Seis tendências de mobilidade que devem impactar as soluções para gestão

No Brasil, hoje o uso de celular já supera o de computador para acesso à internet. De acordo com dados divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os smartphones são usados em 80,4% dos 36,7 milhões de domicílios brasileiros que têm acesso à web, enquanto 76,6% desses internautas usam PCs

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Gustavo Jota (*)

Esses dados reforçam uma tendência de mobilidade que tem impactado a forma como as pessoas se comunicam, relacionam, trabalham e interagem com os sistemas corporativos. Como reflexo, o mercado de soluções para gestão tem sido desafiado a adaptar-se a novas necessidades dos usuários.

Neste ano, tive a oportunidade de acompanhar diversos eventos que levantaram importantes discussões relacionadas à mobilidade, como o Mobile World Congress, que aconteceu em março, na Espanha. E, de tudo que vi nos últimos meses, é possível sinalizar algumas tendências que vão direcionar os próximos passos da gestão empresarial – não só em um cenário global, mas também no Brasil, onde a Senior tem liderado algumas dessas tendências:

1. O app como estratégia de negócio
Aplicativos facilitam a transformação digital de uma empresa, podem funcionar como uma importante porta de entrada nos negócios, e auxiliam na produtividade dos colaboradores.

Na Senior, implementamos uma política que permite que os clientes possam experimentar por 30 dias nossas soluções pelo app. Isso permite que eles avaliem no dia-a-dia todos os benefícios de ter uma ferramenta móvel ao seu alcance, seja para quem trabalha na gestão de equipes, para fazer marcação de ponto ou ainda para quem vai a campo e nem sempre tem acesso a um computador para acessar informações no sistema. Ao perceber na prática a relevância de aderir à mobilidade, vemos uma enorme aceitação do formato dentro do nosso catálogo de clientes.

2. Mobile Backend as a Service (MBaaS)
Até mais do que uma tendência, o MBaaS é um dos pilares para a revolução móvel que vemos hoje. Esse serviço de computação em nuvem atua como uma ponte que conecta o backend (infraestrutura) e o frontend (tecnologias utilizadas pelo usuário na ponta), dispensando a necessidade de desenvolvimento de middlewares para integrar o frontend das aplicações móveis a múltiplos sistemas de gestão.

Isso permite que os desenvolvedores possam focar toda a sua atenção na experiência do usuário viabilizando maior produtividade com as aplicações. Ao automatizar atividades de integração e regras de negócio, o processo de criação de apps oferece uma série de vantagens, como economia de tempo gasto para desenvolver um software. O menor tempo também permite que o produto seja lançado rapidamente e, portanto, gere receitas mais rápidas. Além disso, o MBaaS possibilita a integração de IoT (internet das coisas), escalabilidade, padronização na integração com sistemas diversos, e em muitos casos garante até mais segurança.

O setor está em plena ascensão e, segundo a empresa de pesquisas Markets and Markets, é um mercado deve valer mais de 28 bilhões de dólares até 2020.

3. Assistentes virtuais
Assistentes virtuais são um recurso cada vez mais presente em diversos setores empresariais no mundo. Conhecidos como BOTs, esses agentes são capazes de realizar tarefas e interagir quase como um humano. A partir do reconhecimento da fala, essa tecnologia compreende as necessidades do usuário para auxiliar no uso dos aplicativos (tanto móveis como desktop, ou mesmo serviços de voz como teleatendimento) para facilitar e acelerar a tomada de decisões e mesmo responder diretamente a perguntas.

Para além do uso no cotidiano, a exemplo da Siri, que está presente nos aparelhos com iOS, esses assistentes virtuais estão ganhando também o mundo corporativo. Estima-se que esse mercado poderá movimentar US$ 153 bilhões até 2020, de acordo com um levantamento do Bank Of America Merrill Lynch. E a popularização de agentes virtuais está acontecendo nas mais diversas aplicações e principalmente em aplicativos para dispositivos móveis.

Na Senior, nós temos a Sara (em inglês, Senior Automated and Responsive Agent), que já foi implementada nos aplicativos de diversas soluções, como CRM, HCM e ERP. Ela pode, por exemplo, responder perguntas relativas a férias, fornecer informações sobre clientes e até realizar agendamento de visitas.

E a Sara é só um exemplo de como os chatbots estão ganhando um espaço significante no mercado e têm trazido inúmeras novas possibilidades de interação e otimização da experiência de uso para os usuários.

4. SMS
O SMS pode não ser uma tecnologia recente, mas ainda é uma das formas de envio de mensagens mais seguras e confiáveis do mundo, segundo pesquisas do GSMA. E as empresas estão aproveitando esse potencial para turbinar suas vendas.

Vemos o uso do SMS marketing principalmente no varejo, onde as empresas têm a possibilidade de escolher segmentações adequadas e muito precisas para suas campanhas. Mensagens assim, além de comunicar produtos novos e promoções, podem ser uma alternativa para enviar lembretes para os clientes, como avisos de pagamento.

