Tecnologia na entrega é a chave para evolução do e-commerce brasileiro

O e-commerce brasileiro, apesar de ter uma boa expectativa de crescimento (até 15% neste ano¹), permanece bem atrás dos outros grandes mercados mundiais: as vendas online brasileiras representam só 1% do varejo total, bem longe dos 8% até 10% nos EUA, na Asia e na Europa2

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Daniel Topper (*)

Comparando esses mercados, a maior diferença é óbvia para qualquer consumidor: enquanto entregas no mesmo dia (same-day) e no dia seguinte (next-day) já se tornaram padrão na maioria dos mercados, democratizadas por empresas como a Amazon ou Alibaba que investiram muito nessa frente, o serviço ainda permanece marginal no Brasil, onde é comum para o consumidor esperar entre 5 e 10 dias para receber seu pedido!

Porém, com a ascensão recente de novas tecnologias e ofertas de logística no Brasil, as coisas mudaram e vários players já entenderam isso, iniciando uma evolução profunda e irreversível no mercado e-commerce no país. Hoje, qualquer loja virtual – mesmo que pequena – pode oferecer serviços de entrega expressa, se beneficiando dos investimentos tecnológicos de startups modernas. O objetivo é transformar o papel da entrega no ato da compra, tradicionalmente considerada lenta, para um componente essencial do encantamento do cliente final.

Essas tecnologias revolucionam em particular três frentes críticas do processo de entrega:

1- Roteirização: algoritmos juntos com machine-learning ajudam a definir as rotas mais inteligentes, consolidando pedidos de diversas lojas nos centros de distribuição, para garantir agilidade, precisão na entrega, e comprimir os custos.

2- Rastreamento: o consumidor não aceita mais ter um status cada seis horas, ele quer saber onde está seu pedido em tempo real. Hoje, com as tecnologias modernas de rastreamento, é possível para o cliente de acompanhar a encomenda metro por metro, criando uma experiência única.

3- Entrega de sucesso: estar conectado aos mensageiros em tempo real permite que as transportadoras auxiliem na finalização do pedido. Qualquer imprevisto, como o cliente não ser localizado na hora da entrega, pode ser interceptado pelo transportador, que entra em contato para auxiliar as duas pontas do serviço – mensageiro e cliente, oferecendo uma experiência excelente ao consumidor.

Atualmente, entregas same-day e next-day representam menos de 10% em todo o Brasil, com vendas concentradas nas capitais – principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em breve, em parceria com empresas de logística modernas, devemos ver a transformação completa dessa realidade no Brasil. Com os volumes de entregas expressa aumentando, e investimentos em tecnologia crescendo nas transportadoras, a diferença de custo entre entregas expressas e entregas comuns será cada vez menor, até se tornar quase inexistente.

Nesse contexto, é inevitável que o setor de e-commerce brasileiro cresça e o potencial desse mercado é gigantesco. Os e-commerce que não entendem isso ainda correm o risco de rapidamente ficar muito atrás do novo padrão de same-day!

¹ ABComm – Associação Brasileira de Comércio Eletrônico
2 Global B2C E-commerce Report 2016, E-Commerce Foundation & GFK

(*) É diretor de Loggi Pro e trabalhou oito anos nos principais e-commerce da França e no Brasil.

Três dicas sobre a importância do otimismo no empreendedorismo

Começar a sua própria empresa é empolgante, intenso, difícil e, algumas vezes, assustador. Nos primeiros meses ou anos, quando você não tem certeza se será bem- sucedido, pode ser fácil ficar um pouco pessimista. 

É natural que sempre haverá desafios para ser um empreendedor. Mas se você não tiver foco, poderá perder um dos ativos mais importantes que você tem no seu negócio: o otimismo.

1. O entusiasmo por trás do seu otimismo é o que as pessoas mais gostam
De fato, o otimismo é a chave para o sucesso, tanto quanto ter uma boa ideia. Quando você está criando uma empresa, levantando capital, contratando funcionários e vendendo para os consumidores, todos apostam em você e na sua empresa. O entusiasmo proveniente do seu otimismo é o que as pessoas mais gostam. Se ele não existir, se você não demonstrar que acredita na ideia e no potencial, elas não serão atraídas.
Já passei por isso. Ao mesmo tempo em que hoje eu trabalho em uma das maiores empresas de TI, eu passei a maior parte da minha carreira como o que o pessoal do Vale do Silício chama de “empreendedor em série”. Em cada uma das minhas empresas, desde o começo, eu enxergava tudo como um “copo meio cheio” e fazia o meu melhor para enxergar os desafios como oportunidades.
Mas entenda que eu me considero um otimista “pragmático”. Você não pode se deixar cegar tanto pela sua visão a ponto de não reconhecer os problemas em potencial e resolvê-los. Você não quer criar um burburinho, nem quer ser vítima de si mesmo. Mas você precisa ter um otimismo contagioso que faça com que as pessoas não só acreditem na ideia, mas também perseverem quando surgirem os desafios.
Se isto soa como se você devesse transformar o otimismo em uma parte da cultura da sua organização, você está certo. Já que o otimismo começa com o líder, você terá mais sucesso criando uma organização horizontal, transmitindo otimismo para todos.

