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Candidatos têm poucos dias para campanha, de olho no segundo turno

Mal terminou a apuração dos votos do primeiro turno das eleições, o tempo começa a correr para os candidatos que disputarão o segundo turno no dia 28. São apenas 18 dias de campanha.

Candidatos temproario

Eleitores vão às urnas no primeiro turno das eleições de 2018. Em 13 estados e em Brasília, haverá segundo turno. Foto:  Valter Campanato/ABr

Alguns partidos agendaram para esta semana reuniões da executiva nacional. A Executiva Nacional do PSDB se reúne hoje (9), em Brasília; o PSTU anuncia amanhã (10) o apoio no segundo turno, além da Rede e do PV, que também têm previsão de encontros até sexta-feira (12).

O PDT é outro partido que prepara para esta semana a divulgação de apoios. Alguns candidatos revelaram conversas que tiveram por telefone, sinalizando eventuais alianças e coligações para o segundo turno. Até sexta-feira (12), quando os principais partidos tiverem definido os apoios para o segundo turno, começa o período de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. A partir de sábado (13) aquele candidato que ainda está na disputa eleitoral não poderá ser detido ou preso, salvo no caso de flagrante delito.

Para os eleitores, a proibição só vale a partir do dia 23, quando não poderá haver prisão ou detenção, exceto em flagrante e por sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou por desrespeito a salvo-conduto. A três dias do segundo turno, no dia 25, termina o período para propaganda política mediante reuniões públicas ou promoção de comícios e utilização de aparelhagem de sonorização fixa. Também será o último dia para partidos políticos e coligações indicarem os nomes dos fiscais e delegados habilitados a monitorar os trabalhos de votação.

Às vésperas do segundo turno, o dia 26 será o prazo final para a divulgação da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, assim como para a divulgação paga, na imprensa escrita, de propaganda eleitoral. Os debates se encerram também nessa data.
Um dia antes das eleições, 27, ainda é permitida propaganda eleitoral com alto-falantes ou amplificadores de som. Até as 22h poderá ocorrer distribuição de material gráfico e a promoção de caminhada, carreata, passeata ou carro de som que transite pela cidade divulgando jingles ou mensagens de candidatos.

A exemplo do que ocorreu no primeiro turno, no dia 28, as votações começam às 8h e vão até as 17h. Os partidos políticos têm até o último momento para solicitar, por exemplo, o cancelamento do registro do candidato que ele tiver expulsado. A propaganda política em qualquer tipo de comunicação está proibida no dia das eleições. A divulgação de resultados de pesquisas de intenção de votos pode ocorrer desde que o levantamento tenha sido feito em datas anteriores ao dia da votação (ABr).

PSDB também encolhe no Congresso

PSDB temproario

Derrota de Alckmin fragiliza o PSDB. Foto: Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press

Agência Brasil

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) terminou as eleições de 2018 menor do que saiu do pleito de 2014. Além de ter encolhido no Legislativo federal ao eleger menos parlamentares que em 2014, a legenda corre o risco de ver sua influência diminuir também no âmbito do Executivo. Em nota, no entanto, o partido afirma ter demonstrado “mais uma vez sua força” em meio a um “cenário turbulento”.

Dos 12 candidatos tucanos que disputavam governos estaduais nas cinco regiões, seis conseguiram votos suficientes para seguir para o segundo turno. Ao fim da eleição de 2014, o PSDB assumiu o comando de cinco estados. Hoje, com o afastamento do cargo dos ex-governadores Geraldo Alckmin, para disputar a Presidência, e Beto Richa (PR), para concorrer ao Senado, o PSDB vai administrar quatro estados. O partido pode melhorar o desempenho, mas, para isso, terá que vencer o segundo turno nos seis estados em que segue na disputa: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia, Rio Grande do Sul, Roraima e São Paulo.

Na disputa presidencial, Alckmin obteve pouco mais de 5,09 milhões de votos, ou 4,8% do total. Com este resultado, o tucano encerrou sua participação na disputa na quarta posição, com menos da metade dos votos do terceiro colocado, Ciro Gomes, que conquistou 13,34 milhões de eleitores. Em 2014, no primeiro turno, o candidato do PSDB, Aécio Neves teve 34,89 milhões de votos, passando para o segundo turno com 33,55% dos votos válidos. No mesmo ano, Alckmin foi eleito governador já em primeiro turno com mais de 12,230 milhões de votos dos eleitores paulistas.

