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Férias. É hora de aprender

Em sua 10ª edição, Encontro USP-Escola debateu Base Nacional Comum – documento que vai fornecer as bases dos currículos escolares no País – e oferece 13 cursos de aprimoramento profissional para professores da rede pública estadual

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Sylvia Miguel/Jornal da USP

Férias. Tempo de descansar, certo? Errado. Nesse período, muitos professores deixam de lado os passeios e o convívio com a família para ficar detrás da carteira, aprendendo. Buscar novos conceitos e reciclar conhecimentos têm um objetivo nobre: prender a atenção dos alunos e aprimorar a aprendizagem em sala de aula. Com esse pensamento, cerca de 500 professores da rede pública de ensino do Estado de São Paulo participaram do 10° Encontro USP-Escola, entre os dias 13 e 17 de julho.

O projeto feito para eles e por eles – já que o diferencial do encontro é o envolvimento dos próprios docentes na escolha das temáticas das palestras, dos cursos, das oficinas e das práticas de laboratórios – conta com a parceria de diversas unidades da USP e a coordenação da professora Vera Bohomoletz Henriques, do Instituto de Física (IF) da USP.
Esta 10ª edição trouxe à Universidade caras novas nas férias do Instituto de Física, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), da Escola de Comunicações e Artes (ECA), do Instituto de Química (IQ), do Instituto de Oceanografia (IO), da Faculdade de Medicina (FM) e até do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP.

O Encontro USP-Escola, no Instituto de Física: cursos para difundir conhecimentos que vão melhorar o ensino no EstadoOs participantes aprimoraram conhecimentos em microscopia instrumental, física óptica, tecnologia da informação e comunicação em ambientes educacionais, história da ciência, educação especial e química, além de dispor de vários cursos nas áreas de humanas, como artes visuais, museus e escolas; educação midiática e práticas educomunicativas; literatura e ensino da língua portuguesa; material didático em inglês e outros voltados à gestão escolar. Foram oferecidos 13 cursos, com duração de 40 horas cada.

As questões relacionadas à Base Nacional Comum (BNC), documento que servirá de referência para os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio, foram debatidas por cerca de três horas, durante a palestra inaugural do diretor de Currículos e Educação Integral do Ministério da Educação (MEC), Ítalo Dutra (leia texto na página ao lado).

Para a coordenadora Vera Henriques, além de oferecer formação e atualização, o evento tem sido um importante fórum de debates. “Professores do Estado inteiro interagem nesses eventos, trazendo questões sobre as formas de agir nas escolas, metodologias, conteúdos, gestão democrática e muitos outros temas”, afirma Vera.

jusp-11-2-300x178 temporarioOs palestrantes abordaram assuntos que preocupam e trazem polêmicas nas salas de aula. A professora Maristela Basso, da Faculdade de Direito da USP, falou sobre redução da maioridade penal e o custo da falência do sistema prisional.

O professor Vitor Paro, da Faculdade de Educação da USP, discutiu as dificuldades e as práticas da gestão escolar democrática. Essa temática mobilizou também um curso, que teve a sala lotada. Outros debates focaram a democratização do conhecimento das pesquisas, a física como tema do Ano Luz Internacional, agrotóxicos no Brasil e democracia e exclusão no Brasil Republicano.

Novas ideias

O encontro, que acontece sempre nos meses de janeiro e julho e teve sua primeira edição em 2010, recebeu aproximadamente 1.200 inscritos nos últimos semestres. É uma oportunidade acompanhada com atenção pelos interessados, seja nos sites das Secretarias de Educação, das Diretorias de Ensino ou na página da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do Instituto de Física (http://portal.if.usp.br/extensao/pt-br), que divulga as atividades acadêmicas oferecidas para os mais variados públicos.

jusp-10-4-300x191 temporarioOutros segmentos também participaram deste 10° Encontro USP-Escola. É o caso de Silvio Higa, biólogo que dá aulas em escola de uma empresa privada. “Sempre faço esses cursos, pois ajudam no aprimoramento das minhas aulas e trazem novas ideias para as atividades com os alunos”, diz.

A grande maioria se inscreve por indicação de colegas. O nível de satisfação dos que já participaram dos cursos chega a 96%, segundo um levantamento feito nos encontros anteriores.

O sucesso dessa via de atualização, com temas que dialogam diretamente com o trabalho desenvolvido em salas de aula, tem uma receita. Tudo é discutido mensalmente, durante as reuniões do GT USP Escola, um grupo de trabalho que organiza e debate com antecedência cada encontro.

“O trabalho do GT começou antes dos Encontros USP-Escola e foi criado por professores que sentiam dificuldades de pôr em prática as metodologias e experimentos que viam nos cursos de formação. Com essa interação, descobriram que podiam se auxiliar na descoberta de caminhos para os problemas enfrentados nas suas escolas. Atualmente realizamos reuniões mensais, todo sábado, aqui no Instituto de Física”, afirma a professora Vera.

Segundo Vera, os Encontros USP-Escola tiveram sua origem num projeto que ela apresentou com o professor Mikiya Muramatsu, também do Instituto de Física, ao programa Novos Talentos, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Mas a demanda dos professores da rede pública cresceu e os idealizadores viram a oportunidade de reunir os cursos de formação de professores dispersos pela Universidade. Ganharam a parceria de outras unidades, atraindo participantes que já foram premiados ao usar as ferramentas aprendidas.

Inclusão

jusp-10-2-300x199 temporario“Não me conformava em ter um aluno deficiente isolado na sala, que só se comunicava com o tradutor. Eu não apenas aprendi a linguagem de Libras, como contagiei a todos a aprender sinais. Meus alunos surdos estão agora interagindo com colegas e funcionários da escola. Pelo menos conseguem manter uma comunicação básica”, diz a pedagoga Sueli Maria de Andrade Alves da Cruz, professora de educação especial na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Benedito Venancio, de Barueri, que tem cerca de 200 alunos.

Desde 2011, a Emei é uma escola-polo de Atendimento Educacional Especializado (AEE) para surdez. Mas atende também crianças com outras deficiências. “Os cursos dos quais participei aqui me ajudaram a abordar conteúdos para crianças com as deficiências que atendo, como surdez, Down, surdo-cegueira e autismo”, diz a pedagoga, que participa pela terceira vez dos encontros e aprendeu parte dos conhecimentos em Libras num curso da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.

O trabalho realizado trouxe a Sueli o 3° lugar do Prêmio Professor Giz de Ouro de 2012, concedido pela Prefeitura de Barueri. Seu projeto Pais Eficientes envolveu toda a comunidade e não só a escola, com um foco especial nas famílias. Através do que chamou de “rodas de conversas”, ou reuniões mensais, desenvolveu a autoestima das famílias e estimulou a integração dos pais com o ambiente escolar.
“É muito difícil encontrar bons cursos nessa área e por isso a gente não sai do pé dos professores da USP”, brinca a pedagoga Lucineide Pereira da Silva Aguilar, professora do Colégio Municipal Imideo Giuseppe Nerici, de Santana de Parnaíba.

Segundo Lucineide, a língua de sinais não está totalmente pronta, quer dizer, é um conhecimento em construção e sua tradução ainda está em andamento. “São poucos os bons especialistas. Este curso, aqui no Encontro USP-Escola, está abordando justamente as características de adaptação na educação especial, mostrando que as práticas pedagógicas podem variar muito de um aluno para outro, mesmo que a deficiência seja a mesma”, afirma a professora.

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