Os benefícios do SMS são muitos para as empresas: além de ser uma tecnologia de baixo custo, ela é acessível para os mais diferentes tipos de aparelhos móveis, independente de modelo ou sistema operacional e não demanda uso de dados no equipamento. A mensagem também é curta, e normalmente lida em segundos pelos consumidores, o que gera uma garantia de aderência da mensagem que não deve ficar velha tão cedo – mesmo com o surgimento de aplicativos mais modernos.

A grande novidade é o ressurgimento do SMS como plataforma de e-commerce, já em operação nos EUA.

5. Internet das Coisas (IoT)
A Internet das Coisas e a 4ª revolução industrial. A implementação da chamada IoT nas indústrias é cada vez mais comum com o uso de dispositivos inteligentes capazes de se comunicarem entre eles e com as pessoas para o desenvolvimento do setor, otimizando o processo produtivo, que passa a depender menos de pessoas e manutenção.

Com tantas possibilidades nesse mercado, diversas gigantes tecnológicas e startups têm iniciado projetos baseados nessa tecnologia. Segundo o Gartner, 26 bilhões de dispositivos estarão implantados na Internet das Coisas até 2020, um aumento de trinta vezes desde 2009.

Na Senior, nós recorremos justamente à IoT para colocar em prática um projeto inovador e premiado em parceria com a Urbano Agroindustrial, que envolveu a automatização dos processos de monitoramento de silos. Realizado também em parceria com a IBM, por meio do uso da plataforma de computação cognitiva Watson, o projeto trouxe benefícios como o aumento da confiabilidade e a prontidão das informações sobre o volume de grãos armazenados - o que agilizou e trouxe melhorias para toda a cadeia de produção da Urbano.

Projetos como esse mostram que tecnologias inovadoras, como a Internet das Coisas, são capazes de criar soluções palpáveis que ajudam empresas, dos mais diversos portes e perfis, a solucionar desafios de negócios e serem ainda mais eficientes. É a tecnologia a favor da evolução.

6. 5G
O avanço da conectividade de alta performance representará importante pilar para a mobilidade, Internet 4.0, cidades inteligentes, drones e até veículos autônomos, principalmente graças à quinta geração de conectividade móvel, popularmente conhecida como 5G.

Para termos uma ideia dos benefícios do 5G, a rede trará velocidade de 10 Gbps e latência abaixo de 1 milissegundo. Para efeito de comparação o 4G traz velocidade de 10Mpbs e latência atinge mais de 100 milissegundos, ou seja, a nova rede promete ser muito mais veloz na transmissão de dados viabilizando serviços em tempo real

Com essa conexão móvel, a popularização da Internet das Coisas deve ter um avanço significativo. Um exemplo de como essa nova frequência pode ajudar é o mercado de carros autônomos, que ainda parece um sonho distante. Com o 5G, o veículo autônomo dá mais um passo rumo a sua viabilidade em escala, visto que aquela arquitetura depende de ´machine learning´e ´deep learning´ - alimentados por sensores nos veículos, que necessitam ser enviados em tempo real para uma ´edge computing´ que realiza um pré-processamento, que por sua vez envia ao ´cloud computing´ que realiza o aprendizado de máquina cognitivo, que finalmente devolve ao ´edge´ que retorna a inteligência aos veículos – processamento que hoje carece de largura de banda.

O futuro é magnífico. As tecnologias atuais consolidaram a computação móvel tanto corporativa como pessoal, e agora acelera para sistemas autônomos e inteligência artificial nos auxiliando em todas as atividades do cotidiano.

(*) É gerente de produto de Performance Corporativa da Senior.

As 7 principais questões que as pmes devem levar em conta antes de entrar na nuvem

Paulo Prado (*)

Todos sabemos que a nuvem alterou de maneira significativa o conceito de TI

Nunca foi tão fácil criar, implementar e manter uma infraestrutura, e por isso empresas de todos os portes estão considerando adotar a nuvem. No caso das PMEs, a nuvem ajuda a reduzir custos de capital, o que possibilita investimentos em outras áreas. Embora a computação em nuvem comprovadamente ajude a economizar dinheiro, tempo e recursos que podem ser utilizados no desenvolvimento dos negócios, é preciso levar em conta alguns aspectos antes de hospedar a infraestrutura de TI da sua empresa na nuvem.

1. Crie um plano de migração
Planejamento é essencial para a migração para a nuvem. O primeiro passo é falar com os líderes de cada departamento para determinar as necessidades que não podem ser interrompidas. Faça uma lista dos recursos e ferramentas indispensáveis para cada departamento durante e após a migração. Os requisitos de armazenamento de dados, propriedades de nuvem, segurança e energia são apenas algumas das áreas básicas que o Diretor de Informática e sua equipe deverão levar em conta durante o planejamento estratégico.

