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Eugenio Maria de França Ramos e Bernadete Benetti (*)

Alguns objetos parecem presença óbvia na sala de aula: lousa, carteiras, lápis e ... livros.

Essas obviedades não precisariam estar ali, uma vez que o ensino e a aprendizagem acontecem sem essas facilidades. Ocasionalmente o Livro Didático vira protagonista, como no mundo mágico de Harry Potter, onde J. K. Rowling cria um livro sobre “monstros” que é um monstro em si, capaz de atacar o protagonista ... Rowling valoriza livros, colocando-os em diversas ocasiões como fonte de mistérios ou de desvendá-los.

Diferentes “magias” do livro didático são exploradas em análises acadêmicas, como ser uma mercadoria (interesse monetário de editoras), ser objeto pesado (quando carregamos vários), ser registro de práticas escolares passadas (há um interessante trabalho que analisa as disciplinas do Colégio Dom Pedro II no século XIX por meio de livros ali adotados), ser veículo de ideologias etc.

Ele é uma fonte de mistérios (ou de desvendá-los) para o mundo acadêmico também!

Um livro não é didático por si. Diferentemente do livro “monstro” de Rowling, ele não tem a propriedade de obrigar alguém a aprender, mas o uso escolar que se faz dele pode torná-lo bastante importante (ou um estorvo). Muitas vezes essas obras “traduzem” para a prática escolar as tendências pedagógicas, seja em livros comerciais ou em projetos, como os nacionais GREF, PEF, FAI ou os americanos PSSC, BSCS.

O problema reside em quem usa quem... O livro é usado pelo professor quando ele se permite reinventar sequências e ampliar potencialidades. Mas o professor pode também “ser usado”, quando o toma como manual inquestionável ou apenas listas de exercícios (por isso o livro didático já foi chamado de “muleta pedagógica”).

Faz muita diferença a formação do professor e sua permanente qualificação para tais usos, que poderíamos traduzir entre os perfis de “professor” (que consegue usar o livro valorizando o ensino-aprendizagem) e de “dador de aula” (que é aquele profissional que se torna “porta-voz” do livro). Como tudo em Educação, essa não é uma questão simples.

Convivendo com atividades de ensino impressiona muito um mistério: por que, mesmo depois de muitos anos escolares, os estudantes (seja em que nível for de ensino!) não conseguem ler o livro didático de maneira autônoma? Uma pena! Se soubessem, poderiam enriquecer muito sua formação e inclusive os diálogos e desafios em sala de aula.

Monstro, muleta ou importante instrumento? Qual deles, afinal, é o seu predileto para comemorar o dia do livro didático?

(*) - São professores do Departamento de Educação do Instituto de Biociências da Unesp, Câmpus de Botucatu.

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