Black Friday: como o e-commerce pode tornar a data ainda melhor?

Não se sabe ao certo quando e como se começou a usar o termo. Há historiadores que afirmam que a expressão "Black Friday" nasceu no final do século XIX após a quebra de duas instituições financeiras no mesmo dia

black-friday temporario

Gastão Mattos (*)

Os americanos Jay Gould e James Fisk teriam tentado tomar o mercado do ouro na Bolsa de Valores de Nova York, obrigando o governo a intervir. O preço do ouro despencou e investidores perderam fortunas. Mas se o motivo foi realmente esse, hoje em dia o termo não tem nada de negativo. A data é celebrada pelos varejistas norte-americanos e de outras partes do mundo que já aderiram ao dia para promover grandes saldões para quem deseja antecipar as compras de Natal a preços bem convidativos.

No Brasil, um dos países que mais aderiram à data, o 24 de novembro é especialmente aguardado pelo e-commerce. A primeira edição foi realizada em 2010, de forma totalmente online. Depois, outros players do varejo, on e offline, compreenderam a grande oportunidade de atrair os consumidores.

Em seis edições, os números do evento cresceram exponencialmente, alcançando a impressionante marca de 1,9 bilhão de reais em vendas no ano passado e 2,92 milhões de pedidos (blog.pmweb.com.br/infografico-black-friday-2016-sucesso-historico/). O sucesso é tamanho que se cogita duplicar a data em 2018. A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping e a organização da Black Friday avaliam a realização de uma edição em setembro e outra em novembro.

Para ver esses números crescerem ainda mais, os lojistas devem ter em mente que é necessário ir além de uma grande variedade de produtos a preços baixos. O consumidor está mais exigente e consciente e só aceitará promoções reais (lembrando que as ofertas "mascaradas" fizeram com que o evento recebesse pesadas críticas e levasse um tempo para se recuperar). É preciso investir em tecnologia, segurança e logística, além de um atendimento impecável.

Há excelentes soluções de análise que, com o uso do big data, auxiliam o lojista a conhecer melhor o consumidor e o mercado no qual está inserido, de forma que possa realizar ações mais assertivas com estes clientes, de acordo com as suas necessidades e aumentando as chances de conversão.

Pensando no e-commerce, é fundamental investir em certificações/selos de segurança. Os internautas já sabem reconhecer se um site é protegido e se podem, portanto, inserir seus dados pessoais e efetivar a compra.

Oferecer um leque variado de formas de pagamento – boleto, cartão de crédito, débito - também ajuda na conversão da venda, mas ressaltando, novamente: a transação financeira precisa ser de máxima segurança e performance para o cliente não desistir no meio do processo de compra.

Ferramentas de retentativa podem ser a solução para concretizar transações não realizadas por erros sistêmicos, enquanto que, para as demais opções, saber o motivo do abandono do carrinho ou a falta de confirmação por outras razões viabiliza oferecer ao consumidor novas possibilidades de realização daquela compra, aumentando a taxa de conversão e elevando a satisfação do cliente com a loja.

Um site veloz e com boa navegabilidade é o mínimo que o cliente espera. O sistema de busca deve ser ágil, bem como os canais de comunicação, caso o cliente tenha dúvidas ou precise de mais informações. E outro grande "vilão" associado à data não pode ser negligenciado: a logística. É preciso reforça-la no período e garantir a entrega no prazo e com o produto preservado.

Todos os itens acima, se levados em consideração, podem contribuir para uma experiência de compra agradável. Seguindo passos básicos, escolhendo bons parceiros e concentrando-se no seu core business, o lojista do e-commerce pode contribuir enormemente para uma Black Friday muito bem-sucedida e estará preparado para quantas edições mais do evento o consumidor desejar.
Sobre Gastão Mattos

(*) É CEO da Braspag, empresa do grupo Cielo.

A revolução tecnológica não vai parar! E você?

Imagine que você vive em uma ilha com mais alguns habitantes. Cada um demora em média 12 horas para pescar um peixe que deverá manter vivo uma pessoa por apenas um dia. Certa vez, um morador, preocupado em não poder pescar caso ficasse doente, teve uma ideia: se ele comesse apenas metade de um peixe por dia, teria tempo livre para inventar um artefato que lhe permitisse pescar mais peixes de uma só vez. Ao abrir mão do consumo imediato, ele conseguiu desenvolver uma vara de pescar. Com ela, passou a pegar três peixes por dia. Outros pescadores se animaram e ele começou a receber encomendas do artefato. Em pouco tempo, ele deixou de pescar e passou a se dedicar somente à fabricação das varas para outros pescadores, recebendo peixes em troca.

