Uma nova chance, você também precisa de uma?

Sumaia Thomas (*) e Adilson Souza (**)

Assistimos ao filme Uma nova chance, com a protagonista Jennifer Lopes, e decidimos compartilhar várias das reflexões e provocações que tivemos, com a promessa de não dar muitos spoilers. 😉

Como profissionais dedicados a carreira e ao desenvolvimento profissional de pessoas rumo às posições de liderança e com larga experiência em diversos segmentos, temos certeza que se identificará com muitos questionamentos da protagonista, em seus momentos de vida pessoal e de carreira.

Por exemplo, quem nunca vivenciou uma situação e reconheceu que se sabotou de tal forma que estagnou e se sentiu impossibilitado(a) de avançar mergulhando numa profunda inércia? O que acontece conosco nesses momentos, e a PNL nos permite explicar, é que as crenças (nossas verdades) que nutrimos ao longo da vida (origem, idade, gênero, raça, condição social, experiências, etc.) e que insistimos em mantê-las vivas, alimentam nossas mentes e os pensamentos ganham vida e força. Se o alimento for de limitação, a resposta será também de limitação.

Temos uma profunda admiração pelo seguinte pensamento do empreendedor americano, autor #1 NY Times, filantropo, estrategista de vida e de negócios, Tony Robbins: “Saiba que são suas decisões, e não suas condições, que determinam seu destino”. Sim, são as escolhas diárias que te movem e te levam a uma outra oportunidade, a tal segunda chance.

Outra coisa que nos chamou atenção está relacionada ao que damos valor na vida. O que vale mais? O que nos ensinam nas ruas, em casa, nos livros ou nos bancos universitários? Não há uma resposta única, pois de nada vale só o conhecimento sem a prática e seus aprendizados (erros e acertos).  Frequentar os mais diversos ambientes aguçam nossa observação sobre o que realmente fará diferença, e talvez por conta disso, as pessoas que se destacam no mundo, se permitem ser eternos aprendizes. E você, faz parte de qual grupo? De quem se arrisca ou de quem só observa?

Numa passagem do filme há um questionamento nessa direção, e que nos remete especialmente àquilo que as organizações fazem com relação aos títulos que compõem um currículo. Por quantas vezes em um processo seletivo, e até mesmo numa entrevista, a bagagem que as pessoas trazem com suas histórias de vida e que naturalmente as diferenciam, é ignorada? É a sabedoria e a habilidade da pessoa na posição de liderança que poderão fazer a diferença em conectar formação, experiência e potencial. Mas quantos talentos são ignorados pela falta desta habilidade?

A confiança, que é um valor essencial da liderança espiritualizada, se faz imprescindível para manutenção, sustentação e consolidação das relações pessoais e nos negócios. E para que ela seja estabelecida é preciso coragem para lidar com a verdade qualquer que seja ela, pois uma mentira (ainda que de brincadeira) poderá até te levar a oportunidade dos sonhos, mas certamente não te manterá eternamente. É como Marshall Goldsmith, autor e renomado coach em liderança, escreveu: “O que te trouxe aqui até aqui, não te levará adiante”. E quando a verdade falta, a confiança é abalada, e reconquistá-la é um desafio e tanto.

Mas a questão aqui, não é a justificativa sobre o porquê agiu de má fé ou de brincadeira, e sim o “timing”. Definitivamente é perda de tempo justificar, pois elaborar um currículo com uma pequena mentira só para se valorizar e ganhar atenção no processo seletivo, só te afastará do motivo maior: ser bem-sucedido(a)! Além disso, uma mentira quando revelada quebrará vínculos e relações.  Imagine quando uma segunda chance vem de alguém com quem se tem algo muito especial, for também a pessoa que cuidou e criou a filha que você não pode criar? Além da coragem para lidar com a verdade seja ela qual for, perceber que foi enganado, precisará colocar em prática o perdão e o auto perdão.  E assim, outros valores da liderança humanizada serão exigidos, como empatia e o amor. E acrescentar valores dessa magnitude depois da quebra de confiança, torna tudo mais complexo. Será que tem uma mentirinha aí no seu currículo? Valorize-se, mas não se supervalorize!

Em tempos de pandemia, reinvenção, recomeços e atualização de currículos é preciso ser capaz de examinar nossas trajetórias identificando cada conquista, desde as pequenas até as mais expressivas. E lembre-se que um casebre, uma casa, um palacete e mesmo o mais belo arranha-céu  são construídos tijolo por tijolo. O valor está na obra realizada, e não no tijolo. Então, aprenda a ver a obra realizada no tempo que for com seus acertos, erros e adaptações.  Se você precisa de uma nova chance, lembre-se da frase do final do filme: “Todo dia você acorda e tem uma nova chance de fazer o que quiser e de ser quem quiser ser. E a única coisa que te impede de seguir o caminho, é você! 

(*) É especialista em gestão de carreira e no equilíbrio entre a maternidade e o trabalho, empreendedora, coach, mãe e esposa de Adilson Souza.

(**) É mentor, palestrante, professor, pai e autor do livro Liderança e Espiritualidade – Humanizando as Relações.

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