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O gesto abatido e a voz vacilante com que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou no sábado no 36º aniversário do Partido dos Trabalhadores (PT) mostravam que ele pressentia que era iminente o que finalmente aconteceu na sexta-feira (4), às 6h00, quando agentes da Polícia Federal chegaram em sua casa, em São Bernardo do Campo.

Lula e o PT denunciaram uma perseguição política, mas, mais além da interpretação, sabiam que a decisão do juiz Sergio Moro, responsável pela investigação da Lava Jato, era praticamente inexorável. Moro é um juiz de poucas palavras e decisões enérgicas, e um dos promotores que integram o "grupo de tarefas" que anunciou na última segunda-feira que estavam investigando um apartamento na praia do Guarujá e um sítio em Atibaia ligados a Lula que, aparentemente, foram obtidos por grandes construtoras com dinheiro ilegal.

Duas vezes presidente e líder histórico do PT, Lula deixou o governo em janeiro de 2011 com um índice de popularidade que passava os 80%. Com sua influência política, conseguiu eleger sua sucessora, Dilma Rousseff. Mas as revelações sobre o vínculo do PT com o esquema de corrupção na Petrobras começaram a afetar a imagem de Lula desde o ano passado.

Sua popularidade, que parecia blindada, começou a ruir. Em novembro, 47% dos brasileiros disseram que nunca votariam em Lula, segundo pesquisa feita pelo "Datafolha". Em fevereiro, o rechaço subiu a 49%, enquanto cresciam as duvidar sobre a honestidade do ex-líder, antes intocável.

Lula foi detido durante ditadura militar (1964-1985) por sua militância como dirigente sindical. Após ser libertado, ele fundou o PT. Foi derrotado nas eleições de 1989, 1994 e 1998, mas se reergueu e venceu os pleitos de 2002 e 2006. Além disso, seu apoio foi fundamental para o êxito de Dilma nas urnas em 2010 e 2014.

A questão é se Lula conseguirá sobreviver ao golpe mais duro que já viveu em sua longa vida política; o de ser investigado em meio a um dos escândalos de corrupção mais sérios da história do Brasil, que afetam a um símbolo do PT e da esquerda como é a empresa estatal Petrobras.

Darío Pignotti (ANSA).

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