Porém, o acesso de todos os pescadores às varas gerou um problema: o excesso de peixes na ilha. Era preciso fazer algo além de pescar peixes. Assim, inspirados pela invenção da vara e pela sobra dos peixes, alguns pescadores abandonaram a atividade e migraram para outras: passaram a criar cadeiras, construir casas, em uma palavra: inovar. A ilha agora tem alimentos mais diversificados e acessíveis, além de vários outros objetos, o que tornou seus habitantes mais satisfeitos e felizes.
O conto acima é um modo simplificado de entender a importância dos avanços tecnológicos e seus impactos na história. As mudanças, os avanços acontecem hoje o todo o tempo e em todos os lugares e muitas vezes passam desapercebidos. Somente teremos dimensão delas com o passar do tempo, com um olhar para trás.
Foi assim com as revoluções. Quando elas aconteceram, ninguém se deu conta do quão relevante e impactante elas seriam. A Revolução Industrial, por exemplo, teve início na Inglaterra, entre os anos de 1760 a 1860, estendendo-se à Alemanha, França, Rússia e Itália somente a partir de 1860 até 1900. Já entre o século XX e XX!, temos outra revolução, a Tecnológica, com a invenção do computador, fax, engenharia genética e celular, entre outras inovações.
E hoje, estaríamos vivendo uma dessas revoluções que marcarão a humanidade para sempre?
Há poucas semanas, foi realizada em São Paulo mais uma edição da Futurecom, uma das maiores feiras de tecnologia da América Latina. Algumas das novidades: um drone fumigador com capacidade de pulverizar uma área específica, sem afetar outras áreas de cultivo. Ou um drone que é capaz de detectar possíveis alterações no solo. Para o trabalhador da indústria, veja que interessante: uma espécie de adesivo que, acoplado ao capacete, identifica se todas as medidas de segurança foram tomadas. Os chamados "TAG RFID" desenvolvidos pela T-Systems, filial da Deutsche Telekom, estão conectados a um sistema que comunica ao trabalhador as ferramentas que ele precisa para executar uma tarefa. A plataforma obrigará o operário, por exemplo, a colocar óculos de proteção e fones de ouvido e, depois de verificar se ele está qualificado para fazer esse trabalho, liberará a operação, conforme mostra reportagem do UOL.
Na área da saúde, a Logicallis desenvolveu um dispositivo que, acoplado às ferramentas cirúrgicas, não permitirá que uma gaze ou pinça seja esquecida dentro do paciente (ou seja, uma falha humana gravíssima, que pode levar alguém à morte, sendo evitada pela tecnologia).
Como afirma o fundador da Oracle, Larry Ellison, um dos maiores ícones do mercado de tecnologia, a inteligência artificial vai revolucionar o mundo. Ou seja, estamos a ponto de viver mais uma revolução (ou já estaríamos vivendo?). Em sua palestra de abertura do Oracle OpenWorld 2017 – evento realizado anualmente em São Francisco, EUA, ele disse: "O machine learning e a inteligência artificial serão tão revolucionários como a internet foi um dia". E ainda "Machine learning fará com que as pessoas deixem de fazer trabalhos operacionais e tenham mais tempo para inovar". Também começamos a viver a era das moedas virtuais que trouxe a revolução das estruturas globais descentralizadas graças ao blockchain.
Quantas outras revoluções ainda virão? Impossível prever, bem como também é impossível permanecer estagnado mediante as transformações. O que é preciso fazer é viver cada uma delas e, se possível, antecipar-se ao que virá para tirar o melhor proveito de tudo. Você já inventou alguma coisa hoje?

(Fonte: Mateus Azevedo é sócio da BlueLab e responsável pela Diretoria de MKT e Vendas).

