As cinco maiores tendências de pagamentos e o impacto que elas terão em 2017

Quando falamos em pagamentos, a melhor experiência oferecida é a invisível. A conveniência de deixar a carteira em casa e não se preocupar com o pagamento de serviços recorrentes são elementos fundamentais para tornar a experiência de compras mais descomplicada. E grandes avanços já estão sendo feitos nessa área

2017 temproario

Jean Christian Mies (*)

Atualmente, empresas como Netflix, Uber, Wine.com.br e Airbnb, estão transformando a forma de pagar e impactando as indústrias de serviços e varejo. Há uma grande oportunidade para empresas se diferenciarem pela experiência oferecida em pagamentos nos próximos anos, e algumas tendências nessa área ganharão mais força em 2017.

Mobilidade
As vendas por dispositivos móveis somam 37% de todos os pagamentos online ao redor do mundo, e essa estatística é ainda mais impressionante em países como Austrália e Reino Unido, onde os pagamentos móveis já correspondem a mais da metade das operações, segundo pesquisa da Adyen. No Brasil, mercado que deverá ter 236 milhões de smartphones nos próximos dois anos, de acordo com dados da FGV-SP, a previsão é de que o crescimento de carteiras digitais se intensifique com a chegada das tecnologias Apple Pay e Android Pay, que devem abrir de vez as portas do uso de carteiras digitais no país em 2017.

Esse movimento também tem incentivado o surgimento de apps de pagamento P2P (pessoa para pessoa) e a evolução desses serviços para carteiras digitais B2C, como já é feito pelo app de mensagens WeChat Pay, na China. Com a popularização das carteiras digitais no Brasil, serviços como este devem ganhar força nos próximos anos.

E por ser uma tecnologia onipresente, o smartphone se tornou um companheiro perfeito para efetuar compras a qualquer hora e em qualquer lugar, impulsionando a inovação do cenário de pagamentos e eliminando a barreira entre os canais de vendas, permitindo que clientes façam check-outs com um único toque, seja em lojas, online ou via apps.

Fraude
Inevitavelmente, quanto mais fácil se torna para o consumidor pagar, maior o risco de ações de fraudadores. Ao reduzir o número de etapas no processo de pagamento, menos dados de verificação de autenticidade da compra são coletados e se torna cada vez mais difícil identificar e impedir fraudes. E os fraudadores estão ficando mais sofisticados, deixando de gastar tempo com múltiplas tentativas de pequena escala e concentrando-se em lançar ataques súbitos de grande escala.

Por isso, é importante manter em funcionamento sistemas antifraude robustos, integrados à plataforma de pagamentos, a fim de utilizar um sistema unificado de dados e com inteligência analítica para combater os fraudadores da melhor forma. É crucial despender energias e investimentos em sistemas, normas e infraestruturas que possam identificar e responder rapidamente às tentativas de fraude, sem a necessidade de intervenção manual. Atualmente, ferramentas como o Adyen RevenueProtect, com uso de dados e machine learning, já estão no alcance das empresas para combater essas ameaças.

Recorrência
Os serviços por assinatura e com pagamentos recorrentes estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Fazemos streaming de músicas e programas pela internet, utilizamos serviços de mobilidade e até recebemos entregas mensais dos nossos produtos favoritos, com o pagamento ocorrendo de forma praticamente imperceptível.

O resultado é que as vendas dos serviços por assinatura tem apresentado crescimento até nove vezes mais rápido do que as companhias listadas no índice S&P 500. E cada vez mais empresas estão adotando modelos de assinatura, focados na conveniência e no relacionamento a longo prazo com clientes. Para facilitar a disponibilização desse modelo de negócios, a indústria de pagamentos está evoluindo continuamente e lançando ferramentas baseadas em dados de pagamento de clientes com o objetivo de evitar o churn involuntário, com a interrupção de serviços por causa de cartões expirados ou perdidos.

Dados
O Reconhecimento de Consumidores assume um papel importante no estudo de comportamentos para entrega de serviços personalizados, como planos e prêmios de fidelidade, ofertas especiais e diferenciais de pagamento e entrega. E conforme novos canais emergem, desde compras em apps de mensagens até quiosques em lojas físicas, o reconhecimento das preferências de cada cliente em diferentes canais de interação abre novas oportunidades de negócios.

E um elemento chave no trabalho com reconhecimento do comportamento do consumidor é o pagamento simplificado, e ainda há ganhos significativos para quem investir da maneira correta. Para quem já estiver usando tokenização, o caminho está 80% andado e deve facilitar a ligação entre detalhes tokenizados do cartão e a conta do consumidor. O segredo é trabalhar com uma parceria que possa gerenciar toda essa carga de trabalho.

