Uma revolução nos empregos vem por aí. Você está preparado?

De tempos em tempos o mundo passa por grandes transformações. Estes momentos da humanidade trazem profundas alterações das relações sociais, na composição da cultura e na dinâmica da economia. O maior impacto, não obstante, ocorre no universo dos homens: seus inter relacionamentos, as formas de gerar renda ou valor, no seu legado

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João Roncati (*)

Estamos diante de um período de aceleração do uso da tecnologia nas transações e processos mais cotidianos e, nas relações entre as pessoas. Não são poucos os especialistas que preconizam que o quê viveremos em uma década é muito superior ao que vivemos no último século. É uma aceleração sem igual. Estaremos prontos?

Sabemos que uma reorganização significativa em nossas vidas será possível e necessária. Um dos âmbitos mais afetados será o do trabalho formal.

Caminhamos desde o final do século XVIII, organizando a forma com que os homens participam da produção de bens para a economia. Ao longo do século XX, nos ocupamos de focar nas relações de trabalho, nos seus formatos, na proteção às condições de cada trabalhador no ambiente em que ele dedica boa parte de sua vida e nos processos qe alavanquem o desenvolvimento das competências que suportarão a competitividade.

Tudo isto está para ser transformado: a adoção maciça de tecnologia motivará a substituição humana nos trabalhos repetitivos, perigosos e processuais. Permitirá ainda a adoção mais rápida de protocolos, ganhos de eficiência e escala nunca vistos, migrações e comparitlhamentos de dados até hoje inviáveis, adicionada a camadas de análise profunda.

A Quarta Revolução Industrial, ou Indústria 4.0, como vem sendo chamada, na qual a ligação de homens e máquinas será muito amplidada permitirá uma geração de valor nunca vista em formato ou dimensão.

Impossível não prever que o ambiente e o próprio formato do trabalho deverão ser remodelados, repensados e restruturados. E claro, o papel de cada trabalhador.

O mundo das “previsões” divide-se entre os otimistas que preconizam que haverá um grande deslocamento de trabalhadores, saindo das funções mais operacionais para as mais intelectuais. Ou pelo menos, que as pessoas terão muito mais tempo para dedicar-se ao que gostam muito, além de seu trabalho: desenvolvimento artístico, religioso etc. Os mais pessimistas falam de uma perda massiva de empregos pela extinção de postos de trabalho.

Um estudo da Oxford University’s do Departmento de Engenharia: “The Future of Employment: How Susceptible Are Jobs to Computerisation?,” escrito por doutor Michael A. Osborne, do Department of Engineering Science and Dr Carl Benedikt Frey, estima que 47% dos empregos serão automatizados nos próxmos 10 anos.

No World Economic Forum de Davos abriu-se permanentemente um grupo de estudo chamado de “Future for Jobs”. Uma das suas conclusões apontam que 65% das crianças que entram na escola primária hoje acabarão atuando em trabalhos completamente novos. Portanto, num conjunto novo de competências será necessário, provocando a mudança do próprio Homem que deverá adaptar-se e prover a capacidade de trabalho (análise e decisão) que não poderá ser substituída pelas máquinas ou software.

O que vai mudar de fato? Devemos ser otimistas? Ou pessimistas? Ninguém sabe ao certo.

O que sabemos é que um conjunto de competências pessoais será necessario, e urgente.

É preciso estar atento às mudanças e se preparar. Não poderemos prever todas as alteraçes nas funções humanas dentro das organizações e/ou seu impacto exato.

Mas é possível ver que o futuro será diferente e algumas tendências impõem-se. É fundamental antecipar quais competências são necessárias para se destacar e se manter no mercado de trabalho. Em nossas “andanças”, verificamos que algumas competências hoje já são importantes, na Indústria 4.0 serão mais ainda:

Capacidade analítica e uso de bases de dados
A tecnologia já está gerando dados e munindo as lideranças de números que são essenciais para embasar as tomadas de decisão. Faz-se necessário possuir competência para realizar análise e para avaliar todas as informações recebidas, dando suporte ou decidindo qual o caminho que irá mobilizar para os melhores resultados.

Interdisciplinaridade e trabalho em equipe
Perceber que o trabalho precisa ser feito a partir da somatória não-linear de diferentes especialidades, campos de conhecimento e/ou pesquisa. Mesma a “carreira” como a conhecemos, passa a ser não-linear e exigir o conhecimento da geração de valor interdisciplinar.

Pensamento sistêmico
Esta competência é base para decisores e estrategistas. Preconiza a capacidade de escolher variáveis num cenário complexo e, acima de tudo, “enxergar” a dinâmica de influencia ou dependência entre estas vairiávies e os cenários resultantes.

Busca contínua pela Eficiência
A adoção massissa de tecnologia poderá nos levar à uma queda de custos e despesas, mas também redução das barreiras competitivas. Um dos pilares mais importantes da sustentabiliade é a capacidade de ser eficiente e eficaz sempre.