O cientista político Joviniano Neto, professor da Universidade Federal da Bahia, disse que o desempenho de Alckmin fragiliza o PSDB e deve repercutir no comando do partido. Já o psicólogo Rui Melo, afirmou que o tucano não conseguiu transmitir suas propostas, com clareza, para o eleitorado.

Com bordão religioso, Daciolo teve mais votos que Marina

Com uma campanha baseada no bordão "Glória a Deus" e com um gasto total de R$ 808,92 (valor menor que o salário mínimo de R$ 954), o candidato à Presidência pelo Patriota, Cabo Daciolo, foi o 6º mais votado no primeiro turno e ficou à frente de nomes tradicionais da política brasileira, como Marina Silva e Henrique Meirelles.

Daciolo marcou 1,3% dos votos válidos, enquanto a candidata da Rede, Marina Silva, ficou com 1% dos votos, com 1 milhão de eleitores, na 8ª colocação. Como sétimo candidato mais votado, Henrique Meirelles, do MDB chegou a 1,2%. Durante sua campanha eleitoral, Daciolo virou "meme" e piadas nas redes sociais devido a frases como "Glória a Deus", usadas sempre em seus pronunciamentos.

De acordo com o TSE, o candidato do Patriota arrecadou R$ 9.930 em financiamento coletivo. No entanto, Daciolo gastou apenas R$ 808,92, que se referem a taxas para o serviço de financiamento coletivo web - única despesa registrada até o momento pelo candidato. Por sua vez, Meirelles e Marina Silva não prestaram contas até então ao TSE. A prestação de contas final deve ser feita até o 30º dia posterior às eleições, para todos os candidatos que não concorrerem ao segundo turno e para os partidos políticos, incluídas as contas dos respectivos comitês financeiros (ANSA).

Eleição para o Senado Federal derrota políticos conhecidos

A eleição para o Senado deixa fora do Congresso políticos de renome, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG), que ficou em quarto lugar na disputa; o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE); o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP), ex-senador e aposta do partido para reforçar a bancada; o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), ex-ministro da Educação; e o deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE), ex-ministro da Educação.

A eleição do Rio de Janeiro foi a que causou maior desfalque: foram derrotados os senadores Lindbergh Faria (PT) e Eduardo Lopes (PRB), além dos deputados federais Miro Teixeira (Rede) e Chico Alencar (PSOL). Miro é o deputado com maior número de mandatos na atualidade. Ao todo são onze mandatos, com apenas uma interrupção, entre 1983 e 1987. Chico Alencar está no quarto mandato na Câmara. Um dos principais defensores de Dilma, Silvio Costa (Avante-PE), tentou sem sucesso uma vaga no Senado. O líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), também foi derrotado.

Os eleitores do Maranhão tiraram do cenário nacional o senador Edison Lobão (MDB) e o deputado Sarney Filho (PV), mas colocaram no Senado, o deputado Weverton Rocha (PDT) e a deputada Eliziane Gama (PPS). Já os deputados Alfredo Nascimento (PR-AM) e Alex Canziani (PTB-PR) tentaram o Senado, mas foram derrotados. Filho da senadora Kátia Abreu (PDT-TO), o deputado Irajá Abreu (PDT-TO) conquistou uma cadeira no Senado.

Os tucanos Ricardo Trípoli, em São Paulo, Bruno Araújo, em Pernambuco, e Jutahy Júnior, na Bahia, que atualmente ocupam uma vaga de deputado federal, perderam a eleição de senador. Os ex-governadores Beto Richa (PSDB-PR), Raimundo Colombo (PSD-SC), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Jackson Barreto (MDB-SE) também não tiveram sucesso nas urnas.

Os senadores Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), Antônio Carlos Valadares (PSB), Roberto Requião (MDB-PR), Valdir Raupp (MDB-RO), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Vicentinho Alves (PR-TO), Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Lúcia Vânia (PSB-GO), Wilder Morais (DEM-GO), Magno Malta (PR-ES), Ricardo Ferraço (PSDB-ES), Waldemir Moka (MDB-MS), Benedito de Lira (PP-AL), Angela Portela (PDT-RR) e Paulo Bauer (PSDB-SC) não foram reeleitos.

