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Desmatamento reduz tamanho de peixes em região amazônica

Entre os diversos danos causados pelo desmatamento na Amazônia em virtude da expansão agrícola, uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Biociências (IB) da USP mostra que houve diminuição no tamanho de algumas espécies de peixes

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Estudos foram realizados em três tipos de cursos de riachos, na região de Canarana, no Mato Grosso.

Antonio Carlos Quinto/Agência USP de Notícias

Para realizar o estudo dos Efeitos da conversão de florestas em áreas agrícolas sobre assembleias de peixes das cabeceiras do Rio Xingu, o ecólogo Paulo Ricardo Ilha Jiquiriçá coletou quase 4 mil peixes de 36 espécies diferentes na região de Canarana, no Mato Grosso, cidade conhecida como portal do Xingu. Ele conta que seus estudos tinham como objetivo inicial avaliar os efeitos do desmatamento e da construção de barragens sobre a fauna de peixes (assembleias).

“Contudo, no decorrer da pesquisa percebemos que o tamanho corporal dos peixes nos riachos em áreas agrícolas era significativamente menor em comparação com os riachos em áreas de florestas”, conta. Sob orientação do professor Luis Cesar Schiesari, do curso de Gestão Ambiental da Escola de Artes Ciências e Humanidades (EACH), e com financiamento da Fapesp, o cientista deu início às suas pesquisas no ano de 2011.

Além dos estudos nos laboratórios do IB, Paulo passou cerca de 18 meses em pesquisas de campo, residindo em Canarana. Lá, em colaboração com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o cientista realizou coletas em seis riachos, sendo três localizados em áreas de florestas e outros três em áreas agrícolas.
Nestas propriedades agrícolas é comum a degradação das matas ciliares e a construção de barragens que represam trechos dos riachos, seja para armazenar água para o gado ou para abastecer pequenas hidrelétricas. Paulo conta que a região já conta com mais de dez mil pequenas barragens. Os cursos d’água avaliados no estudo estão nas cabeceiras de rios afluentes que formam o Rio Xingu (rios Tanguro e Darro), no centro-leste do Mato Grosso. A região é uma das maiores produtoras de soja do País e está localizada no arco do desmatamento amazônico.

Diversas alterações na fauna de peixes foram observadas nos riachos em áreas agrícolas e relacionadas a alterações ambientais. Paulo cita como exemplo uma espécie de rivulídeo, parente dos “killifishes” de aquário, que mede menos de 4 centímetros (cm) e aumentou em abundância nos riachos agrícolas. “Isso ocorreu devido a alterações das características naturais dos riachos. Após o desmatamento, as margens desses córregos são invadidas por gramíneas (Brachiarias) que reduzem a profundidade e criam um ambiente onde os predadores dos rivulídeos não conseguem alcançá-los, o que permite sua proliferação”, conta.

Rivulídeos criados em temperatura semelhante às dos riachos perderam massa.Em contrapartida, espécies que eram comuns nos riachos desapareceram das represas. “Ao menos três espécies de pequenas ‘piabas’ que eram comuns em trechos de água corrente não foram encontradas em trechos represados”, afirma. Entretanto, a constatação que mais chamou a atenção foi a de que quatro das seis espécies mais abundantes nos riachos estudados diminuíram de tamanho (em massa), entre 44% e 57%, nas áreas agrícolas. “É provável que o aquecimento da água seja responsável, ao menos em parte, pela redução de tamanho dessas espécies” acredita.

Medições feitas em campo mostraram que nos riachos de florestas e ainda não alterados em suas características as temperaturas da água eram, em média, entre 24 graus Celsius (°C) e 26°C. “Já nos riachos em áreas agrícolas, nas horas mais quentes do dia, as temperaturas atingiram até 35°C”, descreve. Para testar essa hipótese, Paulo realizou um experimento em laboratório no Departamento de Fisiologia do IB em colaboração com o professor Carlos Arturo Navas Ianini.

Lambari Piaba temporarioLá, foram criados peixes (da mesma espécie de rivulídeo citada) em temperaturas semelhantes às dos riachos agrícolas e de florestas. “Os peixes criados em temperatura semelhante às dos riachos agrícolas perderam massa, diminuindo de tamanho, enquanto os peixes criados em temperatura semelhante às dos riachos de florestas cresceram”. A pesquisa não investigou os mecanismos fisiológicos que levam à diminuição do tamanho dos peixes, mas constatou que a temperatura da água é um fator preponderante.

Paulo ressalta que este pode ser o primeiro estudo a fazer a relação direta entre a redução de tamanho dos peixes e o aquecimento provocado pela conversão de florestas em áreas agrícolas. “É possível que isto esteja acontecendo ao longo de todo o arco do desmatamento amazônico e que venha a causar perdas de biodiversidade”.

