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Mulheres aumentam escolaridade em relação aos homens, mostra pesquisa

O ano de 1991 foi um marco para o perfil da mulher no mercado de trabalho porque, pela primeira vez, o nível de escolaridade feminina superou o dos homens

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A delegação de professores estrangeiros em frente aos edifícios principais da nova Universidade de Moscou. Foto: Reprodução/Livro A Educação na URSS (1953) de Paschoal Lemme

 

Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Segundo a professora Hildete Pereira de Melo, uma das coordenadoras do Núcleo de Pesquisa em Gênero e Economia (NPGE) da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), nesse período o tempo de estudo das mulheres passou a ser maior.

Conforme a pesquisadora, as mulheres aumentaram em um ano a escolaridade média em relação aos homens. “É a maior conquista das mulheres brasileiras terem conseguido se educar no século 20. Embora, a gente não tenha construído a igualdade, a gente conseguiu realmente uma vitória. Não houve política pública que facilitasse isso. Foram decisões pessoais das mulheres”, afirmou, acrescentando que no Censo 1900 as mulheres eram analfabetas e terminaram o século 20 mais escolarizadas do que os homens.

A evolução da escolaridade é um dos dados abordados pela pesquisa, que comprova a desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres no Brasil. O trabalho foi desenvolvido por Hildete e pela professora Lucilene Morandi, também coordenadora do NPGE. “A ideia dessa pesquisa era ter uma noção do impacto da diferença de participação no mercado de trabalho e na renda de homens e mulheres", disse Lucilene.

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Desigualdade de renda entre homens e mulheres aumenta conforme escolaridade. Foto: Ricardo Duarte/Agencia RBS

Escolaridade x Salário
O aumento da escolaridade, no entanto, não representou o fim do desequilíbrio salarial entre homens e mulheres. As pessoas com mais escolaridade no Brasil ganham mais, mas Hildete citou o próprio exemplo para comentar a diferença de gênero na questão salarial. “A distância entre o que eu ganho como doutora em economia e o meu colega que é doutor em economia é muito grande. É muito maior do que quando pega uma escolaridade mais baixa, então, educação é um prêmio para todos, mas o prêmio para os homens é bem superior ao que ela permite às mulheres”.

Trabalho doméstico
Outra avaliação da pesquisa, ao analisar o Produto Interno Bruto (PIB) feminino e masculino, é a falta de captação do resultado do serviço doméstico feito pelas mulheres, inclusive com extensão de jornada. “O problema do trabalho não pago, o trabalho gratuito, que as mulheres realizam, é que se somasse os dois tempos, o do que a gente chama pago ou produtivo com o não pago nos cuidados com as crianças, com a casa, com os doentes, com os idosos, vê-se que a jornada das mulheres é cinco horas, maior”, observou.

A professora acrescentou que o mercado costuma ter o argumento de que as mulheres ganham menos porque trabalham menos que os homens. “A jornada das mulheres no trabalho produtivo pago é menor, só que elas agregam uma jornada além, quando trabalham dentro de casa. Para as donas de casa em geral, a média das mulheres ocupadas é de 22 horas por semana, além da jornada que ela tem no trabalho pago, que é de 8 horas por dia”.

Produto Interno Bruto
Segundo a professora Hildete, as avaliações do PIB per capita indicam que em 2005, conforme estudos baseados nos indicadores das contas nacionais elaborados pelo IBGE, publicados em 2006, se o PIB brasileiro contabilizasse as horas não pagas às mulheres, haveria um crescimento de 11%. “A gente fez um cálculo do PIB global; se agregasse o tempo de trabalho não pago, o PIB brasileiro aumentaria 11%. Naquele momento era equivalente ao PIB fluminense, que era o segundo do Brasil, o primeiro era o de São Paulo. Aumentava a riqueza nacional se agregasse isso”, disse.

A pesquisadora contou como conseguiram contabilizar os dados. “Desde 2001, o IBGE publica uma estatística sobre o trabalho não pago, o qual classifica de afazeres domésticos. Por causa da publicidade desses dados, a gente pôde valorar as horas de trabalho”, completou.

