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"Brasil tem muitos problemas e um deles é a carga tributária"

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse ontem (7), que para crescer de forma consistente o País precisará mudar a sua estrutura tributária.

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O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida. Foto: ABr

O Brasil tem muitos problemas e um deles, de acordo com o secretário, é a elevada carga tributária dado o índice de desenvolvimento do País. E não é só a questão do tamanho da carga tributária que impede a economia de crescer mais, conforme Mansueto.


"O Brasil, além de ter uma carga tributária muito elevada, tem regras tributárias muito complexas", disse Mansueto. De acordo com ele, pior que uma carga tributária elevada e complexa são os investidores domésticos e estrangeiros não terem como se proteger em suas decisões de investir contra as mudanças frequentes nas regras tributárias.


O secretário disse que certa vez ouviu de um investidor que o tamanho e a complexidade da carga tributária conseguia embutir nos preços de seus produtos - que eram mais altos que nos Estados Unidos e na França - mas que não era possível se planejar nem repassar para os preços as constantes modificações das regras no Brasil.


Essas mudanças, segundo Mansueto, quando as regras são mudadas, o impacto se dá no plano de investimento de 15 a 20 anos. "Isso é uma verdade e parte do fato de termos um sistema tributário complexo. O que se paga de imposto de renda no Brasil não depende da sua renda. Depende do seu contrato de trabalho. Se você é um advogado que ganha de R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês sua alíquota pode ir a 14% e, se você é contratado, a sua carga tributária ultrapassa 25%", disse, acrescentando que o que se paga de IR no Brasil não tem a ver com a renda.


Para o secretário, esse situação não é diferente do que era cinco, oito anos atrás. O que se sabe, de acordo com ele, é que para o Brasil crescer de forma consistente é preciso mudar este cenário.
"E quando eu falo em mudar este cenário não significa ter planos de governo. Eu não gosto de planos de governos de incentivos a setores. Eu não gosto de planos de governo que visam a crescimentos de curto prazo e milagres econômicos porque, em geral, quando a gente olha o histórico de países que conseguiram se tornar desenvolvidos, com exceção dos asiáticos, são países como Estados Unidos e Reino Unido que no pós-guerra passaram mais de meio século crescendo de forma consistente", disse.


De acordo com Mansueto, Estados Unidos e Reino Unido não têm o costume de crescer 5%, 6%, 7% ao ano. Mas quando se olha para o histórico do Reino Unido e dos EUA, disse ele, são países que fizeram reformas que os fizeram crescer por mais de meio século de forma consistente.


"Esse é o principal desafio do Brasil. A gente precisa se preocupar menos com o que o governo pode fazer para crescer 4%, 4,5% e mais com que o governo pode fazer para deixar o empresário de fato investindo com segurança, ter o mínimo de previsibilidade, segurança de que não haverá mudanças de regras tributárias e regras regulatórias muito mais claras", disse (AE).

Custo de vida em São Paulo tem alta de 0,43% em janeiro

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O grupo com maior alta em janeiro foi educação e leitura, com elevação de 2,03%. A elevação foi puxada pelos reajustes nas mensalidades escolares. Foto: MAXNOTICIAS

O Índice de Custo de Vida (ICV) na cidade de São Paulo teve alta de 0,43% em janeiro. A inflação medida pelo indicador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acumula uma elevação de 3,35% em 12 meses, de fevereiro de 2018 a janeiro último.


A inflação deste início de ano atingiu com mais força as famílias com menor renda, que ganham em média até R$ 377,49. Para esse grupo, a alta no custo de vida em janeiro ficou em 0,58% e 3,52% no acumulado dos últimos 12 meses. As famílias do grupo com renda média de R$ 2.792,90 tiveram uma inflação de 0,35% nos seus gastos cotidianos em janeiro e de 3,13% no acumulado.


O grupo com maior alta em janeiro foi educação e leitura, com elevação de 2,03%. A elevação foi puxada pelos reajustes nas mensalidades escolares: ensino infantil (5,39%), primeiro ano do ensino fundamental (5,93%) e ensino médio (4,62%).


A alimentação teve aumento de 0,78% em janeiro. Os produtos industrializados tiveram alta de 0,41%, a alimentação fora do domicílio, 0,38%, e os produtos in natura, 1,26%. A cenoura teve elevação de 21,36%, o feijão, 28,51% e o abacaxi, 25,35%.

Os gastos com transporte subiram 0,19%, com maior impacto na faixa de menor renda no custo de vida, onde o percentual chegou a 2,8%. Na média geral, a alta nesse grupo foi puxada pelos reajustes das tarifas do transporte público: ônibus municipal (7,50%), metrô (6,35%) e ônibus intermunicipal (2,59%) (ABr).

Indicadores do mercado de trabalho mostram melhora em janeiro

Os dois indicadores de mercado de trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV) tiveram melhoras de dezembro de 2018 para janeiro deste ano. O Indicador Antecedente de Emprego (Iaemp), que busca antecipar tendências futuras com base em entrevistas com consumidores e empresários da indústria e dos serviços, avançou 4,1 pontos.
Com a alta, o indicador chegou a 101,1 pontos em uma escala de zero a 200, o maior patamar desde abril de 2018.
Segundo o economista da FGV Rodolpho Tobler, os resultados positivos nos últimos meses sinalizam uma retomada da recuperação do mercado de trabalho. De acordo com ele, no entanto, é preciso “certa cautela” já que o indicador recuperou apenas pouco mais da metade da queda observada em 2018.
O Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), que busca refletir a percepção dos consumidores sobre a situação do desemprego atual, recuou 4,4 pontos em janeiro. Com isso, o indicador caiu para 94,5 pontos, em uma escala de zero a 200, em que quanto menor o resultado, melhor é a percepção do cidadão. Tobler explica que apesar da queda, o ICD ainda está em patamar elevado (ABr).

 

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