Ciberataques: um cenário para o qual devemos olhar

O mundo está consumindo cada vez mais Internet. Vivemos em uma explosão de ambientes conectados, dependendo do digital para realizar quase todas as tarefas rotineiras. As pessoas compram, vendem, armazenam, investem e até se relacionam por meio do espaço virtual. Tanta conectividade certamente facilita o dia a dia, mas também oferece riscos aos usuários. É por isso que a cibersegurança se tornou um item vital para a transformação digital

ciberataque temporario

André Scatolini (*)

Os riscos de ataque cibernético e de perda de dados aumentam a cada dia. No entanto, as pessoas ainda não se deram conta de que os cuidados no mundo digital são tão importantes quanto no mundo real. Vários estudos apontam que o indivíduo é a parte mais frágil do elo dessa cadeia, tornando-se alvo fácil de hackers que espionam sistemas e dados de organizações.

Com as contínuas ameaças cibernéticas, as empresas deveriam colocar como prioridade as estratégias de prevenção de ataques digitais e de planejamento de contingência para violações desse tipo. Um estudo realizado com 160 membros do conselho de administração de empresas públicas dos EUA, conduzido pela auditoria e consultoria BDO Brazil mostra que aproximadamente 80% das corporações ampliaram em 22% o orçamento destinado a ações envolvendo segurança cibernética, mas o tema merece uma atenção ainda maior.

Por aqui no País, segundo o Instituto Ponemon o índice de empresas invadidas aumentou de 1.980 para 97.300 em 2017. Esses dados comprovam que o Brasil segue o movimento mundial, estando cada vez mais vulnerável.

Outro estudo realizado este ano pelo ISC² alerta que o mercado terá escassez de profissionais capacitados em segurança da informação, com um déficit de 185 mil especialistas até 2020, indicando que as empresas precisam capacitar seus times internos e firmar, o quanto antes, parcerias com fornecedores de TI especializados, pois a demanda será muito maior que a oferta.

A expansão da Internet ocorre muito mais rapidamente do que a especialização em cibersegurança. A falta de investimento em cursos de formação é um dos propulsores para o enfraquecimento da cadeia nesse setor. Por uma questão cultural, o número de cursos voltados para segurança digital é ainda relativamente baixo se comparado aos cursos de tecnologia da informação no geral.

Estimo que o Ransomware é – e deve continuar sendo – a primeira ameaça que vem à mente dos líderes de TI e Segurança. Antes, os hackers tinham uma pessoa ou um servidor como alvo específico, mas agora eles miram as organizações como um todo, invadindo os sistemas a partir de simples e-mails enviados como SPAM. Poucas empresas orientam seus funcionários sobre isso, quando deveriam bloquear acesso a sites e a extensões como .exe que podem coloca-las em risco.

Com táticas cada vez mais sofisticadas, combinadas à falta de profissionais na área, as empresas terão novos dilemas pela frente pois dispositivos móveis e sistemas via Internet das Coisas (IoT) aumentam em uma enorme velocidade. Com isso, a proteção que antes era direcionada apenas aos servidores precisa ser estendida para toda a empresa, dificultando o monitoramento e consumindo tempo e atenção para detectar potenciais vulnerabilidades.

É fato que as organizações estão fazendo mais investimentos em ferramentas de segurança para combaterem as ameaças crescentes, mas um software não resolve a questão por si só. As companhias precisam criar planos estratégicos e contratar de consultorias e profissionais especializados para, de fato, protegerem suas estruturas que são dinâmicas como os negócios.

As empresas mais bem-sucedidas do mercado serão as que tratarem o tema cibersegurança como prioridade, pois é inimaginável uma companhia que não seja digital. A proteção e a adoção de ações preventivas são fundamentais, começando com a atualização constantemente dos sistemas de segurança e dos backups. Além disso, é fundamental investir em uma boa consultoria de segurança da informação para não só consertar os problemas, mas evitar ataques e perda de informações.

(*) É Vice-Presidente de Infra Technologies & Solutions da Resource.

