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Luís Antonio Torelli (*)

As compras feitas pelo Poder Público chegam a corresponder a até 36% do orçamento das editoras

Apesar da crise econômica e também em razão dela e de riscos latentes que ela tornou mais claros, o setor editorial brasileiro e toda a cadeia produtiva do livro precisam multiplicar e somar esforços para ampliar os índices de leitura no País, independentemente das políticas públicas.

Por mais que estas sejam importantes e objeto de responsabilidades constitucionais do Estado no tocante à educação e à cultura, nossas estatísticas de produção e vendas não podem variar de modo tão intenso em decorrência das oscilações das verbas governamentais.

Isso ficou muito evidente este ano, quando o ajuste fiscal da União impôs reduções orçamentárias em todas as áreas da administração. O contingenciamento de recursos do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) e Plano Nacional de Alfabetização e Cidadania (Pnac) teve grande impacto no mercado editorial: queda de faturamento superior a R$ 200 milhões, cerca de 12% a menos em relação a 2104.
Uma quebra dessa proporção atinge as editoras, os autores e profissionais do setor, as gráficas e toda a cadeia produtiva do livro.
As compras feitas pelo Poder Público chegam a corresponder a até 36% do orçamento das editoras em alguns anos.

Com certeza, é importante que os programas governamentais de aquisição de livros sejam mantidos e ampliados, em especial pelo seu caráter inclusivo e por uma questão de justiça social, num Brasil onde ainda há imensas disparidades na distribuição de renda.

No entanto, é necessário que o segmento privado do mercado seja cada vez mais dinâmico e capaz de garantir autonomia econômico-financeira à cadeia produtiva.

Em 2014, segundo a pesquisa Produção e Vendas do Mercado Editorial Brasileiro, feitas pela FIPE para a CBL e o SNEL, foram comercializados em livrarias, porta a porta, sites de editoras e outros pontos do varejo, 277.387.290 exemplares. Considerando que o índice de leitura dos brasileiros é de apenas 1,7 livro/ano, há potencial para o aumento das vendas no segmento privado.

Assim, é preciso imenso esforço de todo o mercado para que cada um dos 88 milhões de leitores do País (fonte: pesquisa Retratos da Leitura no Brasil) leiam mais no ano novo, e também é necessário formar novos leitores.

Tais metas, se cumpridas com êxito, serão um grande estímulo para toda a cadeia produtiva e demonstrarão que podemos e devemos ser mais proativos no desenvolvimento de nosso mercado, cuja pujança também se reflete no progresso nacional, inviável sem a disseminação do conhecimento e da cultura.

Editoras, livrarias, distribuidores e os canais de venda porta a porta, unidos sob a representatividade de suas entidades de classe, precisam adotar firme atitude propositiva voltada ao fomento do mercado privado e promoção do livro.

A despeito da grave crise nacional, vamos arregaçar as mangas e trabalhar muito para que 2016 seja um ano de leitores.

(*) - É presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

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