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Extrato de jabuticaba pode prevenir doenças

A jabuticaba contém, em sua casca, propriedades que, ao serem inseridas na formulação de um suplemento alimentar, trazem benefícios para a saúde, podendo ser eficazes no controle do peso e utilizadas para prevenir doenças, entre as quais a inflamação da próstata

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Além da autorização dos órgãos regulatórios, ainda é necessário o desenvolvimento do processo em maior escala, assim como a realização de estudos toxicológicos e de embalagem. Foto: Foto: Ruralpecuaria/Reprodução

Carolina Octaviano/Jornal da Unicamp

Esta é a aposta da startup Rubian Extratos, graduada pela Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp) e que licenciou, recentemente e em caráter não exclusivo, uma composição de extrato da casca da jabuticaba, para administração oral, desenvolvida na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp.

A nova composição contém propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, com eficácia no combate ao aumento do colesterol e à multiplicação de células cancerígenas, além de dispor de capacidade para modular o metabolismo hormonal e de glicose. Dentre os resultados alcançados nos testes laboratoriais, estão ainda o auxílio na perda ou não ganho de peso e na prevenção da inflamação da próstata.

“A Rubian está trabalhando na implantação desta tecnologia através do desenvolvimento de um produto classificado como Suplemento Alimentar, que deverá atender requisitos específicos determinados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e outros órgãos competentes”, afirma Eduardo Aledo, sócio fundador da empresa.

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Professor Mário Roberto Maróstica Júnior e o extrato de jabuticaba: propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Foto: Inova/Divulgação

Buscando fornecer um suplemento alimentar para farmácias de manipulação e uso industrial (com modelo de negócio ancorado no Business to Business, ou B2B), Aledo conta que o produto deve chegar ao mercado até meados de 2020. Além da autorização dos órgãos regulatórios, ainda é necessário o desenvolvimento do processo em maior escala, assim como a realização de estudos toxicológicos e de embalagem.

O intuito é que o produto seja oferecido de maneira segura ao consumidor final. “Existe todo um processo com metodologias científicas com o objetivo de se prover eficácia com total segurança aos usuários”, completa. A tecnologia foi desenvolvida pelo professor Mário Roberto Maróstica Júnior, da Engenharia de Alimentos, em conjunto com a professora Valeria H Alves Cagnon Quitete.

“O grande diferencial desta tecnologia se baseia no aspecto nutracêutico do produto. Existem medicamentos que combatem a obesidade e câncer de próstata, mas os efeitos colaterais nem sempre são desprezíveis. Nosso extrato, nos estudos realizados em escala laboratorial, mostrou excelente eficácia e não evidenciamos efeitos colaterais”, comenta o docente.

A não-toxicidade, a ausência de efeitos colaterais nos testes in vivo e a obtenção de um extrato padronizado com dois bioativos são pontos positivos da tecnologia. Aledo destaca duas principais motivações para o licenciamento: a qualidade de vida que o produto pode oferecer e o baixo impacto ambiental, uma vez que os bioativos naturais são obtidos por meio de processos limpos.

O produto que está sendo desenvolvido pela startup busca também trazer benefícios ambientais, uma vez que utilizará a casca da jabuticaba que seria descartada pela indústria alimentícia. “Neste projeto, em particular, iremos utilizar o resíduo da indústria de sucos e geleias como fonte de matéria-prima para o processo extrativo. São vários elementos que, no conjunto, enriquecem a proposta de valor para nossa sociedade”, defende Aledo.

O grupo de pesquisa do qual Maróstica é membro tem estudado os ativos da jabuticaba há uma década, analisando as demandas e tendências do mercado de saúde e bem-estar. “Sempre estivemos atentos às novas tendências do mercado de alimentos funcionais, visando o público consumidor que se preocupa com o papel dos alimentos na saúde”, aponta o docente.

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Startup licencia composição desenvolvida na Faculdade de Engenharia de Alimentos. Foto: Internet/Reprodução

Também participaram do desenvolvimento da tecnologia, que contou com financiamento da Fapesp) os pesquisadores Valéria Alves Cagnon Quitete, Celina de Almeida Lamas, Sabrina Alves Lenquiste, Félix Guillermo Reyes, Patrícia Aparecida Campos Braga e Andressa Mara Baseggio. Anteriormente a este licenciamento, a Rubian, que atua no desenvolvimento de produtos e processos inovadores na área de bem-estar e saúde, também efetuou a transferência de um processo de obtenção de óleo de urucum e de um processo de extração de compostos bioativos do bagaço de maracujá.

Ambas tecnologias foram desenvolvidas na Unicamp e já passaram pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fapesp, na fase 1. A iniciativa tem, entre suas contribuições, o papel de apoiar a pesquisa em Ciência e Tecnologia como instrumento para promover a inovação tecnológica e aumentar a competitividade das pesquisas empresas.

Uso consciente de antibiótico: entenda as diferenças entre as infecções e quando usar esse tipo de medicamento

Você sabia que nem toda infecção precisa de antibiótico? No Brasil, vivemos a "cultura do antibiótico", na qual pacientes esperam receber o medicamento e médicos banalizam sua prescrição. No entanto, febres, resfriados e gripes, por exemplo, não indicam necessariamente o seu uso.

“O corpo humano carrega trilhões de bactérias e, ao longo da vida, teremos contato com outros milhares de vírus. Felizmente, a maioria desses micro-organismos não nos traz qualquer problema, entretanto, alguns deles podem comprometer seriamente nossa saúde.”, explica Dra. Rosana Richtmann, infectologista da CCIH do Instituto de Infectologia Emilio Ribas.

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O uso indiscriminado de antibióticos por instituições de saúde e pela população é um fator que contribui para a disseminação da resistência bacteriana. Foto: Proxismed

Infecções são situações comuns no dia a dia, portanto é importante entender como ocorrem e quais os sintomas e tratamentos corretos. Podemos dividi-las entre virais e bacterianas. As infecções virais são causadas por vírus e, geralmente, a melhora costuma ser espontânea, em algumas semanas, sem necessidade de tratamento específico. Já as bacterianas são causadas por bactérias, que geralmente precisam de tratamento específico.

“No caso de doenças causadas por bactérias, o tratamento é feito com antibióticos. Como há diferentes tipos de bactérias que ocasionam os mais diversos tipos de infecções, o ideal é que seja feita uma avaliação médica prévia para identificar qual tipo de micro-organismo está causando a infecção para, então, indicar a medicação adequada e ter um resultado efetivo. Vale lembrar que o tempo de tratamento dependerá da doença, da gravidade e do medicamento utilizado e todas essas questões são determinadas pelo profissional de saúde.”, esclarece Dra. Rosana Richtmann.

Em contrapartida, o uso indiscriminado de antibióticos por instituições de saúde e pela população é um fator que contribui para a disseminação da resistência bacteriana. O uso de antibióticos, por mais apropriado que seja, contribui para o desenvolvimento da resistência a esse tipo de medicamento, mas o uso desnecessário e excessivo desses fármacos torna-a pior. A administração correta de antibióticos eficazes, somada a um programa abrangente de controle das infecções, tem mostrado limitar a ocorrência e a transmissão de bactérias resistentes a antibióticos.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou a resistência bacteriana como a 5ª ameaça à saúde global[2]. É urgente quebrarmos os estigmas da cultura do antibiótico e munirmos o paciente de informações e argumentos para ele entender que não prescrever antibióticos trará benefícios no curto e no longo prazos”, finaliza Dra. Richtmann.

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