ISSN: 2595-8410 Contato: (11) 3043-4171

Marcio Grazino (*)

Toda crise oferece oportunidades, é verdade, mas não é simples aproveitá-las. Para a maioria, as crises causam mesmo são perdas.

Se sair bem em uma conjuntura desfavorável exige planejamento e visão de negócios. Sobretudo, é necessário iniciar os preparativos enquanto as coisas vão bem. Para obter ganhos nas turbulências é fundamental que a empresa esteja saudável, de início financeiramente, pois a principal vantagem é ter dinheiro em um momento de falta de liquidez no mercado, que vai fazer crescer as ofertas e diminuir custos.

Bem posicionado nesse cenário, você poderá fazer bons negócios abastecendo estoques ou adquirindo equipamentos. Nos primeiros meses de 2019, por exemplo, a indústria automobilística enfrenta uma ociosidade de 43% e, por isso, está oferecendo descontos de 20% a 40% nas vendas diretas para empresas. É um bom momento, portanto, para renovar a frota.

Em 2018, um ano de economia fraca, o valor dos aluguéis de imóveis comerciais caiu 2,5% no ano. E o valor da venda recuou 2,62%. O aluguel no RJ teve queda de mais de 5%. Sem dúvida, ofereceu uma boa oportunidade para conseguir um ponto mais atraente. Ainda, dependendo do grau de desaquecimento, a crise pode ter como consequência um corte de juros, que vai tornar o crédito mais barato, principalmente para as empresas com as finanças em dia.

Então, não só os bens como o dinheiro vai estar mais barato. É uma excelente oportunidade para a expansão dos negócios. Além dos insumos, o desaquecimento da economia facilita o acesso a talentos. Profissionais qualificados, que podem ser fundamentais para dar outro patamar à equipe, acabam dispensados de grandes companhias e voltam ao mercado.

No primeiro semestre de 2018 foram fechados quase 80 mil postos de chefia, segundo o Caged. É a hora de conversar e atrair gente boa para o seu projeto, afinal para expandir também é necessário qualificar. Os períodos de crise também são adequados para a criação de novas empresas baseadas na inovação, em modelos disruptivos que vão substituir formatos que não estão mais funcionando. Nesse sentido, metade das empresas da Fortune 500 foram criadas durante as recessões econômicas.

O Airbnb é fruto de uma crise, na qual gente que precisava de dinheiro passou a alugar quartos na própria casa para pessoas que queriam pagar menos do que os hotéis cobravam pela hospedagem. O princípio do Uber é o mesmo. No Brasil, as clínicas populares crescem aceleradamente na esteira da grave dificuldade enfrentada pelo modelo tradicional da saúde suplementar e atendendo a milhões de pessoas que perderam ou não estão dispostas a pagar o preço de um plano de saúde.

A verdade é que não há crise que pare a economia. Por pior que seja a situação (temos os exemplos de 1929 e 2008), cedo ou tarde as pessoas vão voltar a consumir. O que pode acontecer são ajustes na maneira como vão comprar produtos e serviços e no preço que estarão dispostas a pagar. Com planejamento e visão, sua empresa pode antecipar o cenário e se posicionar à frente das concorrentes.

(*) - É do 'Empresários por Natureza' e diretor da Maximu's Embalagens Especiais.

Rua Vergueiro, 2949, 12º andar – cjto 121/122
04101-300 – Vila Mariana – São Paulo - SP

Contato: (11) 3043-4171