A nova era dos Bots

Sabemos que os bots já fazem parte da nossa vida e são uma tendência para os próximos anos. São aplicativos ou sistemas capazes de executar tarefas de forma automática.

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Gabriel Gorski (*)

Essas atividades podem ser tão simples quanto mostrar a previsão do tempo no local onde você está, ou atender necessidades mais complexas, como por exemplo, monitorar sua saúde e enviar alertas sempre que algo estiver fora do normal.

A capacidade de processamento dos dispositivos atingiu um nível onde é possível interpretar e responder perguntas feitas por pessoas em linguagem natural. Além disso, a tecnologia é capaz de executar atividades de forma automática, com base no comportamento e preferências dos usuários. Dentro desse cenário, há potencial para a criação de novos serviços que ofereçam mais qualidade e conveniência para seus clientes.

Além da redução de custos e maior eficiência em processos que hoje são executados manualmente, os bots podem ser uma poderosa ferramenta para aumentar o engajamento dos clientes, pois conseguem atender várias pessoas de forma simultânea e estão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana.

E se eu decidir implantar um bot na minha empresa, qual é o melhor caminho? Assim como qualquer produto digital, o primeiro passo ao considerar investir nesse tipo de ferramenta é definir o público-alvo e o problema a ser resolvido. Em seguida, avalia-se se a ferramenta é uma solução viável. Isso pode ser feito por meio de prototipação, que visa tangibilizar e validar a ideia com usuários em potencial, sem que seja necessário arcar com os custos de desenvolvimento logo no início do projeto.

Com o protótipo validado, o tamanho do time e investimento dependerão da complexidade da solução. Mantendo a abordagem lean, que é entregar valor mais rapidamente para seus clientes focando em melhorar o fluxo dos produtos sendo entregues, é recomendado construir um MVP (produto mínimo viável), promovendo melhorias na medida em que o bot vai interagindo com seus usuários.

O cuidado com a experiência do usuário é essencial para o sucesso de qualquer produto digital. E com bots não é diferente. Ele precisa resolver um problema real dos usuários de forma eficiente, mas sem deixar de lado o aspecto emocional, afinal, ele está interagindo com pessoas. Por isso é muito importante pensar no tom de voz do seu robô online, e que ele deve estar adequado ao perfil do público que pretende atender. Sem dúvidas, investir nessa nova tecnologia é um passo para o futuro! Se o seu público se adequa a essa ferramenta, por que não testá-la? De qualquer forma, o ecossistema de comunicação com o cliente acaba de ganhar mais um importante meio de relacionamento interativo, não deixe de usufruir.

(*) É designer de produto da HE:labs, empresa que transforma ideias em produtos digitais web e mobile. Sempre focado na experiência do usuário, busca soluções para problemas reais por meio de interfaces atrativas e intuitivas. Formado em Desenho Industrial pela UFSM, possui mestrado em Mídias Digitais no IADT de Dublin.

