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Reginaldo Gonçalves (*)

As crises, à medida que não têm respostas positivas das políticas públicas e da gestão da economia, retroalimentam-se a cada dado negativo, num inevitável efeito dominó psicológico na população e nos setores produtivos.

Exemplo disso foi o reflexo da divulgação da queda do PIB em 2015, de 3,8%. O impacto foi imediato nos empregos, nos resultados da indústria e do comércio, nas compras de final de ano e até no carnaval: menos viagens, destinos mais baratos e freio no consumo.
Deve-se registrar que a presente crise atingiu majoritariamente aqueles que tiveram melhoria significativa na qualidade de vida a partir do Plano Real, principalmente as classes C e D, que passaram a consumir, incluindo viagens, artigos de toucador, cirurgia plástica, academias e outros itens de beleza e saúde.

As ações do governo, nos 20 anos que se seguiram ao Plano Real, até 2014, foram importantes. Observou-se crescimento no mercado interno das indústrias, comércio e serviços, mesmo com a forma assistencialista de redistribuição de renda do Bolsa Família, que demonstrou ser eficiente ao dar às pessoas de baixa renda uma esperança de melhores dias. Há, ainda, o financiamento da educação, bolsas de estudo e incentivos à compra da casa própria, dentre outros fatores de inclusão socioeconômica.

Os problemas brasileiros manifestaram-se, paulatinamente, a partir de 2008, quando eclodiu a grande crise mundial nascida no crash imobiliário norte-americano. Em nosso país, as autoridades diziam que era “apenas uma marolinha”. Agora, contudo, o mundo está se recuperando, mas o Brasil afunda numa grave retração econômica. Infelizmente, não se soube gerir os recursos e a política econômica no contexto da conjuntura global. Assistencialismo sem controle, desvios de finalidade dos recursos orçamentários, ocultação dos números da economia e uso de estatais, como a Petrobras, para reter a inflação, castigando o caixa da companhia.

O governo gastou muito mais do que arrecada e gerou um enorme déficit fiscal. Como se não bastasse, os casos de corrupção apurados na Operação Lava Jato minaram a confiança na economia nacional.
A falta de transparência, ausência de compliance e a gestão temerária da economia aprofundam a crise. O que se percebe nessa situação é que os juros começaram a aumentar por conta do crescimento da inflação. Porém, nem mesmo a Selic em 14,25% ao ano não contém os índices inflacionários. Não se observa a possibilidade de chegar a 4,5% ao ano, com viés de 2% em 2016. A baixa credibilidade provocou o rebaixamento das notas de crédito do País, dificultando e encarecendo os financiamentos externos.

Como o cenário é de redução do PIB, o efeito em cascata manifesta-se no desemprego, queda na arrecadação tributária e problemas para gerir uma máquina administrativa inchada e onerosa demais para a sociedade. O mais grave é que ainda se busca o equilíbrio fiscal por meio do aumento de tributos e não da redução de suas despesas. É uma imensa contradição. Se a União insistir em continuar aumentando impostos, a recuperação da economia poderá demorar muito tempo. A falta de dinheiro do Governo Federal para investimentos é nítida e, pasmem, já atinge a própria Casa da Moeda. Dados os custos da impressão e do papel, estuda-se uma forma de ampliar o uso de cartões.

Devido à falta de recursos, mesmo com a volta da CPMF defendida pelo governo, a situação fiscal é cada vez pior. A busca agora é pela venda de ativos, concessões e até o uso de dinheiro do FGTS para aquecer o mercado, inclusive o imobiliário. É iminente uma nova CPI sobre os Fundos de Pensão das Estatais, que poderá, considerando-se as estimativas de sua gravidade, prejudicar toda a população.

A recuperação da economia brasileira dependerá de uma ação conjunta e da exemplar punição pelos desvios de finalidade no orçamento da União, para resgatar a confiança da população nas instituições. Também é fundamental, além das prisões de empresários e agentes públicos, que a Operação Lava Jato consiga recuperar e repatriar todo o dinheiro roubado do povo. O preço de uma gestão temerária é muito alto para um país, em especial para as camadas populacionais de mais baixa renda. Estamos jogando na lata do lixo da história a grande oportunidade de desenvolvimento criada pelo Plano Real.

(*) - É coordenador do curso de Ciências Contábeis da FASM (Faculdade Santa Marcelina).

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