2. Pode ser mais desafiador manter a cultura do otimismo à medida que você cresce
Quando estava trabalhando na minha própria empresa, usei diversos canais de comunicação para que eu pudesse manter todos conectados e empolgados. Todos possuíam uma conta no Yammer e nós mantínhamos contato o tempo todo. Fazíamos reuniões com todos presentes a cada três semanas. Eu levei um sino para dentro do escritório para que os vendedores tocassem cada vez que fechassem um novo negócio – era apenas uma maneira de compartilhar o entusiasmo e manter o otimismo vivo.
Pode ser mais desafiador manter a cultura do otimismo à medida que você cresce. Quando você chega a um determinado tamanho e possui escala, precisa criar processos, tendo filiais e funcionários remotos. Isso torna muito mais difícil manter a sua cultura intacta do que quando todos estão na mesma sala ou sob o mesmo teto. Mas isso não significa ter que perder a sua cultura, precisa apenas reforçá-la de diferentes maneiras. Você sempre deve dar a todos dois ou três KPIs (indicadores de desempenho) relacionados à cultura, que eles precisam acreditar e correr atrás.

3. Não se empolgue muito nos bons momentos, nem fique deprimido nos maus momentos
A tecnologia pode ser de grande valia neste caso. Ela não só pode fazer você manter os pés no chão, mas também pode ajudá-lo a avaliar as oportunidades que se apresentam com base nos dados. Ter informações ao alcance das mãos é ótimo e atualmente com a nuvem, uma empresa de qualquer porte pode arcar com as soluções digitais necessárias para transformar o otimismo em um resultado comercial sólido.
Recebi alguns conselhos há muito tempo que eu ainda sigo: não se empolgue muito nos bons momentos, nem fique deprimido nos maus momentos. Os problemas que você está enfrentando hoje não são tão grandes para a vida. A vida, como os negócios, é uma maratona. Esteja perto de pessoas que sejam mentoras, que apoiem e acreditem em você. E mantenha o otimismo!

(Fonte: Reggie Bradford, vice-presidente sênior
de Ecossistema de Startup & Aceleradoras)

Tecnologia e seus paradigmas: o Java está ameaçado?

Boris Kuszka

O software está engolindo o mundo! Essa frase, dita por Marc Andreesen, co-fundador da Netscape, em artigo de 2011 do Wall Street Journal, resume o fenômeno que estamos vendo nos últimos anos