Home Office: quando a cidade para, mas você continua trabalhando

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Em tempos de manifestações, protestos e greves nas principais cidades do país, sem falar no já arraigado trânsito caótico das metrópoles, um fato é evidente e comum a todos: tudo isto tem mudado a rotina de qualquer cidadão.
O noticiário do dia seguinte nos chama a atenção para as declarações de trabalhadores preocupados com possíveis descontos nos respectivos salários por conta de eventuais atrasos ou até mesmo por faltarem ao trabalho. Em meio a essas preocupações, deparamos com um funcionário que comenta sobre o fato de a empresa em que trabalha não estar preparada para o futuro. Mas sobre qual futuro esse profissional está se referindo? Às diversas formas de se permitir que as pessoas exerçam suas funções – ou pelo menos parte delas – via trabalho remoto.
Convenhamos que o problema da mobilidade urbana não está restrito aos dias atípicos. Grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, são cenários de caos em grande parte dos dias no que se refere à locomoção de pessoas até seus locais de trabalho.
Por essas e outras razões, as pessoas da ‘Geração Y’, também conhecida como “Millennials” (nascidos após 1980 até meados da década de 90) dão mais valor a oportunidades de empregos que permitem Home Office, por priorizar o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. A qualidade de vida está presente entre os fatores que essa geração analisa antes de optar por um emprego, ou mesmo por uma carreira. Recentemente a Polycom fez uma pesquisa* sobre a adoção do Home Office no Mundo, e os números referentes ao Brasil foram surpreendentes: 80% dos brasileiros têm a oportunidade de trabalhar de qualquer lugar. Além disso, 85% dos entrevistados garantiram que suas equipes são produtivas, mesmo trabalhando remotamente.
Empreendedores e empresas têm buscado por tecnologias que viabilizem maior produtividade e possibilidade de contato a qualquer momento, a partir de qualquer lugar. Hoje em dia existem diversos tipos de trabalho que podem ser feitos de casa, de um escritório compartilhado, ou até mesmo de um café.
O trabalho remoto no Brasil é cada vez mais bem-vindo, principalmente por conta dos problemas de infraestrutura urbana. Os brasileiros, em especial, gostam do trabalho flexível, conforme constatado na pesquisa da Polycom onde 36% dos entrevistados afirmam ser favoráveis ao modelo por aumentar seu bem estar, enquanto outros 34% aprovam em razão de poder cuidar de seus filhos. Por isso, a adoção do Home Office é benéfica a todos: empresa, empregador, empregado e, por que não, à cidade.

(Fonte: Paulo David é diretor regional da Polycom no Brasil)

Porque a solução de segurança cibernética para carros autônomos pode ser encontrada sob o capô

Clarence Hempfield (*)

Os veículos autônomos estão entre as tecnologias mais comentadas em 2016. Desde que Tesla, Google e Uber colocaram esses veículos no mapa de tendências para consumidores tenho sonhado com o dia em que poderei ter um. Infelizmente para mim, e para a indústria automotiva, esse dia pode não chegar tão cedo

O repórter da Wire, Andy Greenberg, realizou uma experiência pilotado um veículo Jeep Cherokee sequestrado. Com a ajuda de dois pesquisadores baseados em St. Louis, que foram os “sequestradores”, Andy dirigia o carro, enquanto os sequestradores hackeavam o sistema computadorizado do veículo. O que começou como o sequestro do ar condicionado e da música, terminou com o acelerador desabilitado e um motorista sem controle.
O experimento mostrou o quão fácil pode ser para um profissional experiente hackear um carro, e chamou a atenção de consumidores e autoridades. No ano passado, a Administração Nacional de Segurança de Transporte Rodoviário (NHTSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, divulgou normas afirmando que a segurança cibernética deve ser prioridade dos fabricantes. O grande problema é que os hackers sempre encontrarão uma forma de contornar as mais recentes barreiras de segurança.
O que é crítico no novo mundo de dispositivos constantemente conectados, particularmente os veículos autônomos, é que precisamos adotar uma visão holística da segurança cibernética que vá além de uma criptografia mais complexa.

A vulnerabilidade dos dispositivos conectados
Presumindo que os problemas de segurança cibernética possam ser resolvidos ao longo dos próximos anos, os veículos autônomos se tornarão um dos maiores colaboradores para a Internet das Coisas (IoT). Da mesma forma que outros dispositivos IoT, como telefones móveis e rastreadores de atividades físicas vestíveis, os veículos autônomos também gerarão dados a partir dos consumidores que influenciarão a maneira com a qual as empresas, governos e outros formadores de políticas operam. Mas como a maioria dos dispositivos conectados à IoT, as infraestruturas de software e os dados gerados pelos veículos autônomos também se tornarão mais expostos aos riscos.
Um levantamento recente feito pela resseguradora Munich Re, apontou que 55% dos gerentes de riscos corporativos entrevistados apontaram a segurança cibernética como a principal preocupação para os veículos autônomos. E 64% das empresas disseram se sentir totalmente despreparadas para atender a segurança cibernética.
Os fabricantes investiram bilhões de dólares no desenvolvimento de veículos autônomos, mas se não conseguirem manter os carros e seus motoristas seguros, eu nunca terei um desses veículos na minha garagem. Ao mesmo tempo em que a NHTSA pode não ter todas as respostas para as ameaças de segurança cibernética, os fabricantes de veículos podem olhar sob o capô de seus próprios veículos para encontrar uma potencial solução.

