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Estudo analisa impactos de quedas na qualidade de vida de idosos

Pesquisa conduzida pela enfermeira Mariana Mapelli de Paiva no programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, analisou as causas de ocorrência de quedas em idosos e o impacto na qualidade de vida nessa faixa etária da população

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A dependência em atividades básicas da vida diária como vestir-se, deitar-se ou levantar-se aumentam em 52% a ocorrência de quedas. Foto: Antoninho Perri



Edimildon Montalti/Jornal da Unicamp

A pesquisa analisou dados de 986 idosos acima de 60 anos que participaram do Inquérito de Saúde de Campinas (ISACamp).

O inquérito foi realizado pelo Centro Colaborador em Análise de Situação de Saúde entre os anos de 2014 e 2015 e teve o financiamento da Fapesp. A orientadora da pesquisa é a professora Marilisa Berti de Azevedo Barros, que também coordenou o ISACamp.

“O crescente envelhecimento da população brasileira traz consigo sérios desafios a serem enfrentados. Entre esses desafios encontra-se a elevada ocorrência de quedas em idosos que são propiciadas por diversas alterações fisiológicas que afetam a estabilidade corporal e por múltiplos fatores individuais e ambientais”, explica Mariana.

De acordo com os dados da tese “Quedas, condições de saúde e qualidade de vida em idosos: estudo de base populacional de Campinas, São Paulo”, 17,1% dos idosos de Campinas sofrem quedas num período de 12 meses. A ocorrência de quedas foi maior no sexo feminino e aumentou com a idade, atingindo 23,7% nos idosos com 80 anos ou mais.

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Foto: Brasil CT&I

Ao analisar as condições de saúde dos idosos e a associação com a ocorrência de quedas, a pesquisadora verificou que a prevalência de quedas se apresentou crescente com o aumento do número de doenças crônicas e de problemas de saúde relatados, sendo maior entre os idosos com artrite, reumatismo e artrose, enxaqueca ou dor de cabeça, dor nas costas, alergias, problema emocional e tontura ou vertigem.

Em relação à deficiência visual, apenas os idosos que relataram limitações provocadas por essa deficiência apresentaram maior prevalência de quedas. Já em relação à deficiência auditiva, a ocorrência de quedas foi mais elevada nos idosos que relataram este tipo de deficiência. A prevalência de quedas foi mais elevada, também, nos idosos que fazem o uso de bengala, muleta ou andador.

“A dependência em atividades básicas da vida diária como vestir-se, deitar-se ou levantar-se aumentam em 52% a ocorrência de quedas. A dependência em atividades instrumentais da vida diária como utilizar transporte, fazer compras, preparar as refeições, fazer tarefas domésticas, tomar remédios, cuidar das finanças e deixar de dirigir automóvel aumenta o risco em 68%”, destaca Mariana na pesquisa.

A pesquisadora usou o questionário chamado The Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36) para analisar o impacto das quedas na qualidade de vida relacionada à saúde. O questionário adota dimensões ou domínios para avaliar a percepção sobre qualidade de vida. Idosos que sofreram três ou mais quedas apresentaram declínios em seis dimensões da qualidade de vida: capacidade funcional, aspectos físicos, dor, aspectos emocionais, aspectos sociais e saúde mental. Já os idosos que sofreram uma ou duas quedas apresentaram prejuízo apenas no domínio de dor.

A pesquisa apontou que quedas decorrentes de tontura ou desmaio levaram a prejuízos de qualidade de vida de maior magnitude em relação àquelas provocadas por escorregão ou tropeção. “As quedas que, segundo o idoso, não provocaram limitações das atividades diárias, repercutiram apenas na escala de dor. Já as quedas que limitaram as atividades levaram o idoso à percepção de declínio da qualidade de vida dos aspectos emocionais, sociais e mental”, destaca Mariana.

Ao analisar a associação da ocorrência de queda com a qualidade de vida relacionada à saúde dos idosos em diferentes segmentos demográficos e socioeconômicos, a pesquisadora verificou que a ocorrência de queda não redundou em prejuízo da qualidade de vida de idosos do sexo masculino com menos de 75 anos e com maior escolaridade e renda. Já idosos do sexo feminino com menor renda que sofreram queda apresentaram prejuízos de capacidade funcional, aspectos físicos e dor.

“Idosos de ambos os sexos que tinham 75 anos ou mais e menor nível de escolaridade, além de apresentarem prejuízos de capacidade funcional, aspectos físicos e dor, também apresentaram prejuízos em aspectos emocionais e saúde mental”, revela Mariana.

Os achados de prevalência de quedas em relação às condições de saúde possibilitaram identificar os segmentos de idosos mais propícios a quedas. A pesquisa mostrou também que é relevante considerar o tipo e as características das quedas sofridas, no sentido de melhor avaliar os riscos de novas quedas e procurar reduzir o impacto na qualidade de vida dos idosos.

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Foto: MedicinaSA/Reprodução

“Neste sentido, é importante de considerar os tipos de doenças crônicas e de problemas de saúde do idoso, assim como a presença de deficiências funcionais, no sentido de buscar reduzir a ocorrência de quedas. Essas informações destacadas na pesquisa servem de orientações para idosos, familiares e cuidadores quanto às condutas de prevenção de novos episódios de quedas e para minimizar os prejuízos na qualidade de vida nessa faixa etária da população”, reforça Mariana.

Cruz Vermelha lança campanha sobre pessoas desaparecidas

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) acaba de lançar campanha para conscientizar a população da América Latina sobre sobre o desaparecimento de pessoas na região e as consequências para seus familiares. O vídeo, baseado em histórias reais, mostra depoimentos de pais que buscam seus filhos, mas são as fotos dos próprios desaparecidos que contam as histórias.

“Sem saber o que se passou com seus entes queridos, desaparecidos, os familiares alternam seu cotidiano entre a esperança e o desespero, o que os impulsiona a dedicar sua vida, seu tempo e quase sempre todos os seus recursos a uma procura incessante”, disse a coordenadora de Proteção da Delegação Regional do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Marianne Pecassou.

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No Brasil foram registrados mais de 82 mil casos de desaparecimentos em 2017. Foto: Jose Mendez


A campanha mostra que a angústia pela falta de respostas e todos os desgastes da busca geram impactos em sua saúde física e mental, nas suas relações familiares e comunitárias, em sua condição econômica e trazem problemas jurídicos e administrativos diversos, acrescenta ela. Segundo a CIVC, no Brasil foram registrados mais de 82 mil casos de desaparecimentos em 2017. No México, foram 40 mil entre 2006 e 2019.

De acordo com a organização, os dados regionais são alarmantes, mas ainda não trazem a real dimensão do problema na América Latina e no mundo, já que por trás dos números há famílias que passam por necessidades. A campanha foi lançada simultaneamente em vários países da América Latina, entre eles Brasil, Colômbia, México e Peru (ABr).

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