Novidades vêm e vão, mas sempre mudam o padrão existente

Alessandro Saade (*)


Novidades vêm e vão. E as mudanças são incorporadas em ciclos, subindo a régua ou mudando o padrão existente previamente.

Em dezembro de 2017, postei um artigo no LinkedIn sobre uma atividade que fazia com meus alunos de MBA.

Ao longo de 2017, pelo terceiro ano consecutivo, levei cada uma das turmas onde lecionei para uma aula prática. Convidei os alunos par almoçamos ou jantamos num Foodtruck Park, local com diversas opções gastronômicas, aqui em São Paulo. Claro que não paguei o almoço deles. O convite era figurado.

A proposta era que, em duplas, almoçassem num foodtruck diferente e depois de viverem a experiência como consumidor, entrevistassem o chef empreendedor com um questionário estruturado comum a todos os alunos.

Na época era um movimento recente e acreditava que poderiam obter dados fresquinhos de falhas entre planejamento e execução, erros de análise de cenário, melhores práticas e pontos de atenção. E depois, compartilharíamos tudo entre nós, para entender um padrão, as tendências, erros comuns, os inovadores, etc.

Para os curiosos ou algum ex-aluno saudosista, compartilho aqui o artigo original.

Pois bem, antes mesmo da pandemia, o movimento desacelerou e muitos espaços para Foodtrucks fecharam, com o declínio da oferta de comida neste formato.

Veio a pandemia, o mercado de entregas disparou no mundo e todos os serviços, inclusive – ou principalmente – o de comida, incorporaram esta modalidade de venda / entrega, como condição de sobrevivência.

Ainda temos foodtrucks, beertrucks, winetrucks, quiosques, carrinhos, bicicletas… O ponto é que isso não é solução. É meio. É mais um canal, mais uma experiência de consumo.

Na minha visão, a solução passa por uma combinação de experiência do usuário / do consumidor, processo / eficiência, e vendas / entregas multicanais.

Deve expandir os canais o máximo que conseguir, sem estragar a experiência. Por exemplo, se só consegue entregar uma experiência única e inesquecível, faça isso. De nada adianta ter site, diversas parcerias e delivery, se o produto chega amassado, frio ou destruído no destino. Claro que passa por processos, tecnologia, marketing digital, treinamento, etc… Não sou ingênuo.

Temos iniciativas nas mais diversas áreas. O iFood, por exemplo, criou uma plataforma parruda de desenvolvimento de soluções. Criação de embalagens sustentáveis, negociação com fornecedores para redução do custo dos insumos para os restaurantes e lanchonetes parceiros da plataforma, capacitação dos proprietários e mais um monte de iniciativas buscando melhorar a qualidade do serviço, a experiência do cliente e a perpetuação do negócio.

Recentemente entrevistamos o André Borges, Head de Sustentabilidade do iFood. Foi um bate papo super descontraído com ele contando as iniciativas da empresa em prol da sustentabilidade de toda a sua cadeia. Você pode ouvir aqui este episódio do Podcast dos Compulsivos, que apresento junto com Luiz Felipe Pateo, CEO dos Compulsivos.

Mas se trabalharmos com as variáveis canais e experiência, podemos criar uma estratégia e definir claramente o processo. E se conseguir dar mais um passo mantendo a experiência do cliente, siga. O delivery e o e-commerce são canais poderosos e irreversíveis.

Cresça o quanto conseguir, sempre protegendo a relação do consumidor com a sua marca, seu produto e seu serviço. Sempre!

(*) É Fundador dos Empreendedores Compulsivos, é também executivo, autor, professor, palestrante e mentor.  Possui mais de 30 anos de experiência atuando com grandes empresas e startups brasileiras, tornando-se referência no universo do empreendedorismo no Brasil. Formado em Administração pela UVV-ES, com MBA em Marketing pela ESPM e mestrado em Comunicação e Mercados pela Cásper Líbero, especializou-se em Empreendedorismo pela Babson College e em Inovação por Berkeley. Atualmente é Superintendente Executivo do ESPRO, instituição sem fins lucrativos que há 40 anos oferece aos jovens brasileiros a formação para inserção no Mundo do Trabalho.

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