RH 3.0 e os desafios para a área de recrutamento e seleção

Com a chegada da inteligência artificial e seus algoritmos, a experiência do recrutador tem se transformado. Essa mudança, já dita por especialistas como irreversível, impacta diretamente os profissionais que lidam com o processo de contratação diariamente

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Marcel Lotufo (*)

O RH, por sua vez, é um dos departamentos que mais passou por inovações nas últimas décadas, migrando de um setor estritamente operacional para outro estrategicamente veloz, com mais visão de futuro, escalável, eficiente e que chamamos de RH 3.0.

No passado, o RH 1.0 - então chamado de departamento pessoal - era definido como o guardião ou responsável em assegurar que os deveres e promessas feitas pelas empresas aos candidatos fossem cumpridas após a contratação, ou seja, questões operacionais da relação empregado-empregador. Já no RH 2.0, a tarefa consistia em incluir e fazer com que a área de Recursos Humanos participasse mais da administração do negócio, de forma mais estratégica e focada na atração, retenção e motivação de talentos.

Tanto que isso culminou no surgimento do business partners, ou seja, consultores e especialistas em processos de gestão de pessoas para gerar resultados. Pois bem, o advento da tecnologia chegou e gestores se perguntam agora: qual a importância de implementar o RH 3.0 na empresa e quais caminhos devo percorrer? Deve-se começar pelo recrutamento e seleção de candidatos, usando um software de RH para fazer requisição de pessoal, abrir vagas, anunciar ofertas de emprego e centralizar a comunicação com os candidatos. Novas soluções, como automação da triagem de candidatos, sistemas de seleção e people analytics já são viavelmente possíveis.

De modo simples, o RH 3.0 é aquele que está inserido na era digital e usa as ferramentas tecnológicas a seu favor. Assim, é possível falar na otimização dos diversos processos de recursos humanos, tais como: recrutamento, seleção, avaliação, treinamento e desenvolvimento dos profissionais empregados. Para se ter uma ideia do contexto, 56% das empresas já redesenham seus processos de RH para aproveitar ferramentas digitais, segundo a Deloitte.

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No entanto, não basta apenas inserir novas tecnologias, é preciso construir uma cultura que valorize os dados e promova melhorias contínuas. Existem muitas ferramentas obsoletas que ainda são usadas na gestão de pessoas, como fichas impressas para requisição de pessoal. No RH 3.0, é grande a convergência entre a área e outros setores da empresa, como marketing, construindo estratégias de endomarketing, employer branding e comunicação interna.

Para a transformação digital acontecer é importante estar mais próximo da TI da empresa também. Com a implementação de ferramentas adequadas, há diversos dados que podem ser coletados com facilidade pelo RH. É possível citar o número de vagas fechadas no prazo, candidatos que participaram da seleção, evasão de funcionários recém-contratados etc. Hoje é possível falar na quarta revolução industrial, ascensão de inteligência artificial e automação nas empresas e no setor público. Mas, somente dados não oferecem nenhum diferencial à empresa, muito menos ajudam a construir o RH 3.0, todavia, quando estruturados, tornam-se informações preciosas, subsidiam uma visão holística da gestão de pessoas e permitem a tomada de decisões mais assertivas, beneficiando todo o empreendimento.

O grupo de pesquisa TI global IDC prevê que, até 2020, aproximadamente US$ 47 bilhões da receita mundial do mercado serão empregados com machine learning (aprendizado de máquina) e inteligência artificial (IA). Como se pode observar, há muita diferença entre o RH 1.0, 2.0 e 3.0. É preciso estar atento para acompanhar a evolução desse setor, garantindo que as melhores ferramentas sejam usadas na gestão de pessoas. Os resultados serão traduzidos no aumento de competitividade, lucratividade e longevidade das empresas.

(*) É CEO e sócio fundador da Kenoby, software de recrutamento e seleção.

Robô portátil que realiza testes oftalmológicos é finalista da Microsoft Imagine Cup América Latina