Derrotados no Senado falam do mau desempenho

Derrotados temproario

“Vida continua”, diz Jucá após perder reeleição. Foto: Arquivo/ABr

Agência Brasil

Parlamentares veteranos, detentores de forte liderança em seus partidos, senadores derrotados quebraram ontem (8) o silêncio e comentaram o mau desempenho nas urnas. Após seis mandatos consecutivos, o senador Romero Jucá (MDB-RR) foi um dos derrotados. “Por 434 votos, infelizmente não entramos no Senado. Muitos ataques, muitas agressões e muitas mentiras fizeram com que eu tivesse essa condição de perder votos”, afirmou, em vídeo gravado em Boa Vista e postado em sua conta no Facebook. Jucá disse que é hora de “levantar a cabeça” e que “a vida continua”. Ele desejou aos deputados federais e a seus adversários eleitos que continuem trabalhando pelo estado e resolvendo os problemas da população.

Derrotado nas urnas no Ceará, o presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE), 66 anos, que tentava a reeleição, afirmou em nota que os cearenses “demonstraram seus anseios de mudança”. O senador, que deixa o Congresso após mais de duas décadas, disse que recebeu com “reverência e respeito” a determinação das urnas. “ Agradeço com muita honra e humildade aos 1. 313 .793 cearenses que seguiram confiando em mim. Recolho-me à vida pessoal. Desejo boa sorte e energia para os que foram eleitos”.

Outro senador do MDB com tradição no Congresso, Roberto Requião (PR), comentou o fracasso nas urnas. Ele admitiu a derrota pelo Twitter, admitiu a derrota, ainda com base em pesquisas de boca de urna, logo após o final da votação. “Efeito Bolsonaro e duro ataque de infâmias e calúnias nas redes nos últimos dias? Minha posição nacionalista não muda um milímetro, mas respeito a decisão do voto”, disse. Depois, com o resultado já confirmado, acrescentou: “Não sou nem serei avaro. Nem me perguntem se padeço. Se caráter custa caro, pago o preço”, afirmou Requião, um dos dissidentes da sigla, próximo ao PT e ao ex-presidente Lula.

Engrossando a lista dos sem mandato a partir de 2019, o petista Lindbergh Farias (RJ) também se manifestou. “Agradeço os 1.419.676 votos recebidos. Fizemos uma campanha aguerrida, dialogando com o povo e defendendo os direitos do trabalhador. Agora, a tarefa é eleger Haddad, derrotando aquele que se diz anti-sistema, mas votou tudo com Temer. À luta!”, escreveu, no Twitter.
O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) desejou sucesso aos candidatos que o superaram na disputa. “Parabéns Leila [ do volêi] e Izalci. O DF e o Brasil esperam muito de vocês”.

Artífice da queda de Dilma, Janaína bate recorde

Autora do pedido de impeachment que derrubou Dilma Rousseff (PT), a advogada Janaína Paschoal se tornou a candidata a deputada estadual mais votada da história de São Paulo e do Brasil.
Nas eleições do último domingo (7), Paschoal, que pertence ao PSL, partido de Jair Bolsonaro, recebeu 2.060.786 votos e terminou na primeira posição, com 9,88% do total.

O número supera até mesmo a votação de Eduardo Bolsonaro, filho do candidato a presidente, que teve um recorde de 1.843.735 votos para deputado federal. A melhor marca anterior para estadual era de Fernando Capez (PSDB), em 2014, com 306.268 votos. "Amados, são muitos votos, mais de dois milhões. Esta votação expressiva é muito importante, pois me confere mais legitimidade para trabalhar por todos nós. Agradeço a cada cidadão que confiou em mim", escreveu Janaína no Twitter.

A advogada é uma dos três autores do pedido de impeachment que derrubou Dilma por causa das "pedaladas fiscais", ao lado de Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo (ANSA).

Após primeiro turno, Haddad visita Lula

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, visitou ontem (8) o ex-mandatário Lula na carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR). Durante a campanha, o ex-prefeito de São Paulo manteve uma rotina de encontros com Lula na prisão, sempre às segundas-feiras, e não deu sinais de que interromperá essa prática no segundo turno.

Segundo a imprensa, alguns aliados defendem que Haddad desista das visitas a Lula para expandir seu eleitorado além do petismo. No primeiro turno, o candidato obteve 29% dos votos e ganhou mais uma chance de derrotar Jair Bolsonaro (PSL), que ficou com 46% (ANSA).

 

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