Os desafios de M&A no setor brasileiro de Serviços de TI

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Em 2017, foram registradas mais de 970 operações de fusões e aquisições (M&A – Merger and Acquisition) no Brasil. E o setor de tecnologia lidera o número dessas transações, com cerca de 170 delas, de janeiro a novembro deste ano, segundo dados de um relatório mensal da Transactional Track Record (TTR), agência que monitora o setor de M&A.
Esse número, bastante significativo, representa uma mudança no paradigma econômico do nosso país, afinal, o mercado nacional de fusões e aquisições no segmento de TI tem se mostrado cada vez mais maduro, e já é referência em transações entre fornecedoras de ERPs, e até potenciais unicórnios da próxima geração de startups.
Mas, em contrapartida, para as empresas de TI que atuam especificamente com serviços e como integradoras, o número de aquisições e fusões ainda é tímido. Isso porque a grande maioria delas é de pequeno e médio porte, com costumes familiares ou com sócios executando funções operacionais sem estarem preparados para isto, o que dificulta muito no crescimento destas.
Quando essas companhias passam por um processo de fusão e aquisição, o desafio se torna ainda maior. Somente o processo de adequação da contabilidade e Fiscal, por exemplo, representa um grande desafio, pois essa área, em especial, seja por falta de conhecimento ou baixa adoção das melhores práticas estabelecidas pelo mercado, acaba sendo colocada em segundo plano, muitas vezes terceirizada com pequenos escritórios contábeis.
Outra questão crítica para o M&A é que muitas delas não formalizam seus relacionamentos com empregados, clientes e fornecedores, o que acarreta em mais trabalho para ‘arrumar’ a casa antes da venda. A informalidade que predomina na administração dessas empresas acaba criando uma cultura que se choca com modelos de negócios mais maduros, criando grandes distorções nos resultados reais das empresas.
Como agravante está a divisão das tarefas entre os sócios que compõe o board. Devido ao tamanho dessas companhias, os sócios muitas vezes acumulam atividades executivas que não foram preparados, como diretoria de vendas, administrativas e de entregas, e como não podem cobrar resultados um dos outros, acabam criando várias empresas dentro da mesma empresa. Esta forma de administrar acaba gerando resultados baixos, crescimento pífio e o pior, deteriora o relaciomento dos sócios e visão de futuro da empresa.
Por estarem tão perto dessas operações, os sócios acabam desenvolvendo a postura de donos, não executivos, o que atrapalha tomadas de decisões críticas, como demitir um funcionário ou mesmo a própria venda da companhia.
Quando o processo de aquisição é finalizado, o choque cultural é inevitável, pois esses sócios precisam parar de pensar como proprietários para pensarem como executivos e líderes.
E é por esses motivos que, um processo que nos Estados Unidos, por exemplo, leva de três a seis meses em média para ser realizado, aqui levamos quase um ano para concretizar, entre negociações, propostas e contrapropostas, avaliação e adequação dos ativos, até à assinatura dos contratos.
Diante disso, deixo alguns conselhos para quem está considerando passar por processo de M&A voltado a empresas que atuam com serviços e integradoras de TI:
1 Ajuste a sua contabilidade e área fiscal.
2 Formalize seus relacionamentos, com os colaboradores, clientes e fornecedores.
3 Crie e implemente politicas de compras e de vendas.
4 Defina muito bem os papeis dos Socios como executivos, se não existir posições para todos crie o conselho de sócios.
5 Tenha um plano de crescimento real para os próximos 5 anos, se não conseguir pelo menos para os próximos 2 anos.
6 Profissionalize a empresa, reduzindo o numero de familiares.
7 Crie a cultura de resultados, tenha resultados medidos mensalmente pelo EBITDA.
8 Tenha um orçamento e seja rigoroso com ele.
9 Tenha austeridade nas despesas e custos.
10 Crie objetivos de geração de caixa mensal.

Seguindo esses passos, as chances de sucesso numa venda aumentam significativamente, além de evitar muita dor de cabeça futura. Boas vendas!

(Fonte:Alberto Freitas é diretor de M&A da Cast group).