Perfil profissional
Hildete alertou ainda para a necessidade de a mulher se preparar para um novo perfil profissional. Segundo ela, o mercado de trabalho caminha para carreiras mais tecnológicas. “Essa revolução tecnológica vai jogar as mulheres no olho da rua, porque precisa fazer outros cursos universitários. As coisas de TI [tecnologia da informação] são todas de modelos matemáticos. Vamos ter que enfrentar isso. Não podemos ficar só com a psicologia, a enfermagem, a pedagogia. Nem a economia é curso de mulher. Somos minoria ainda, [o índice] está abaixo de 30% [quantidade de mulheres nos cursos em relação a homens].

Renda média
A professora Lucilene Morandi destacou que no período analisado, entre 2000 e 2015, além de avaliação de dados de 1991, a renda média da mulher aumentou. “A explicação que a gente tem para isso é que nesse mesmo período, a partir dos anos 80, as mulheres deram um salto em termos de escolaridade média e isso se refletiu no mercado de trabalho. A gente tem também maior participação no mercado de trabalho. Então, o PIB dela cresce”.

O estudo concluiu que a competitividade da mulher também é influenciada pela dupla jornada. Segundo Lucilene, isso ocorre quando a mulher interrompe o período de trabalho para ter filhos ou precisa ter horário flexível para se adequar à vida doméstica. “Como esse encargo da criança ainda é majoritariamente da mulher no Brasil e boa parte do mundo, isso tem um custo para a mulher, porque enquanto ela está grávida e tendo filhos se prejudica no mercado de trabalho e quando volta é menos competitiva”, disse.

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Diário do Poder

Políticas públicas
Para Lucilene, esse problema seria reduzido se houvesse políticas públicas como a instalação de creches, centros de atendimento e escolas de horário integral, onde pudessem deixar os filhos. “Mesmo que não fossem do Estado, teriam que ter apoio do Estado, porque teriam que ter um custo baixo para as famílias”, disse.

A pesquisa levou em consideração os dados de 1991 e a série de informações entre 2000 e 2015. As professoras já estão pensando no avanço do trabalho, que passará a analisar dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que desenvolve estudos após 2015, que se diferem da Pnad produzida em período anterior.

A nova sala de aula

Jorge Barros (*)

O ensino a distância, ou como é conhecido EAD, é uma realidade inexorável tanto quanto a globalização.
Quando anunciaram a chegada da globalização ou mundialização do comércio, alguns estudiosos comentaram que não passava de um simples modismo. Mas, o fenômeno de escala planetária, além de ter chegado para ficar, trouxe consigo a Sociedade do Conhecimento e a Tecnologia da Informação. Com a globalização, o que se viu não foi apenas a mudança de paradigmas, mas a chegada de uma nova era, que poucos percebem ou acompanham chocados o 'tsunami da pós-modernidade'.

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Abril.com


A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) estima que em 2023, as instituições privadas passarão a receber mais alunos para estudar em cursos a distância do que presencialmente. As matrículas em EAD cresceram 17,6% de 2016 para 2017, segundo o pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Mas, como explicar essa nova sala de aula?
Juntamente com as redes e mídias virtuais, onde a população mundial cada vez mais interage e se comunica, o ensino a distância já conquistou e se consolidou no planeta. Hoje, cada vez mais essa modalidade vai ganhando terreno em todas as áreas do saber, se tornado ensino 100% virtual ou semipresencial, dependendo da complexidade da área do saber acadêmico.
Negar o EAD ou desacreditá-lo é tentar recusar o óbvio da dinâmica, da velocidade e da complexidade do mundo pós-moderno. Atualmente, todas nossas ações são pautadas nas novas tecnologias, de compras a relacionamentos, são mais de nove horas por dia que o brasileiro gasta conectado na internet, segundo uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Diante deste cenário, não poderíamos esperar que ocorre de forma diferenciada com a educação.
A questão cultural em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, faz dessa modalidade uma ferramenta que aos poucos vai ganhando espaço e confiança da sociedade, já que esses cursos atendem a todos os requisitos do MEC e as avaliações de desempenho dos alunos e qualidade dos cursos são tão boas ou até melhores quanto os cursos presenciais.

(*) - É professor de Administração e Ciências Contábeis, tutor presencial na Anhanguera de Nova Iguaçu (www.anhanguera.com).

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