As principais soft skills para a Liderança

Renato Martinelli (*)

Muitos profissionais no mercado querem crescer na carreira e, em pouco tempo, esperam receber reconhecimentos pelo trabalho competente e pelas entregas de qualidade que realizam. Para terem mais chance de serem promovidos, esses profissionais (ou você mesmo) colocam ainda mais empenho nas atividades que exercem, realizam cursos e executam atividades para serem ainda melhores naquilo que fazem. Tudo isso, para virar um especialista bem remunerado? Não, necessariamente, já que é desejo de uma significativa parcela de funcionários alcançar cargos de liderança.

Eu mesmo vivenciei essa experiência profissional, acreditando que um funcionário de destaque seria naturalmente promovido a líder da área, na qual já tinha domínio de boa parte das atividades profissionais. Portanto, ao falar sobre o assunto, sinto que o artigo tem o papel de ser um aviso antecipado a todos que acreditam que essa jornada terá um final feliz. Eu já vi esse filme e digo, se continuar desse jeito, o final pode ser trágico. 

Há uma crença de mercado em que as empresas contratam e/ou promovem pessoas pela sua competência técnica – hard skills, mas as demitem pela falta de competência comportamental – soft skills. Pura verdade!

Atuar como líder de uma equipe, seja em uma empresa familiar, em uma organização de amplitude global, uma instituição filantrópica, é uma atividade de extrema complexidade.  Tomar decisões frequentemente para o melhor funcionamento da companhia e para o alcance das metas é apenas uma responsabilidade da liderança, que demandará conhecimentos, habilidades e atitudes muito mais ligadas à gestão de pessoas e condução da equipe do que ao entendimento técnico e profundo da área em si. Até porque você terá pessoas com essas qualidades no seu time.

Nesse cenário, compartilho minha visão sobre as principais competências comportamentais – soft skills – mais relevantes para a liderança. Tais competências estão presentes em qualquer estágio de líder – desde a primeira experiência, ao gerir pessoas, até cargos no conselho administrativo do grupo empresarial:

  • Visão Estratégica – muitos colaboradores esperam que sua liderança dê direcionamentos à equipe, diga o norte para que realizem o trabalho. Por isso, será importante entender o plano futuro da organização, onde estará em 5 ou 10 anos, para você, como líder, ajudar cada integrante da equipe a compreender esse futuro e sobre como construir o caminho no presente para alcançar esse futuro. 
  • Relacionamento Interpessoal – não é para virar amigo(a) de cada pessoa da equipe, mas para desenvolver vínculos de confiança com cada integrante. E quando as pessoas confiam, elas são elas mesmas. Ou seja, não ficam fazendo teatro, pois falam com transparência o que pensam. 
  • Liderança pelo Exemplo – aqui não há uma competência específica, mas uma reflexão de que, como líderes, somos referência para tudo, para o bem e para o mal. Dessa forma, é relevante destacar que os comportamentos da liderança devem ser pautados pela ética e alinhados com opropósito da organização, a missão, a visão e os valores da companhia.
  • Comunicação – é preciso que as principais mensagens da organização sejam comunicadas e alinhadas com todos da equipe, o que envolve metas, responsabilidades, prazos e outras informações para o melhor desempenho das atividades profissionais. Também é necessário ouvir as pessoas, alinhar expectativas e informações, ouvir o que não é dito, como disse Philip Kotler, para identificar sentimentos e emoções, além de fatos e dados. 
  • Influência e Persuasão – sabe quando a gente trabalha com outras pessoas, como colegas da mesma área ou funcionários de outros departamentos no cenário de um projeto da empresa, e a coisa não sai como imaginamos? E quando estamos prestes a iniciar o desenvolvimento de uma aliança estratégica com um fornecedor ou um cliente, mas precisamos de apoio, de alinhar e convencer pessoas ao mesmo objetivo? A influência e a persuasão são competências que a gente usa na vida e na trajetória como líder, aplicando diferentes recursos para juntar pessoas, interesses e negócios.
  • Solução Criativa de Problemas – um dos desafios da liderança e das decisões que precisam tomar é gerar transformação. Conseguir maior produtividade, reduzir custos, economizar tempo e recursos, e desenvolver formas inovadoras de resolver os desafios será uma competência cada vez mais demandada em um mundo organizacional imprevisível e complexo como o que vivenciamos.
  • Planejamento e Execução – em uma organização, regularmente, profissionais são medidos pela capacidade de bater metas e entregar os resultados esperados. No entanto, os resultados não caem do céu, e, além do protagonismo e da iniciativa, é importante ter a “acabativa” para alcançar os resultados com a equipe. Cada integrante precisa saber de suas responsabilidades, porque, bem orientados, podem realizar suas entregas com qualidade e em tempo reduzido.  
  • Delegação e Mentoria – além de liderar pelo exemplo e realizar atividades de gestão de pessoas e de negócios, outra importante atribuição é desenvolver as pessoas do time, para serem cada vez melhores em suas habilidades. Para isso ser possível no dia a dia do trabalho, deve-se planejar a delegação, oferecer e receber feedbackse usar situações de trabalho para treinar a equipe. No curto prazo, gera maior engajamento e motivação. No médio prazo, resultados mais consistentes e senso de pertencimento e integração. Olhando para o futuro, é a formação de sucessores que dá a linha para a continuidade do modelo de gestão.

Poderia mencionar tantas outras competências essenciais, como Capacidade Analítica, Resiliência, Autogestão e muitas outras, mas prefiro trazer esse recorte como ponto de partida para análises e reflexões.

A melhor liderança é aquela que não detém o conhecimento, mas que sabe disseminá-lo. Não é aquela que só fala o que os outros devem fazer, mas que ouve os outros e analisa a situação para, quando necessário, dizer o que os outros devem fazer ou deixar essas pessoas tomarem suas próprias decisões, a partir do contexto empresarial, no qual estão inseridas. Ou seja, as soft skills têm um peso muito maior no exercício da liderança, já que o conhecimento técnico é um alicerce para condução dos trabalhos que levarão aos objetivos corporativos.

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(*) É membro dos Empreendedores Compulsivos, Trainer de Comunicação, Propósito e Performance, e tem como foco ajudar pessoas a desenvolverem competências de comunicação para potencializar engajamento e resultados com equipes e clientes.  Possui mais de 20 anos de carreira, agrega experiências e conhecimentos em empresas nos setores de Agronegócio, Automobilístico, Alimentos e Bebidas, Comércio, Construção, Farmacêutico e Químico, Financeiro e Seguros, Papel e Celulose, TI e Telecom, Varejo. É especialista em temas relacionados à Comunicação, Liderança, Gestão de Equipes de Alto Desempenho e Gestão de Conflitos, Vendas, Negociação e Articulação de Soluções.

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