Integração
Esta continuará sendo uma grande prioridade para negócios em 2017, e a razão é muito simples: para reconhecer clientes através de diferentes canais de vendas, permitir compras com um único ou nenhum clique de botão e identificar tentativas de fraude, as empresas precisam de uma visão unificada dos dados de pagamento de cada cliente. E o primeiro passo nessa direção é a consolidação de cada etapa desse processo em um sistema unificado, abrangendo todos os canais de vendas.

Uma vez que esse obstáculo é vencido, permitirá que os pagamentos invisíveis se tornem mais tangíveis para muitas empresas e, com certeza, uma das maiores tendências de investimentos para pagamentos em 2017.

(*) É vice-presidente sênior da Adyen para a América Latina.

Advento dos micropagamentos possibilita cobranças de maneira simples e alternativa aos modelos atuais

O amadurecimento do uso da internet móvel e o início efetivo de infraestrutura que viabiliza pagamentos móveis estão levando o mercado financeiro e de telecomunicações, em primeira instância, a dar um enfoque reforçado nas operações conhecidas como micropagamentos. Estes processos possibilitam o pagamento de pequenos valores com maior dinamismo, utilizando meios móveis ou ambientes nativos da internet para a sua execução.
Os grupos de compra via web, que vivem um boom, são um exemplo claro disto, uma vez que empregam o conceito da venda em quantidade para proporcionar melhores preços aos usuários. Neste momento, são predominantes os serviços de baixo ou médio custo, como refeições, tratamentos estéticos e outros, que se aproveitam da decisão impulsiva de compra. Já os sites de compras coletivas são atores neste cenário no qual, o que importa, é o grande volume de transações de ticket médio a pequeno.
Fatores importantes no amadurecimento da internet comercial estão diretamente ligados à infraestrutura de telecom. O surgimento de serviços mais ágeis, com acesso de alta velocidade e sem fio à internet por meio de dispositivos portáteis móveis como os smartphones, pode estender estas oportunidades tanto a produtos pós como pré-pagos a preços mais acessíveis a fim de popularizar ainda mais a navegação fora do PC/notebook. Estatísticas apontam um crescimento excepcional de mais de 300% em 3 anos, no número de pontos de acesso fixo e móvel.
O sistema bancário, sempre a frente no critério inovação, tem abordado este tema com muita ênfase em busca da evolução dos atuais ambientes e serviços através de novas interfaces para toda a cadeia do internet banking, mobile payment, entre outros.
Novas redes de adquirentes também têm procurado aproveitar-se deste bom momento buscando massificar baseadas no uso de tecnologias de pagamento como contact less ou aproximação como NFC – Near Field Communication, RFID - Radio-frequency identification, entre outros.
Novos modelos surgem a todo instante e a necessidade de se adaptar a eles é imperativa. É preciso estar alinhado às novas diretrizes do mercado e as soluções de “mobile payment” com foco em micropagamentos são peça fundamental dessa evolução, pois são capazes de integrar e melhorar esses novos ambientes convergentes, promovendo uma experiência única, personalizada, sustentável e com maior valor agregado.

(Fonte: Roberto Barberino é Diretor Executivo Administrativo Financeiro da Provider IT, uma das consultorias e provedoras de serviços de TI que mais cresce e inova no país).

Tecnologia usada no Super Bowl prova que o futuro já chegou

Luiz Alexandre Castanha (*)

No começo de fevereiro, cerca de 111,3 milhões de pessoas acompanharam pela TV o maior evento esportivo do mundo, a final do Super Bowl 51