2. Não se esqueça da segurança
Identifique e estabeleça quais aspectos são de responsabilidade do fornecedor e do usuário. As empresas devem avaliar a situação como um todo e estar cientes dos seus próprios requisitos de conformidade. Portanto, é importante analisar de que forma a computação em nuvem poderá preencher esses requisitos. Se a sua empresa decidir deixar os arquivos aos cuidados de outra empresa, é recomendável verificar se a empresa em questão tem registros de tudo que eles salvaram (desde arquivos até aplicativos) no momento da migração, de forma a proporcionar um serviço de nuvem seguro. Tenha em mente que o fato de você transferir os seus dados para terceiros não significa que você não seja mais responsável por eles. Você precisa dispor de ferramentas e processos que garantam uma governança de dados adequada entre o seu ambiente in-loco e a nuvem. Isso inclui backup, alta disponibilidade, segurança e governança. Você continuará sendo responsável por todos os dados manipulados pelos seus aplicativos de negócios no seu ambiente.

3. Conheça bem os seus dados
Antes de migrar para a nuvem, é importante conhecer bem os seus dados. Segundo a Gartner, 69% de todos os dados corporativos não possuem nenhum valor de negócios, regulatório ou legal. Outro estudo importante, o Veritas Databerg, afirma que 54% de todos os dados corporativos são desconhecidos – os chamados “dados obscuros”. Embora a nuvem seja "barata", é preciso evitar a tendência natural que muitas empresas têm de acumular dados. Por isso, a migração para a nuvem pode ser uma boa oportunidade para conhecer melhor os seus dados, de forma que apenas os conteúdos relevantes sejam armazenados nela.

4. Prepare-se para as falhas
O fato de que todos os arquivos e aplicativos migraram para a nuvem não significa que a tecnologia não possa falhar ou que não ocorram erros humanos. Certifique-se de que o seu provedor tem um plano para possíveis falhas que preencha todas as necessidades da sua empresa e que possa ser executado tanto pela sua equipe quanto pelo provedor. Ao transferir dados e/ou workloads para a nuvem, é preciso que esse ambiente novo e complexo seja confiável e esteja disponível. Você precisará controlar tanto as parcelas de aplicativos-multicamada armazenadas in-loco quanto as que foram transferidas para a nuvem – e para isso você precisa utilizar novas ferramentas capazes de controlar os seus aplicativos e de oferecer uma visibilidade holística nesse ambiente mais complexo.

5. Escolha o melhor tipo de nuvem para o seu negócio
O tipo de nuvem mais indicado é a Híbrida - uma combinação de nuvem pública e privada-, com hospedagem dedicada com um mecanismo de segurança que combina e troca de uma nuvem para a outra. Esta é a melhor maneira de armazenar o workload correto na infraestrutura de hospedagem correta. A nuvem Híbrida oferece a flexibilidade de utilizar o tipo de nuvem que melhor se adéqua à arquitetura e aos aplicativos. A nuvem pública é mais adequada para aplicativos que não são focados num nicho específico, com controle de gerenciamento e segurança. A hospedagem dedicada é melhor para aplicativos com requisitos de alto-desempenho em termos de input / output e latência e com requisitos rígidos de controle de gerenciamento com crescimento estável. A escolha do melhor tipo de nuvem para a sua empresa é essencial para o sucesso dos negócios.

6. Fique atento ao aplicativo migrado
Você deve ser exigente ao decidir quais aplicativos ou funções deverão ser migrados para a nuvem e quais os níveis de segurança exigidos para cada um deles. Certifique-se de que o provedor com quem você está trabalhando possui experiência em integração. Isto pode ser um elemento essencial para garantir que os seus serviços de nuvem funcionem de maneira eficiente e segura. Nunca utilize uma solução em nuvem sem firewalls e nunca administre serviços na Internet Pública. Não utilize uma solução que exija esses requisitos e certifique-se de possuir conexão VPN com o seu provedor de nuvem, pois isso aumentará a segurança da sua rede. Desta forma, você terá mais certeza de que o serviço de nuvem está operando como uma extensão da sua rede.

7. É preciso utilizar a automação
A nuvem pode ser considerada uma segunda camada de armazenamento mais barata e mais flexível. Uma fonte de armazenamento para onde você pode enviar dados que não são acessados com frequência, que precisam ser armazenados por longos períodos, que são utilizados para recuperação de desastres, etc... No entanto, esta movimentação de dados para a nuvem deve ser feita de forma automatizada e transparente para os aplicativos. Utilize ferramentas que podem, por exemplo, mover arquivos baseados em políticas automatizadas que levem em conta o período de tempo durante o qual esses arquivos não estão sendo acessados e a sua idade. Arquivos velhos, mas que ainda são importantes, são bons candidatos para a nuvem.

(*) É Líder de Capacitação de Vendas da Veritas - LAMC