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Domingos Monteiro (*)

Sem crédito, as vendas se limitam à renda corrente da população, o que reduz, e muito, o consumo e, por consequência, o potencial de crescimento do PIB.

O Brasil, apesar da retomada das operações no ano passado, ainda exibe uma relação crédito sobre PIB abaixo de 50%, mas o potencial de aumento é enorme. Há países em que o crédito representa 150% do PIB, ou seja, tem-se um ano e um ano e meio de riqueza futura no presente. É o que viabiliza, por exemplo, a indústria imobiliária, com a antecipação de dez anos de salários.

No Brasil, a expansão do crédito entre 2002 e 2013 teve forte impacto na aceleração das taxas de aumento do PIB e, em parte, é uma das principais explicações de porque o país cresceu tanto nesse período. A crise instaurada logo depois arrefeceu a oferta de crédito, que começa a ser retomada, mas ainda há muitos entraves para que o volume supere a metade do PIB.

Apesar de a Selic se encontrar em um patamar bem abaixo de sua média história e ter se mantido assim nas últimas reuniões do Copom, o custo do crédito para o usuário final é elevado. Estudo da Febraban, com a consultoria Accenture, indica que um dos fatores que para o custo ser mais alto e a oferta de crédito ser mais limitada no Brasil reside nas “ineficiências na qualidade e disponibilidade de informações de crédito”, salientado que os birôs de crédito, no Brasil, cobrem não mais do que 79% da população adulta em comparação a 100% nos países desenvolvidos.

Alguns argumentam que a aprovação do Cadastro Positivo seja uma das saídas para o aumento da oferta e redução dos custos ao tomador final, pois as novas regras permitirão a inclusão compulsória ao cadastro para todos os consumidores e empresas, com a possibilidade da solicitação de saída, além da participação de informações e dados de outras indústrias.

Em parte, o argumento está correto, pois o cadastro positivo reduzirá o risco de inadimplência e, por consequência, os custos dos bancos. No entanto, a expansão segura do crédito não é uma garantia automática de uma queda dos juros e/ou de redução dos spreads bancários. O aumento da oferta e a retração dos juros finais deve ser encabeçada pela tecnologia evidenciada nas Fintechs que surgem a cada dia.

A nova onda pode inserir milhões de pessoas no consumo, pois mais da metade da população economicamente ativa do país está negativada nos birôs de crédito e, como essa era a fonte única de informações que norteava a concessão, esse público ficava impedido de obter um financiamento ou um empréstimo. A análise de dados através do uso de AI possibilita acesso a outras informações sobre essas pessoas, para que se conheça seus hábitos, a fim de saber se elas poderão honrar novos compromissos.

Ao oferecerem uma análise de crédito mais completa e, portanto, mais segura, as Fintechs se capacitam a trabalhar com juros variáveis, personalizados, em vez das taxas homogêneas definidas por tipo de empréstimo ou linha de crédito que o sistema bancário vem praticando há décadas. Este movimento irá inserir novos consumidores no mercado, ampliar as vendas e, por consequência, gerar empregos.

(*) - É CEO da Neurotech, pioneira em Inteligência Artificial no país.

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