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Gestão Tite: o que o mercado corporativo ainda precisa aprender

Sulivan França (*)

Depois da vergonhosa derrota de 7x1 para a Alemanha na última Copa do Mundo, a Seleção brasileira estava desacreditada.

O time, considerado um dos melhores do mundo, cometeu um erro que custou não só o hexacampeonato, mas o respeito da torcida. Com a credibilidade da equipe em baixa, era hora de buscar alguém que pudesse reorganizar a casa. O escolhido foi Tite, técnico experiente, com um método de trabalho focado na integração, na motivação e no desenvolvimento de lideranças.

As lições do profissional da bola que têm conseguido resgatar o orgulho em vestir e torcer pela camisa verde e amarela, funcionam dentro e fora de campo, inspirando gestores no mundo corporativo. Como especialista em comportamento humano, o que mais me chama atenção em Tite é a sua perspicácia. Ao assumir a Seleção, o técnico fez a primeira convocação e passou a observar os pontos fortes e fracos de todos os jogadores que tinha à disposição. A partir dessa análise, começou a montar um time coeso, com qualidades complementares.

Dentro de uma empresa um líder precisa ter a mesma sagacidade. É necessário estar atento e acompanhar de perto cada peça do time para usá-la de maneira inteligente. Quando cada indivíduo joga em sua melhor posição, a equipe ganha em rendimento, produtividade e, claro, em resultado. Outro ponto valioso da gestão Tite é o incentivo ao trabalho em conjunto.

Em todas as suas entrevistas, o técnico gosta de ressaltar que, em campo, todos os jogadores tem um mesmo valor e buscam o mesmo objetivo. Uma de suas estratégias para engajar os atletas nesse sentido é a rotatividade da braçadeira de capitão. No universo corporativo vale a mesma premissa. Ainda que existam profissionais que se destaquem, é preciso dar a mesma chance para todos, trabalhando o individual em prol do coletivo.

Tite também demonstra que liderança é algo conquistado e não imposto. O técnico é adepto do sistema de meritocracia. É preciso apresentar bom rendimento para ganhar novas e melhores oportunidades. O mesmo vale nas empresas: nada de predileção ou afinidade, o que importa para alcançar novas posições são os resultados apresentados.

Agora, se alguém não se sente bem ou suficientemente preparado para ocupar um cargo de maior responsabilidade, não há problemas. Compreensão é uma palavra que está no dicionário do técnico e que deveria fazer parte do dia a dia de todo gestor.

A gestão de pessoas, aliás, é uma arte que Tite domina. No esporte ou na empresa, um gestor tem que saber lidar com sentimentos dos colaboradores e, principalmente, com as crises que a briga de egos pode gerar. O diálogo é o melhor caminho para solucionar problemas. Uma conversa franca e transparente com os envolvidos e com o time evita rusgas e mal entendidos.

Um bom exemplo de crise contornada por Tite foi a escalação de Philippe Coutinho na vaga de Willian durante as eliminatórias. Jogando abertamente com os envolvidos, o técnico conseguiu motivar ambos que, inclusive, devem jogar juntos na Copa do Mundo. Claro que como todo profissional, Tite também possui falhas e seu modelo de gestão não está blindado do fracasso ou de derrotas.

Mas não podemos negar que, de fato, seu trabalho devolveu brilho à Seleção. Aprender com o seu sucesso e replicar essas atitudes dentro do mundo corporativo pode ser um caminho para garantir no dia a dia mais uma estrela dourada para o time da sua empresa.

(*) - É apresentador do programa Foco & Gestão, da Record News, e atual Presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching.

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