Todas as empresas, para se manterem relevantes no mercado e evitarem que sejam ultrapassadas por novos entrantes - normalmente startups de tecnologia que vêm com ideias inovadoras, quebrando paradigmas e trazendo novos modelos de negócio -, precisam investir em software, criar aplicativos para alcançar o usuário final e desenvolver novos canais de comunicação. Todos conhecem a história do Uber mudando a indústria de transporte de táxis, do Netflix acabando com as locadoras e do Airbnb impactando a indústria de hotelaria e aluguéis de imóveis, dentre outros inúmeros exemplos.
Essa necessidade de inovação criou uma demanda de criação de software nunca antes vista: o que antigamente evoluía lentamente, em pequenos passos mensais ou anuais, agora exige inovação contínua semanal e a passos largos. Os updates que vemos nos aplicativos de celular, em geral, impõem o ritmo de atualização esperado em qualquer software que usamos, sejam eles internet banking, mobile banking, compras pela internet, redes sociais, entre outros.
A grande velocidade exigida pelo mercado coloca uma enorme pressão nas equipes de tecnologia da informação por parte das áreas de negócios, que já entenderam que a lentidão se resume em morte do negócio. Essas equipes de TI estão passando por um desafio: por um lado, a equipe de operações precisa manter tudo funcionando - e o mais estável possível - enquanto as equipes de desenvolvimento querem utilizar as tecnologias mais novas disponíveis para conseguir atender às demandas no menor tempo possível. A realidade deu espaço para o surgimento de novas metodologias de desenvolvimento ágil: abordagens diferenciadas como DevOps estão em voga e novas tecnologias e linguagens de programação mostram-se imprescindíveis para a sobrevivência de qualquer empresa.
Nesse novo cenário dos negócios digitais, os applications servers de antiga geração baseados em Java EE estão perdendo espaço. Um estudo do Gartner de novembro de 2016 já apontava queda de até 9,5% no modelo de tecnologia e sinalizava que em 2019 - ou seja, daqui a dois anos - menos de 35% das novas aplicações serão criadas na plataforma de desenvolvimento Java.
O estudo da consultoria trouxe uma repercussão no mercado e levou defensores da tecnologia a se pronunciarem. Porém, uma ressalva precisa ser feita. Muitos acreditaram que o Java EE como conhecemos deixaria de existir em pouco tempo, o que não é verdade.
Dentre as tendências de mercado levadas em consideração no estudo, o Gartner revela a necessidade de modernização constante das plataformas de aplicação. E nesse quesito, os softwares open source levam vantagem. Segundo o estudo de 2016, enquanto os principais application servers de tecnologia proprietária baseados em Java EE caíam 9,5% e 4,5% em 2015, os application servers de código aberto cresciam entre 23% e 50% em presença de mercado no mesmo período.
As plataformas modernas precisam fornecer uma infraestrutura ágil que permita colocar uma ideia em prática na maior velocidade possível e com o mínimo de interrupção do serviço e, para isso, a abordagem que está mais em voga é o DevOps, prática onde se fomenta a participação conjunta dos times de desenvolvimento e de operações e permitir a automação e padronização do ambiente de desenvolvimento sem perder a flexibilidade de incorporar novas linguagens e novas tecnologias.
Para atender às demandas dos usuários modernos, acostumados com a frequência de atualizações dos aplicativos móveis, e continuar relevante no mercado, novas linguagens e frameworks de desenvolvimento tem de ser experimentadas, pois resolvem problemas de tecnologia específicos e permitem aumentar a velocidade de inovação. Essas novas linguagens e frameworks estão dividindo o espaço com o Java EE, e não substituindo-o. Cada linguagem tem a sua função, suas vantagens e seu uso específico. As plataformas modernas têm de permitir a convivência de todas essas novas tecnologias e estarem preparadas para abraçar tecnologias que ainda não foram criadas.
Além de novas tecnologias de desenvolvimento, novas estratégias de implantação também estão surgindo como Blue-green Deployments, A/B Testing e Canary Releases, pois é necessário implantar novos serviços sem interrupção.
Todas essas novas abordagens estão vindo de tecnologias open source, que estão impulsionando a inovação - o grande aumento da presença de soluções de código aberto se deve exatamente a isso. Podemos citar como exemplo: JBoss EAP, docker, Kubernetes, OpenShift, Wildfly Swarm, Vert.x, entre outros.
Mas quais seriam os benefícios do open source frente às demais soluções para justificar esse crescimento? A principal delas é o compromisso com a inovação – principal requisito do novo mercado de tecnologia. Os softwares open source são ótimas ferramentas para o gerenciamento de cloud, inclusive para as tão importantes aplicações cloud-native, além de serem aliados poderosos da inteligência artificial e da computação cognitiva, permitindo gerenciamentos de processos e criação de ambientes ágeis, eficientes, escaláveis e modernos sem lock-in, pois a liberdade de escolha de fornecedor é fundamental para se continuar utilizando a tecnologia que melhor atenda às empresas, não a tecnologia que amarra por motivos técnicos ou comerciais. Somente o open source te dá essa liberdade.
Além disso, outra grande impulsionadora dos softwares open source é a cultura colaborativa. Muito mais do que uma facilitadora das tarefas diárias, a tecnologia open source valoriza cada indivíduo que faz parte da comunidade, evidenciando a importância do todo e de cada um para gerar iniciativas. As comunidades open source não se restringem a desenvolvimento de software - onde se destacou e se desenvolveu - mas também em projetos de engenharia: um exemplo é a fundação e-NABLE, pioneira em projetar, fabricar e distribuir gratuitamente próteses 3D open source para pessoas carentes que precisam desse recurso e não têm como adquiri-lo. Nesse projeto, além da comunidade envolvida e de todos os criadores das próteses, os desenvolvedores, analistas, gerentes e diretores que geram, analisam e qualificam os softwares open source têm consciência do quanto são fundamentais ao processo.
Portanto, não é preciso ter receio quanto aos novos rumos do mercado de tecnologia. É necessário aprender com eles e gerar valor. É isso o que os softwares open source têm feito ao longo dos anos e o compromisso que vão continuar tendo, utilizando qualquer tecnologia aberta, que venha a se destacar na resolução de problemas tecnológicos, dividindo espaço com o já consolidado Java.

(*) É Solution Architect Diretor na Red Hat, líder mundial no fornecimento de soluções de software open source.