Oferecer testes de visão rápidos e precisos por meio de um equipamento portátil que pode ser levado para áreas remotas e disponibilizado para pessoas que sofrem com a falta de atendimento médico. Esse é o objetivo do Adam Robo, idealizado pelo empreendedor Juliano Santos, fundador da startup curitibana Prevention, que aposta nos conceitos mais avançados de inteligência artificial em um equipamento leve, simples e com custo acessível. O projeto é um dos finalistas da etapa latino americana da 16ª edição da Microsoft Imagine Cup, que acontece na próxima quinta-feira, dia 24 de maio, na cidade de São Paulo (SP). A competição global de tecnologia estimula ideias inovadoras com soluções para problemas mundiais, e selecionou o Adam Robo para concorrer com outros 12 projetos do Brasil, Argentina, Chile e México a uma vaga na final mundial da competição.
O Adam Robo, que passou pelo processo de mentoria do Centro Europeu - Microsoft Innovation Center, consegue identificar necessidades oftalmológicas urgentes colaborando com a prevenção da cegueira evitável. “Milhares de casos de cegueira recorrentes no mundo todo poderiam ser alertados e evitados com um simples teste de visão, entretanto a porcentagem de pessoas que têm acesso a oftalmologistas, principalmente no Brasil, é muito baixa. A proposta do Adam é conscientizar sobre a saúde visual e potencializar o oftalmologista funcionando como uma triagem, já que gera uma anamnese clínica que colabora com a assertividade dos médicos”, afirma Juliano Santos.
O teste dura cerca de 5 minutos e tem precisão para detectar diversos problemas de visão usuais como miopia, hipermetropia, vista cansada, astigmatismo e daltonismo. O Adam Robo traz escalas de figuras para pessoas não alfabetizadas e optotipo letras para pessoas alfabetizadas. “O teste é rápido e pode ser aplicado em adultos e crianças de todas as faixas etárias. Os resultados são gerados instantaneamente e digitalizados pelo software do Adam por meio de um aplicativo disponível para Android, web e iOS. O Big Data do sistema armazena todo o mapeamento do paciente, com a indicação ou não de doença oftalmológica, idade, sexo, escolaridade e localidade. Todos os dados podem ser acessados por qualquer oftalmologista por meio de um QR Code”, explica Juliano (www.adamrobo.com.br).

Então, por que ainda fazemos faculdade?

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Sempre gostei muito de estudar. No entanto, ainda me questiono se cursar uma faculdade é suficiente. Ouvi de muitos profissionais, com diferentes formações e desempenho profissional, que não vale a pena fazer faculdade. Na maioria das vezes, terminamos a nossa formação acadêmica e, quando vamos para o mercado de trabalho, descobrimos que precisamos começar a aprender algo novo. E só depois de começar a entender uma nova tecnologia ou processo de negócio é que conseguimos contribuir com algo relevante onde estamos trabalhando.
No meu primeiro dia de estágio, na Alcatel Telecomunicações, fiquei assustado com o tamanho do manual que me deram. O documento tinha em torno de 500 páginas e era de um equipamento chamado Newbridge Mainstreet 3600 Multiplexer. Estava no penúltimo período do meu curso de engenharia eletrônica e, apesar disso, parecia estar lendo grego. A quantidade de siglas era infinita, os termos técnicos completamente diferentes de tudo que já havia visto. Mas, com o passar do tempo, as siglas foram ficando mais amigáveis e, logo, isso já não era assim tão obscuro. Precisei aprender muitas coisas novas, que nunca tive acesso na graduação.
As instituições de ensino estão mudando e tentando novas estratégias para se adequarem às mudanças tecnológicas e geracionais que estamos vivendo. Com certeza tem muita coisa boa sendo feita nesse sentido. No entanto, nada vai resolver 100% o problema. Não por falta de conhecimento das instituições, mas, principalmente, porque só no mercado de trabalho, no contexto real de produção, teste, acerto e erro, que nos deparamos com situações e demandas que se transformam e mudam em uma velocidade que a academia nunca seria capaz de acompanhar.
Há 15 anos trabalho com software e telecom e a experiência do meu primeiro estágio não parece estar melhorando. Com certeza, esse padrão não vai mudar, pelo contrário, tende a piorar com o passar do tempo. Agora, isso não é um privilégio da indústria que trabalho. Isso é uma verdade para qualquer um que atue em alguma área ligada ao conhecimento humano. Então, por que fazemos faculdade?
Toda nossa formação acadêmica, desde o colégio até o mais alto grau como um doutorado ou pós-doutorado, não deve ter a obrigação de ensinar tudo o que precisamos, mas sim de treinar nosso cérebro a aprender como aprender e a resolver problemas.
Pensar desse jeito sempre me gerou um grande otimismo, baseado na minha ideia inicial de que eu era bom em resolver problemas. A consequência é que comecei sem me autolimitar. Quebrei a cara várias vezes. Não era tão simples assim! Mas perceber que resolver problemas era imprescindível na vida profissional me levou a empreender muito cedo. E, com isso em mente, resolvi aplicar a mesma lógica na procura por sócios e funcionários, para estarem comigo sempre que o desafio ia ficando maior.
Seguidas vezes escuto sobre ter sorte ao contratar um bom time. Entretanto, reforço que a sorte não seria suficiente nestes 15 anos. Tenho um time acima da média devido ao ideal de contratar pessoas inteligentes e que gostam de resolver problemas. Nesse período, com certeza, errei muitas vezes e, sem dúvida, posso dizer que errei quando deixei de lado essa premissa.
Ou seja, quem começou a ler este texto pensando que eu ia dizer para não fazer faculdade, lamento, mas a ideia não é essa. Uma boa faculdade vai te ajudar a treinar seu cérebro para aprender coisas novas sempre que precisar. E isso, aliado a uma boa capacidade de resolver problemas práticos, pelo menos para mim é, sem dúvida, um conjunto de competências essencial para qualquer carreira que queria desenvolver. Mais importante ainda se você pensa em começar qualquer negócio novo.