O que empresas tradicionais podem aprender com as startups

Eduardo L'Hotellier (*)

Contar sobre os desafios que tive nesses seis anos à frente do GetNinjas tem sido uma tarefa cada vez mais frequente e estimulante

Ao compartilhar minha experiência, também aprendo muito. Venho colecionando as dúvidas e sugestões das centenas de pessoas, de empresas tradicionais ou iniciantes, que encontro em eventos, palestras e painéis. De forma geral, acabam sendo muito parecidas, o que me inspirou a compartilhá-las para que mais pessoas e negócios sejam impactados.
Sempre começo minhas palestras contando os motivos que me levaram a trocar um emprego formal, no mercado financeiro, pela aventura de empreender. Sim, falo que é uma aventura, porque os desafios são muitos, o que exige do empreendedor um perfil profissional mais disposto a assumir riscos para propor novas ideias ao mercado.
Cada vez mais empresas tradicionais nos sondam em busca de inspiração. Esse perfil mais ousado, que tenta algo diferente do que já é feito, que testa, é algo que elas ainda não sabem como adotar, mas precisam aprender para inovar em seus segmentos de atuação.

Seleção de talentos
Para manter um negócio inovador, é preciso antes de tudo contar com um time engajado e colaboradores com uma identificação forte com a cultura e clima da empresa. E, acima de tudo, ter pessoas apaixonadas por criar negócios inovadores e com potencial de escalar e dominar o mercado.

Remuneração
É muito importante que todos colaboradores tenham uma participação ativa na empresa, o que é possível oferecendo ao funcionário a possibilidade se tornar acionista da empresa, numa combinação de salário e equity. Isso ajuda a gerar o sentimento de dono e motivar as pessoas a darem o melhor para ver a empresa crescer e serem recompensadas pelos esforços no futuro.

Propósito de negócio
Não é só com equity que se motiva uma equipe. Mostrar para o time o impacto gerado pelo nosso negócio, é o melhor estímulo para que as pessoas se dediquem a dar o melhor de si. Isso pode ser incentivado por meio de projetos de comunicação, usando vídeos, texto ou quadros espalhados pelas paredes do escritório, por exemplo, para contar histórias de sucesso dos usuários do seu produto ou serviço.

Organização dos times
Para continuar crescendo rapidamente e ajudar muito mais profissionais a terem clientes fieis, startups do mundo inteiro, incluindo as que já cresceram muito – como Uber, Netflix e Airbnb, uma estrutura de organização de times chamada Squad. Criada pelo Spotify, esse método propõe a divisão dos times em pequenos grupos com missões bem definidas sobre o produto. No GetNinjas, por exemplo, temos squads de aquisição, experiência do usuário, receita e marketing. Em cada um desses times, há pessoas de tech, produto, design, BI e conteúdo, o que os torna bem completos e independentes.
Outra metodologia bastante adotada por startups, e que ajudou o Google a se estruturar e crescer, é o OKRs (Objectives and Key Results). Criada pelo ex-CEO da Intel, o OKR é uma forma de se definir, medir e reavaliar resultados num curto prazo, 3 meses. Isso garante aos times manter um direcionamento e independência maior na execução dos projetos já pré-definidos e estipulados, o que permite tomar decisões mais rápidas para um crescimento contínuo do negócio.

Clima Organizacional
Outro ponto importante sobre um negócio de sucesso é o bem-estar da equipe. Para isso, o time de Recursos Humanos precisa ser bastante ativo e criativo. Sempre cito nas minhas palestras, as iniciativas lideradas pelo nosso RH, que visam melhorar a comunicação entre os times. Como exemplo, temos o Papo Reto, um encontro mensal com uma conversa informal que ajuda no desenvolvimento e satisfação de toda a empresa.
Outras ações do RH, que também contam com participação e engajamento de todo time são os Embaixadores da Cultura e o Gente Ninja. Os embaixadores são formados por um grupo de cerca de 10 funcionários que se reúnem periodicamente para construir uma cultura empresarial viva e ativa, que ajude a disseminar os propósitos da empresa para todos funcionários. O Gente Ninja é outro grupo que discute sobre tudo que engloba diversidade dentro e fora da empresa.
Com essas ideias de ações, empreendedores novos e também os mais tradicionais podem pensar em como trazer ideias simples e ativas para dentro das organizações a fim de estimular o poder criativo dos times e motivar a produção.
Iniciativas como essa são importantes para levarmos para empresários de todo país propostas inovadoras e de alto impacto social e econômico. Assim, mostrando como startups lideradas pela nova geração estão revolucionando a forma de se gerenciar e como indústrias de segmentos mais tradicionais podem impulsionar seus negócios com iniciativas simples, mas de grande impacto.

(*) É fundador e CEO do GetNinjas, o maior aplicativo para contratação de serviços do Brasil. Formado em Engenharia da Computação pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e pós-graduado em finanças na COPPEAD, iniciou a trajetória como empreendedor aos 26 anos.