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Oscar D’Ambrosio (*)

Ainda é muito comum que se tente separar heróis e vilões ou que se busque definir limites rígidos entre arte abstrata e figurativa; ou entre criadores acadêmicos e contemporâneos.

É preciso lembrar que o mundo, desde a década de 1990, não comporta mais distinções fáceis. Vale a pena recordar que, desde aquela época, devido à nova realidade da Guerra Fria, o U.S. Army War College começou a utilizar o conceito VUCA para explicar o mundo. Trata-se do acrônimo para descrever quatro características essenciais da nossa realidade: Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade.

A Volatilidade se manifesta num momento dinâmico, volúvel, veloz e efêmero, em que nada é previsível e onde não se pode buscar no passado as soluções para o futuro. A exigência desse cenário é conseguir adaptações rápidas e precisas para manter planos funcionando mesmo com alterações aceleradas.

A Incerteza altera planejamentos. A inimaginável conectividade entre pessoas, processos e plataformas altera todo dia planos de curto, médio e longo prazos. Por isso, formar equipes com pessoas que tenham opiniões diferentes é essencial. Somente visões distintas, oriundas de diversas vivências, trazem outras formas de lidar com problemas.

A Complexidade se faz presente nas infinitas variáveis que afetam o cotidiano. Paradoxalmente, questões muito complexas podem ser solucionadas de maneira mais simples, pois indagações difíceis e não lineares impedem que cada ponto seja tratado em toda sua densidade. Se isso for feito, perde-se o todo de vista – e nunca se chegará a uma solução.

Há ainda a Ambiguidade. Ela traz um grande elemento complicador: a ausência de clareza sobre o significado, a causa e as circunstâncias dos fatos. Não há mais respostas certas ou erradas. O que se busca é que cada decisão responda ao problema enfrentado sem maniqueísmo em relação a propostas alternativas.

Seja em questões raciais, políticas, sociais, culturais, religiosas ou artísticas, VUCA ensina a combater qualquer simplificação. O indivíduo que tem certezas e acredita poder delimitar fronteiras está progressivamente cavando uma cova para si mesmo como ser vivo e como parte ativa de organizações de qualquer porte.

Os novos tempos já estão aqui e agora. Para serem vivenciados intensamente, demandam humildade permanente e a convicção de que o volátil, incerto, complexo e ambíguo jogou por terra ideias cristalizadas, certezas, simplificações e dogmatismos.

Excelente notícia!

(*) - É jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Mackenzie, e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa.

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