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Luiz Henrique Caveagna e Pedro Torina (*)

O país vive incontestavelmente um momento crítico, tanto do ponto de vista econômico como político.

A confiança por parte dos investidores foi por água abaixo, assim como a demanda e os investimentos despencaram, tornando incertas as possibilidades de crescimento no futuro próximo. A crise não só provoca retração das vendas, como também impõe a redução de custos. O saldo negativo fica visível sem muito esforço, acendendo um sinal vermelho para o aumento gritante do desemprego e para a diminuição da renda, o que reflete, por sua vez, em toda a cadeia produtiva.

Recentemente, o IBGE informou que o PIB despencou 3,8% em 2015, o maior tombo em 25 anos. E a indústria, que sempre teve grande relevância neste cenário, sobretudo por ser o termômetro da produtividade do país, perdeu grande participação no PIB, caindo de 24% em 2014 para 22,7% em 2015. Não dá para falar em um país equilibrado economicamente sem a existência e a sobrevivência deste setor. Manter esse motor aquecido e em pleno funcionamento é crucial e, não é possível fazer isso sem investir, tanto em tecnologia, que proporciona adequação dos custos, melhoria contínua da qualidade e das condições de trabalho, como em infraestrutura e, especialmente, em capital humano.

Mas diante de tanta adversidade, qual o momento certo de agir e apostar no mercado?

Uma coisa é certa: a crise já está sendo anunciada há algum tempo e a decisão de investimento não pode ser tomada de um mês para outro. É necessário trabalhar de maneira antecipada, acreditar fortemente em uma retomada da economia e mais do que isso, estar preparados para quando esse momento chegar. Não existe fórmula perfeita, por isso é necessário exercitar a reflexão em busca da reinvenção, estimulando principalmente a criatividade. É a hora de repensar os paradigmas, rever os modelos e mudar as estratégias.

Há casos, por exemplo, de indústrias que fornecem insumos e componentes para outras indústrias, que optam por apostar na verticalização de processos, passando a oferecer produtos que eliminam etapas do processo de produção dos seus clientes. Outras que decidem atender novos mercados, buscando uma carteira diversificada que as ajude a reforçar as vendas. Em épocas de crise, as empresas precisam ser mais flexíveis e ajustam sua produção à demanda, mesmo que ela seja menor ou até mesmo não usual.

A instabilidade afeta todas as pontas. Empresas com histórico de compra estável passam a ter mais instabilidade em seus pedidos de compra, podendo variar em até 70%. Isso dificulta muito o planejamento, pois gera um aumento significativo no tempo de adequação na linha de produção, e, consequentemente eleva o custo de fabricação, por exemplo. De um lado, compradores que não sabem o que, quando e nem quanto irão precisar comprar e de outro, fornecedores que desconhecem o momento em que serão acionados para suprir uma demanda. Enfim, diante de um ambiente de negócios muito mais complexo, é preciso procurar saídas em um caminho de superação dos desafios.

O cenário adverso aumenta também a tensão na hora da decisão sobre o direcionamento dos investimentos que promovem a sustentabilidade dos negócios. São poucas as empresas capitalizadas a ponto de manter a continuidade dos investimentos, seguindo na direção contrária à crise. As companhias mais sólidas conseguem manter seu planejamento e aproveitar melhor as oportunidades, conduzindo os esforços de forma assertiva. É importante considerar que, em períodos críticos, é preciso ter cautela e evitar o imediatismo. Manter o olhar para o cenário de longo prazo.

Mais cedo ou mais tarde, a retomada da economia vai ocorrer. A indústria e nenhum outro setor podem ficar de braços cruzados e acomodarem-se com atual situação. É preciso acompanhar o dinamismo do mercado, manter os projetos de inovação, aumentar a competitividade para ampliar as oportunidades. E nesse contexto, a evolução e a modernização são imprescindíveis.

(*) - São diretores de Operações Industriais, respectivamente das fábricas 1 e 2 da Termomecanica São Paulo S.A.

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