 

Brasil aperta cerco contra produtos perigosos

Tema é inovador no Brasil e no mundo. Europa, Estados Unidos e Canadá já possuem regulamentação e vão apresentá-la no evento

Rafaela Ribeiro/MMA

AC 1327 temporarioComeçou na segunda-feira (30/11), o seminário sobre substâncias químicas perigosas em produtos e artigos e seu contexto nas compras públicas sustentáveis. O encontro, que vai até hoje (02/12), apresenta e discute a regulação da presença de substancias perigosas em produtos e artigos diversos, com o intuito de eliminar sua presença ou restringi-la, para minimizar os possíveis efeitos adversos sobre a saúde humana e o meio ambiente.

“Esta é mais uma iniciativa que se desenvolve nos marcos da cooperação internacional com dois parceiros estratégicos para o Ministério do Meio Ambiente (MMA): a União Europeia e o Ministério do Meio Ambiente da Suécia”, destacou a diretora de Qualidade Ambiental na Indústria, Letícia de Carvalho.

Estratégias regulatórias
Letícia explicou que ao longo desses três dias serão abordados temas como estratégias regulatórias e medidas para assegurar seu cumprimento, além do controle e fiscalização da aduana relativo a produtos contendo substâncias químicas perigosas. “O assunto também será revisitado sob o escopo dos acordos internacionais sobre a gestão de substâncias químicas e também seu contexto nas compras públicas sustentáveis”, disse.

O terceiro dia do encontro será dedicado ao debate sobre o chumbo em tintas imobiliárias – um exemplo de substância perigosa em produto que é regulada no Brasil, mas que ainda carece de um sistema que assegure e certifique o seu cumprimento. A diretora do MMA ressaltou que esse encontro abre uma nova frente de trabalho. “A regulação de substancias químicas perigosas em produtos e artigos ainda é insipiente no mundo e no Brasil não é diferente”, afirmou.

Brinquedos e bijuterias
As substâncias químicas estão nos produtos e artigos que adquirimos no dia-a-dia como brinquedos, cosméticos, bijuterias, eletrônicos. “Esse debate traz a gestão de químicos para dentro da casa das pessoas, traz para o cotidiano do consumidor, extrapolando a indústria”, ressaltou Letícia Carvalho.

Recentemente, apreensões de brinquedos e bijuterias contaminados com quantidades significativas de substancias químicas perigosas como chumbo e cádmio têm aumentado no Brasil. Porém, pela falta de um regramento abrangente que discipline e, principalmente, restrinja a quantidade dessas substâncias perigosas, as ações das autoridades ficam limitadas. “Isso torna essa discussão muito interessante, inovadora e necessária”, acrescentou.

A indústria química é um mercado globalizado. Alguns de seus produtos persistem e se espalham no ambiente ou bioacumulam nos organismos. A exposição humana e do meio ambiente às substancias químicas e seus resíduos é problema global e deve ser considerada na Agenda de Desenvolvimento para 2030, uma vez que contribui para o alcance dos objetivos para o desenvolvimento sustentável para a saúde, água, segurança alimentar e produção e consumo sustentável.

 

Perigo do chumbo em tintas

A presença da substância, acima do nível permitido, representa perigo à saúde humana e ao meio ambiente

O Ministério do Meio Ambiente realiza, nesta quarta-feira (02/12), no auditório do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília, debate sobre o chumbo em tintas imobiliárias. A discussão é parte do seminário sobre substâncias químicas perigosas em produtos e artigos e seu contexto nas compras públicas sustentáveis que começou segunda-feira (30/11).
O chumbo nas tintas imobiliárias é um exemplo de substância perigosa em produto que é regulada no Brasil, mas que ainda carece de um sistema que assegure e certifique o seu cumprimento.
No encontro os participantes conhecerão a legislação e ações nacionais, a experiência dos Estados Unidos e Suécia na questão do chumbo em tintas, os resultados das análises de chumbo em tintas conduzido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), as perspectivas do setor e resultados do programa de análises do chumbo em tintas da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (ABRAFATI).


Perigo
O gerente de Segurança Química do MMA, Alberto Rocha, explica que quando o chumbo é liberado, pode viajar longas distâncias antes de se depositar no solo, onde, geralmente, adere às suas partículas. “No solo, o chumbo pode mover-se para as águas subterrâneas, dependendo do tipo de composto de chumbo e as características do solo", explica.
Na análise do Inmetro, já divulgada, 17 marcas de tintas imobiliárias foram testadas, sendo 12 do tipo esmalte sintético e cinco do tipo verniz. O estudo foi realizado em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), para avaliar a concentração de chumbo nos produtos, pelo perigo que a substância em níveis acima do permitido representa à saúde humana e ao meio ambiente.
Duas marcas de esmalte sintético foram consideradas não conformes, uma delas por apresentar concentração de chumbo 200 vezes maior que o limite estabelecido pela Lei Federal 11.762, de 1º de agosto de 2008. O ensaio de concentração de chumbo em esmalte sintético e verniz foi conduzido pelo Laboratório de Análises Químicas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), acreditado pelo Inmetro (MMA).

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