professora. Os cadáveres vêm do Hospital Veterinario da FMVZ e têm origem ética, ou seja, foram doados com consentimento dos tutores após óbito dos animais.

Em uma segunda fase, Julia começou a trabalhar em cima de outra questão que envolvia o uso dos animais preservados: o fato de não haver sangramento, reduzindo a similaridade com o procedimento real. Com a colaboração de alunas de iniciação científica e pós-graduação, desenvolveu uma forma de passar fluidos que imitam sangue pelos vasos do animal por meio de uma bomba, simulando o processo.

Iniciativa premiada
A partir da iniciativa da FMVZ, que dispensou o uso de animais também em outras disciplinas, a legislação em âmbito estadual e federal passaram a dar mais atenção ao tema, gerando uma mudança de comportamento, segundo Julia Matera. “Já ouvi de alunos que se esforçaram para cursar a USP porque sabiam que não teriam que usar animais vivos em sala de aula”, comenta.

alternativas home temporarioA importância desse trabalho e o pioneirismo da Universidade estimularam a professora a se inscrever no concurso “Métodos substitutivos ao uso prejudicial de animais no ensino humanitário da Medicina Veterinária e Zootecnia na América Latina”, proposto pela World Animal Protection, no qual conquistou o primeiro lugar. Como prêmio, recebeu um conjunto de modelos e simuladores. Entre eles, o boneco Jerry, para aprendizado de auscultação, uma cabeça de cachorro para treinar entubação e modelos em silicone para treinamento de castração.

As aquisições devem integrar um futuro Laboratório de Habilidades, projeto que a professora discute atualmente com colegas da unidade. O local abrigaria os manequins e peças criados para a simulação de procedimentos e seria destinado também às práticas com cadáveres.

Site amplia divulgação de pesquisas sobre frutas e hortaliças

Site reúne preços de comercialização e análises de mercado diárias

1426601732970 temporarioTodos os preços de frutas e hortaliças do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, já estão disponíveis online. Diante do volume de dados e particularidades dos 13 setores que acompanha periodicamente, a equipe Hortifruti Cepea criou um site específico para disponibilizar o conteúdo de suas pesquisas. Em breve, todo o site do Cepea também estará remodelado.

Neste site estão reunidos preços de comercialização, análises de mercado diárias, vídeos quinzenais, todas as edições da revista impressa Hortifruti Brasil, pesquisas sobre marketing do setor e gestão de propriedades hortifrutícolas (custos de produção) e ainda as principais notícias sobre o setor (“Radar”).

Os interessados em séries de preços de frutas e hortaliças encontram um sistema de busca que acessa integralmente o banco de dados Hortifruti Cepea, podendo selecionar produto, região, período e frequência dos preços (se diário/semanal, mensal ou anual). Há informações sobre batata, cebola, tomate, cenoura, folhosas, banana, citros, maçã, mamão, manga, melancia, melão e uva em dezenas de regiões, em diferentes níveis de mercado (ao produtor, beneficiador, atacado, indústria). Para vários deles, as séries se iniciam em 2001. Todas as consultas podem ser rapidamente exportadas para o Excel.

Além de acessar o site e conferir as atualizações diárias, interessados podem também se cadastrar para receber avisos de destaques em seus emails. Está disponível ainda um número de whatsapp para conversas rápidas.

1 temporarioTodo o conteúdo é elaborado a partir de levantamentos primários feitos por pesquisadores e estagiários de diferentes cursos de graduação, com a coordenação direta da professora da Esalq Margarete Boteon. Ao longo de todo o dia, a equipe Hortifruiti Cepea conversa com compradores, vendedores, intermediários e outros profissionais de todo o país que se relacionam com os 13 setores acompanhados.

Essas pesquisas são realizadas há 15 anos e veiculadas principalmente pela revista Hortifruti Brasil, aberta no site do Cepea e também distribuída por correio (7 mil exemplares), sem custos, sobretudo a produtores rurais. Além disso, os dados e análises eram e continuam a ser divulgados também por newsletters, vídeos no youtube e até por mensagem para celular.

Em seu conjunto, essas pesquisas preenchem a séria lacuna que havia de falta de informações de mercado nas principais regiões produtoras de frutas e hortaliças. Cumprem, portanto, papel social, à medida que reduzem a assimetria de informação entre os agentes e auxilia na melhora da gestão dos negócios hortifrutícolas.A comunidade Hortifruti Cepea é formada por todos que se relacionam com esse grande setor (Ag. USP de Notícias).

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