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Eduardo de Mello e Souza (*)

Bons empreendedores sabem que crises são, na verdade, oportunidades em disfarce.

A seca que vivemos em São Paulo trouxe boas oportunidades para repensarmos a forma em que consumimos água e como construiremos imóveis no futuro. Neste momento de transição, poucos atentam no fato de que a busca por tecnologias em bancos internacionais de patentes e o seu licenciamento, além de outros produtos e serviços para oferta no Brasil, pode ser uma alternativa viável para impulsionar uma nova linha de negócios.

Hoje, cerca de 85,3% de domicílios brasileiros contam com água encanada. Para manter os níveis atuais de higiene neste cenário de escassez os consumidores podem lançar mão de três estratégias: evitar o desperdício, reaproveitar, e explorar novas fontes. Algumas destas estratégias podem ser implementadas pelos próprios consumidores, outras são oportunidades à espera do empreendedor certo.

O desperdício de água, por exemplo, pode ser considerado tanto pelo lado dos vazamentos em juntas ou rachaduras de canos, quanto pelo lado do gasto em torneiras e chuveiros. Vazamentos, quando não podem ser consertados imediatamente, podem ser tratados com membranas que são inseridas nos canos, então infladas e enrijecidas por meio de resina, restaurando o cano pelo seu interior.

Já os gastos em torneiras e chuveiros, quando não são devidos a vazamentos, vêm da água desperdiçada durante o uso. Torneiras automáticas do tipo que detectam as mãos do usuário existem, uma solução que oferece melhor preço é o uso de torneiras e chuveiros acionados pelos pés. Outra estratégia que já deveria constar em toda nova instalação é o uso de chuveiros de baixo fluxo e aeradores de pia, que proporcionam uma sensação agradável de fluxo de água e reduzem o volume utilizado.

O reaproveitamento de água oferece ainda mais oportunidades. É comum se falar em aproveitamento de água da chuva. Porém ainda pouco se vê no mercado as membranas e filtros biológicos que possibilitam o uso doméstico dessa água além da irrigação de jardim, lavagem de roupas e descarga de sanitários.

Explorar novas fontes de água a nível local é outro item a se pensar. Como a condensação em equipamentos de ar condicionado, existem condensadores desenvolvidos com o propósito específico de gerar água em locais que não disponham de reservatórios subterrâneos ou rios próximos.

Não há escassez de oportunidades, e as informações sobre tecnologias estão à disposição do público em bancos de patentes. Ao considerar uma nova linha de negócios, um caminho alternativo ao desenvolvimento é o licenciamento de uma ou mais tecnologias para uso e eventual fabricação no Brasil. O caminho do licenciamento permite acelerar a entrada no mercado brasileiro, reduzindo o risco tecnológico do negócio, para que o empreendedor possa se concentrar em seus clientes. Precisamos agora de empreendedores dispostos a encarar o desafio.

(*) - É Agente da Propriedade Industrial do escritório Dannemann Siemsen.

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