Reimaginando o GPS
Os dispositivos na era IoT geram uma grande quantidade de dados, incluindo dados baseados em localização. Esses dispositivos – que hoje pode ser o seu smartphone, mas no futuro poderá ser o seu carro – podem, com a anuência do consumidor, capturar informações de localização que podem incluir tanto seus movimentos, quanto o que você está fazendo em cada ponto da sua jornada.
Os veículos autônomos poderão capturar e utilizar dados baseados em localização, que podem ser analisados para identificar comportamentos como o movimento, a velocidade, o tempo médio de viagem e até a proximidade com outros objetos, como outros veículos e lojas. Esses dados baseados em localização oferecem a consumidores e empresas o potencial de revelar muitas informações. Os varejistas já estão aproveitando os dados gerados pelos carros para informarem as suas ofertas, e o setor público está usando os dados para projetos de melhorias e planejamento do transporte de cargas e pessoas.
Os consumidores também estão se beneficiando desses dados hoje mesmo, evitando engarrafamentos, ou reduzirem seus valores de seguro pelo bom comportamento de condução. Mas o benefício mais notável dos dados baseados em localização é que eles também podem ser usados para descobrir anormalidades em comportamentos, que podem ser usadas para detectar e limitar as ações tomadas pelos hackers.
Por exemplo, quando aparecer um símbolo de perigo no seu painel, os dados que o seu carro gera estão dizendo ao sistema que existe um problema - talvez a pressão do pneu esteja baixa, você precise trocar o óleo ou uma porta não foi completamente fechada. O seu veículo sabe como deveria operar e se os dados sugerirem que ele não está funcionando como deveria, você é alertado imediatamente pela luz de perigo.
Teoricamente, o mesmo tipo de infraestrutura de alerta em tempo real pode ajudar a resolver ameaças de segurança cibernética e roubos mais tradicionais, que poderia levar a ofertas novas ou ampliadas pelas organizações de monitoramento de veículos. Se os motoristas permitirem que essas organizações ou oficiais de segurança monitorem a localização de seus veículos e tenham uma visão completa dos comportamentos típicos do motorista, os oficiais podem ser alertados imediatamente sobre qualquer ação diferente das expectativas – e até desligar o veículo em uma situação de emergência.
Ou seja, se um veículo estiver com uma velocidade não compatível com a via ou avançando sinais vermelho, os funcionários podem desligar o sistema computadorizado para impedir um hacker em potencial e restaurar o veículo para um estado seguro de condução.
Ao aproveitar as infraestruturas existentes, os fabricantes de veículos podem potencialmente melhorar um pouco sua infraestrutura baseada em localização e os diagnósticos internos – ao mesmo tempo em que resolvem potencialmente os problemas de segurança cibernética e roubo do veículo.

O futuro dos veículos sem motoristas
Ninguém tem a resposta para resolver essa crise com potencial de múltiplos bilhões de dólares que os fabricantes de veículos estão enfrentando, mas eu acredito que uma resposta pode ser encontrada ao aproveitar a infraestrutura baseada em localização existente. Vivemos em um mundo onde a tecnologia está evoluindo rapidamente, e a maioria das empresas não possui o tempo ou o dinheiro para reinventar a roda toda vez que algo novo surgir no mercado.
Os fabricantes de veículos já possuem a infraestrutura instalada para coletar e usar dados baseados em localização, e eles têm conseguido capitalizar essas capacidades com indústrias que se beneficiem dos mesmos dados. Mas o mesmo poderia ser aplicado para a segurança de seus clientes.
Soluções e conclusões geradas a partir dados baseados em localização passaram para além de algo desejável para algo necessário para manter os motoristas seguros quando eles estiverem dentro de um veículo autônomo.

(*) É vice-presidente de Inteligência de Localização da Pitney Bowes.