(Fonte: Edgar Crespo, especialista em telecomunicações,
é fundador e CEO da BiPTT).

eSocial reafirmará ainda mais a importância do Certificado Digital

Julio Cosentino (*)

Quando foi oficialmente instituída no Brasil, há pouco mais de 16 anos, a certificação digital, assim como toda novidade, causava grande perplexidade entre as empresas e outros agentes econômicos

Como explicar a história de algoritmos e chaves criptografadas assimétricas, pública e privada, que se combinavam? Ao longo do tempo, muito se tentou explicar, mas até por ser algo de fato bastante técnico, a melhor linguagem que se passou a usar e a que toda empresa entendeu imediatamente foi a que diz respeito à praticidade e economia que um Certificado Digital produz. Hoje, com mais 7 milhões de certificados digitais válidos, a Certificação Digital tornou-se ferramenta indispensável para todos os que dela passaram a ter conhecimento.
A partir da sua utilização, passou a haver a desmaterialização de documentos que antes só se concebia por meio de papel. As notas fiscais se tornaram virtuais, os contratos passaram a ser assinados de qualquer parte do planeta, com a eliminação de deslocamentos e contratação de mensageiros. Não era mais preciso autenticar papéis nem reconhecer firmas. Tudo passou a ser bem mais dinâmico e moderno, como requer o mundo moderno. O Judiciário, contadores, médicos, escolas e tantos outros profissionais e setores incorporaram ao dia a dia a Certificação Digital.
Neste momento, quando se aproxima a exigência do eSocial para a grande maioria das empresas - estima-se que em julho 20 milhões dessas companhias estarão obrigadas à declaração das informações trabalhistas por esse novo sistema - a tendência é se olhar apenas para a necessidade de um certificado digital válido com padrão ICP-Brasil. Mas é preciso levar em conta que o eSocial, com certificado digital, irá produzir uma economia desmedida de custos, irá eliminar a necessidade de apresentação de uma série de papéis e declarações adicionais que antes eram necessárias.
Outro aspecto importante que deve ser ressaltado foi a inclusão da biometria para a emissão dos Certificados Digitais. Toda vez que se emite ou se renova um Certificado, o titular, no caso o empresário responsável pela pessoa jurídica, é obrigado a fornecer, além de toda a documentação da empresa e sua, com foto, também os dados biométricos, o que só se faz de forma presencial. Com isso se reduz a praticamente zero as possibilidades de fraudes, de manutenção de empresas fantasmas no mercado e se promove uma espécie de saneamento que considera como estabelecimento ativo e de fato apenas as empresas devidamente em dia com suas obrigações e interessadas em produzir e gerar empregos.
Quando se coloca tudo isso na ponta do lápis, fica fácil entender que se trata de um dos melhores investimentos que uma empresa pode fazer. Com ele se elimina não apenas um volume impressionante de obrigações e custos, se ganha tempo e também espaços físicos antes necessários para a guarda de arquivos em papel. Com a entrada em vigor do eSocial todos verão que a vida se tornará ainda mais simples e, o que é melhor, mais confiável. Com informações mais precisas, se evita fraudes, perda de dados, o governo pode fazer suas estatísticas de maneira mais confiável, empregados passam a ter maior confiança de que seus dados estarão preservados e as empresas ganham em meio a esse novo ambiente com custos menores, menos horas trabalhadas, mais espaço para a atividade fim, entre outros benefícios.
Declarar o eSocial é dizer que o Brasil está entrando numa nova fase. Trata-se de um momento histórico em termos de modernidade. Não é mais possível que haja duplicidade de informações, dubiedade de arquivos, comprovações por meio de papel. Esse cenário passou a ser obsoleto, permite a perda de dados, a fraude e não queremos mais esse tipo de ocorrência nas relações padrão-empregado-governo. O novo formato irá, sem dúvida, simplificar e tornar mais seguras as informações e todas as pontas sentirão a diferença em muito pouco tempo.

(*) É presidente da Associação Nacional de Certificação Digital - ANCD.

 
 
 
 
 
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