Com uma das finais mais emocionantes da história, o quarterback Tom Brady conseguiu reverter um placar improvável e garantir a vitória para o New England Patriots. Quem acompanhou o jogo ao vivo pela TV americana teve a chance de sentir como é a emoção de estar em campo, graças a realidade virtual.
A Intel, em parceria com a Fox, usou cerca de 40 câmeras 5K para conseguir captar e transmitir as principais jogadas do ponto de vista de qualquer jogador que estava em campo. Com uma visão que lembra o filme Matrix, o telespectador conseguia olhar nos olhos do oponente vindo em sua direção, ver seu companheiro correndo ao seu lado, seguir a bola e ver detalhes como a grama pulando com o impacto da jogada. Para construir esses replays 360º, foi consumido 1TB de dados a cada jogada.
Parece coisa do futuro, mas essa é uma realidade que está cada vez mais próxima. A TV e o entretenimento estão se reinventando para continuar atraindo o interesse do público. E nada mais justo do que começar com a final de um evento que vale US$ 630 milhões.
Devido a enorme quantidade de dados consumidos e processados, ainda não é possível transmitir o jogo inteiro em realidade virtual, por isso foi feita a opção de fazer o replay dos melhores momentos. Durante o jogo, um produtor da Fox trabalhou em conjunto com uma equipe de 8 especialistas da Intel. O produtor tinha segundos para identificar que aquela era uma jogada que merecia o vídeo, então ele avisava o piloto, que era o responsável pela edição e por ajudar a equipe a identificar todos os pontos de interesse em cada frame. Ele decidia de onde começaria a filmagem, de qual jogador estávamos “emprestando” o ponto de vista, para onde ele iria olhar e qual o final mais interessante da transmissão. Então eram necessário 60 segundos para renderizar o vídeo e transmitir para os espectadores. Em média, eles tiveram dois minutos para identificar a jogada, criar o vídeo 3D de 15 a 30 segundos, renderizar e transmitir a jogada. Por isso, a Fox transmitia primeiro o replay tradicional e depois entravam as imagens de realidade virtual, que foram de tirar o fôlego.
Mas além da transmissão, a tecnologia e a realidade virtual também foram cruciais para o treinamento dos jogadores. Praticamente todos os grandes times da NFL, a Liga de Futebol Americano, adotaram plataformas de VR para realizar treinamentos. Imersos na realidade virtual, os treinadores conseguem desenvolver em seus jogadores aspectos como velocidade, melhoria do tempo de reação, reconhecimento de padrões e tomadas de decisões.
Os quarterbacks têm sido especialmente beneficiados pela novidade. Em uma entrevista de janeiro de 2016, o quarterback do Arizona Cardinals, Carson Palmer (que, aliás, nunca foi muito fã de tecnologia) disse que era fenomenal o treino desenvolvido com a tecnologia StriVR, que utiliza um Oculus Rift e uma câmera 360º em um tripé perto do jogador durante os treinos. A câmera grava tudo o que acontece próximo ao jogador, que depois - com o Oculus Rift - analisa toda a gravação e consegue ver detalhes que jamais seriam percebidos em um treino comum. "Você consegue ver com clareza em qual momento errou a jogada ou porque ela foi tão boa, porque consegue ver você mesmo transferindo o peso e fazendo o movimento", afirmou o jogador.
Além do futebol americano, o basquete também está se beneficiando das novas tecnologias. Desde outubro, a NBA (Liga Americana de Basquete) tem transmitido um jogo da liga em realidade virtual por semana. São utilizados três conjuntos de câmeras - um no meio da quadra e os outros dois embaixo das cestas - que captam tudo num raio de 180º. Unindo as imagens, o espectador consegue se sentir dentro na própria quadra. Mas para assistir ao jogo, é preciso ter acesso a um óculos de realidade virtual ligado a um smartphone Android.
Segundo o fundador da LiveLike, uma das principais companhia do setor de realidade virtual, o indiano Miheer Walavalkar, a realidade virtual está hoje no mesmo estágio embrionário que os smartphones estavam em 2007. Se forem criados conteúdos e utilidades mais próximas aos consumidores, as pessoas vão comprar os headsets e ter a realidade virtual dentro de suas casas.
Hoje são as empresas que apostam na tecnologia, tanto para entretenimento quanto para treinamentos. É possível realizar treinamentos internos em fábricas, aviões, escolas ou clubes esportivos, cada um com um objetivo diferente. Basta adaptar o conteúdo utilizado. Por ser muito mais imersiva, essa tecnologia permite um aprendizado infinitamente mais duradouro.
Quem for visitar Las Vegas, pode ter uma experiência interessante no Caesars Palace. Um dos hotéis mais icônicos da cidade dos cassinos transformou um de seus bares em um Lounge de Realidade Virtual. No Alto Bar, o hóspede tem acesso a diversos Oculus Rifts e a uma grande variedade dos jogos mais populares para o gadget. É possível participar da experiência sozinho ou em grupo. Inaugurado no final de dezembro do ano passado, a nova atração promete agradar curiosos e apaixonados por tecnologia.
Esses foram apenas alguns exemplos de como a tecnologia já está presente em nossas vidas. Mesmo em seus estágios iniciais, a realidade virtual já apresenta o potencial para mudar a forma como aprendemos e nos divertimos. Com certeza, muitas coisas interessantes ainda estão por vir.

(*) É administrador de Empresas com especialização em Gestão de Conhecimento e Storytelling aplicado à Educação, atua em cargos executivos na área de Educação há mais de 10 anos.