Disposição de trabalho cooperativo e baseado em diversidade (de ideias e origens)
O trabalho cooperativo acelera as curvas de aprendizado, amplia muito a capacidade analítica e criativa e constrói coesão sem uniformidade de pensamento. É a condição mínima para a convivência com diversidade cultural e intelectual, base para a inovação e flexibilidade.

Além destas competências, ter autoconhecimento para entender quais são os seus talentos e também as deficiências ajudará a prever possíveis falhas, mantendo-se alerta e por consequência errando menos. O ajuste de auto-imagem possibilita uma adaptabilidade maior e mais precisa, fortalecimento das alavancas internas e compensação das possíveis fragilidades.

Inovação continuará a ser um “mantra”, mesmo que as vezes represente menos que o seu alarido. Ainda estamos aprendendo a conviver com a estabilidade mínima de processos que provêem a alta produtividade junto com a volatilidade das estruturas, formas de trabalho e organização de muitos relacionamentos no ambiente de trabalho.

O desafio individual não será pequeno, e estará alavancado em nossa disposição de contruir horizontes melhores e mais equilibrados.

A distância entre as perspectivas otimistas e pessimistas sobre o impacto na fonte primária de renda de maior parte da população mundial, o seu trabalho, é equidistante de nossa capacidade de transformar ou construir organizaçoes que pensem mais no longo prazo, em detrimento do sofrimento e desesperador foco predominante de curto prazo.

(*) É diretor da People + Strategy, consultoria de estratégia, planejamento e desenvolvimento humano. Mais informações: http://www.peoplestrategy.com.br/.

Chatbots e AI são os próximos passos para os treinamentos corporativos

Sem dúvidas, 2017 foi o ano dos chatbots. Grande aposta para o futuro, mas já com muitas aplicações na atualidade, essa tecnologia vem mexendo com o mundo do atendimento ao cliente nas empresas, mas promete revolucionar ainda mais o mundo digital como um todo. Segundo o Gartner, em 2020 nós não teremos mais apps: tudo funcionará através de chatbots com inteligência artificial.
Basta pensarmos na Siri ou Cortana para entendermos como essa previsão faz muito sentido. Por que ter o app do cinema instalado no seu aparelho se você pode simplesmente perguntar para seu celular qual a próxima sessão daquele filme imperdível? Aos poucos, as pessoas estão aprendendo a lidar com bots de atendimento, tanto via texto como por voz. Um atendente virtual ligar para a sua residência já não causa tanto estranhamento.
Além do atendimento ao cliente, os bots e a Inteligência Artificial ainda vão transformar diversos aspectos nas nossas vidas. De acordo com o relatório da consultoria americana Tractica, o mercado de Inteligência Artificial deve movimentar US$59,8 bilhões no mundo até 2025. Já a pesquisa da Accenture mostra que a IA pode duplicar as taxas de crescimento econômico atuais até 2035.
Na educação, também estamos experimentando muitas inovações. Hoje é possível aprender dentro da sala de aula ou fora dela. Tecnologias como realidade virtual, realidade aumentada e mobile learning ajudam os educadores a tornar suas aulas mais interativas e completas. O mercado de treinamentos corporativos também aposta nestes novos formatos, auxiliando os trabalhadores a aprenderem cada vez mais e, consequentemente, fazendo as empresas a atingirem seus melhores resultados.
A dificuldade na aceitação de novas tecnologias existe, principalmente por parte dos profissionais com mais idade, que não possuem tanta familiaridade com internet ou smartphones. Mas aos poucos as barreiras estão sendo quebradas e as novas tecnologias para educação corporativa estão chegando a cada vez mais gente.
O uso de chatbots e inteligência artificial em treinamentos corporativos é, sem dúvidas, o próximo passo do nosso mercado. Podemos pensar em treinamentos 100% on-line, que acontecem através de plataformas de ensino ou m-learning, e tem assistentes virtuais para reforçar conteúdos, tirar dúvidas dos alunos, fazer testes e avaliar seu desempenho ao longo do treinamento. É uma forma interessante, inovadora e relativamente barata de manter o interesse dos colaboradores e incentivá-los a aprender ainda mais.
Muitos estudiosos do assunto apostam, no entanto, no ensino híbrido, mesclando momentos presenciais com os digitais. Com as pessoas cada vez mais adeptas dos seus smartphones, esse seria um caminho mais natural para a evolução da educação corporativa. O profissional poderia participar de uma aula presencial com seus colegas para a apresentação de uma nova política do seu setor. Durante o encontro, poderiam ser realizadas demonstrações com a ajuda da realidade aumentada para demonstrar quais novos procedimentos precisam ser adotados e suas consequências. Ao final do encontro, o facilitador disponibilizaria acesso a uma plataforma digital para que cada um dos participantes pudesse rever o conteúdo aprendido e aprofundar itens que não puderam ser apresentados durante o encontro. Na plataforma, um assistente virtual via chat responderia possíveis dúvidas, apontaria quais lições os colaboradores precisariam rever e ajudaria a medir a sua evolução. O assistente seria responsável também por analisar o desempenho e enviar essas informações para a organização. Dessa forma, a empresa tem total controle sobre o seu treinamento, conseguindo acompanhar quais são os colaboradores mais empenhados, onde a maioria trava durante o processo e quais as principais dificuldades.
O chatbot é interessante também porque ele pode ser disponibilizado tanto para uma pessoa quanto para centenas. Os chatbots foram desenvolvidos para conseguir atender as pessoas em diversas situações. É uma tecnologia desenvolvida para ter a capacidade de atender centenas, mas com o poder de adaptação para entender as especificidades de cada caso como único. Isso faz com que o aprendiz sinta que aquele é um momento só dele, no qual ele tem a liberdade de interagir e rever os assuntos do seu interesse quantas vezes quiser.
Phill Libin, fundador do Evernote, disse em entrevista recente que “em breve o mundo será reescrito baseado em bots e interfaces conversacionais”. Para os treinamentos corporativos, não será diferente. Estamos passando por um momento de muitas novidades na tecnologia e, por consequência, no mercado de bots. Vivemos um momento no qual, mais importante do que pensar em respostas, é pensar em perguntas que nos façam evoluir cada vez mais.