2018: consolidação de tendências e expansão do mercado de TI

Felipe Stutz (*)

No longo prazo, o mercado de tecnologia latino-americano crescerá acima da média global de 4,8%, prevista pelo Gartner

O ano só começou, mas me diga: quantos relatórios e matérias você já viu sobre as principais tecnologias para 2018? Imagino que muitos, não é verdade? Essas projeções nos ajudam a pensar e planejar o ciclo que se inicia, não só em um horizonte de 365 dias, mas também em um futuro de médio a longo prazo - três, cinco anos. O fato, porém, é que muitas dessas tendências apenas dão continuidade a um movimento que já faz parte das nossas vidas e de nossas organizações.
A transformação digital foi - e continuará sendo - o foco de CIOs e empresas: predição da IDC aponta que, até o final de 2018, pelo menos 40% das companhias terão uma equipe dedicada ao digital para acelerar as iniciativas dessa natureza e, até o final de 2019, os gastos mundiais chegarão a U$S 1.7 trilhão com tecnologias relacionadas, um aumento de 42% na comparação com 2017.
Na América Latina, com a crise nos cenários político e econômico, 2017 foi um ano de cautela e avaliação das possibilidades para o futuro. Naturalmente, as decisões de investimento foram postergadas e, no Brasil, a retomada de projetos e iniciativas aconteceu apenas no final do terceiro trimestre, impulsionada pela busca por eficiência e redução de custos.
Após o período mais crítico, o mercado de tecnologia está em expansão na região e, de acordo com o Gartner, terá um crescimento de 6% - maior que os 4,8% previstos na média global - até 2021. Para 2018, a expectativa é que soluções de colaboração e cloud computing se fortaleçam, enquanto novos conceitos de conectividade, que é a base para o desenvolvimento de tecnologias emergentes e inovadoras,comecem a ganhar tração nas economias latino-americanas. Destaco algumas delas abaixo:
Cloud computing: é um bom exemplo de tendência impulsionada pela crise e que se consolidou, praticamente, por conta da necessidade de tornar a TI mais enxuta. Para este ano, a Forrester prevê que mais de 50% das empresas globais irão depender de pelo menos uma plataforma pública de nuvem para nortear seus processos de disrupção e a criação de experiências que encantem o cliente.
Conectividade: organizações que adotaram a estratégia de cloud buscam, agora, resolver o problema de conectividade, para reduzir custos e aumentar performance. O conceito é a base para a adoção de futuras tecnologias. E, na medida em que a demanda por capacidade de rede privada e pública, internet e nuvem aumenta, a expectativa é que projetos de redes definidas por software (software-defined network, ou SDN, e software-defined wide area networking , ou SD-WAN) sejam colocados em prática. Previsões da IDC apontam que, até 2021, as receitas com infraestrutura e serviços de SD-WAN chegarão a U$S 8,05 bilhões.
Colaboração: no processo de transformação e digitalização das empresas, o uso de ferramentas colaborativas, como videochamada e plataformas de time continuará a crescer, como resposta à necessidade das empresas de promover comunicação entre colaboradores e clientes na base 24/7. A pesquisa “Rewriting rules for the digital age” (ou “Reescrevendo regras para a era digital”), da Deloitte, feita com mais de 10 mil respondentes de 140 países, aponta que 94% das organizações consideram agilidade e colaboração fatores críticos para o sucesso dos negócios.
Inteligência artificial e IoT: ainda é preciso pavimentar o caminho para a adoção dessas duas tecnologias. Os conceitos podem alavancar projetos em diversas vertentes, mas o período ainda será de compreensão sobre impactos, benefícios e usabilidade das soluções em diversos segmentos de mercado. Para IoT, a McKinsey estima um potencial impacto econômico de US$ 11,1 trilhões por ano, até 2025; e a IDC prevê US$ 57,6 bilhões de gastos mundiais em sistemas de inteligência cognitiva e artificial, até 2021.
Se, por um lado, a crise atrasa projetos, por outro, a redução de custos e a otimização de processos é crucial para o desenvolvimento estratégico dos negócios. Não veremos mudanças drásticas este ano, mas o mercado segue em expansão e, aos poucos, começa a arriscar e investir com mais afinco em tecnologias já em processo de consolidação em mercados europeus e estadunidenses.

(*) É diretor de soluções para América Latina da Orange Business Services.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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