(Fonte: Por Luiz Alexandre Castanha, administrador de Empresas com especialização em Gestão de Conhecimento e Storytelling aplicado à Educação, atua em cargos executivos na área de Educação há mais de 10 anos.)

A proteção de dados como uma vantagem competitiva

Marcus Almeida (*)

Muito tem se falado sobre a regulamentação europeia de proteção de dados (General Data Protection Regulation) e o impacto que as novas regras terão nos negócios, inclusive no Brasil

Recentemente, a McAfee realizou pesquisa com centenas de gestores de diversos países e apontou que 48% dos entrevistados brasileiros disseram que suas empresas serão impactadas pela GDPR. Essas empresas brasileiras, e tantas outras no mundo todo, terão que adaptar suas atividades para cumprir os requisitos de proteção de dados se quiserem continuar a manter relações comerciais com os países europeus.
Na visão da segurança, regulamentações como essas são excelentes oportunidades para colocar a casa em ordem, olhar para a segurança de forma mais responsável e aumentar a maturidade. Muitas empresas já perceberam que a proteção de dados adequada pode ser uma grande vantagem no mercado, assim como sabem que falhas na segurança podem arruinar um negócio.
Os próprios consumidores perderam o controle sobre os seus dados, temos dezenas de cadastros em lojas online, aplicativos, sites de serviços, e-mail, mídias sociais, etc. O tempo todo estamos fornecendo dados para as empresas e acreditamos que a loja, o criador do aplicativo, o provedor de e-mail, o banco ou a plataforma de nuvem está cuidando perfeitamente da proteção desses dados. O que nem sempre é verdade.
Hoje, a proteção do dado, onde quer que ele esteja, virou a principal preocupação da segurança da informação, isso porque os cibercriminosos estão de olho nessas valiosas informações coletadas por todos esses serviços. Em posse dessas informações eles podem roubar identidades, cometer golpes e fraudes usando os dados dos consumidores.
As novas regras europeias vão fazer com que as empresas se tornem mais responsáveis pelos dados dos consumidores, definir quais dados podem ser coletados, como podem ser usados, onde devem ser armazenados e as empresas também serão responsabilizadas no caso de vazamento de informações. Sem dúvida essa regulamentação irá mudar o paradigma da proteção de dados e irá chacoalhar o mercado, forçando outros países a seguirem o mesmo rumo.
Pensando em um cenário local, a falta de uma regulamentação de proteção de dados pode afetar a competitividade das empresas brasileiras no mercado num futuro próximo. A mesma pesquisa mostrou que a confiança dos outros países no Brasil é muito baixa por conta da falta de leis que tratem a proteção de dados por aqui.
Apenas 8% dos entrevistados disseram que armazenariam os dados da sua organização no Brasil, considerando a regulamentação de proteção de dados existente. O Estados Unidos foi a escolha de metade dos entrevistados. E mesmo entre os brasileiros, a maioria prefere armazenar seus dados nos Estados Unidos por conta das leis que tratam da segurança por lá. Entre os países nos quais os executivos disseram que evitariam armazenar os dados da sua organização, o Brasil ficou em terceiro lugar, perdendo com pouca diferença para o México e a Índia.
O país tem muito a melhorar neste quesito. Na realidade, já existe um projeto de lei que aborda a proteção de dados (PL 4060/2012) e que poderá ser muito benéfico para o mercado, mas que está parado há alguns anos. Tratar a segurança dos dados de forma mais madura seria um passo gigantesco para os negócios, aumentando a confiança e a competitividade das empresas brasileiras no mercado global.

(*) É gerente de Inside Sales & SMB da McAfee.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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