Paralisação ou estagnação?

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

O Brasil precisa de serenidade para não perder o rumo.

Na economia global, atropelada pela guerra comercial, as consequências estão se revelando nos países com as contas internas e externas detonadas, que buscam receitas tributárias sobre os preços de itens essenciais esquecendo o todo, dando espaço aos perturbadores que querem o caos. Se as diversas mercadorias tiverem seus preços reajustados no ritmo dos derivados de petróleo influenciados pelo câmbio, o que vai ser da estabilidade monetária e da inflação?

Alterar o preço dos derivados de petróleo todos os dias, com metodologia calcada no preço do petróleo no mercado internacional e na taxa e câmbio em um regime flutuante, foi uma grande barbeiragem, pois se o preço é regulado pela produção e consumo, o câmbio sofre influências manipuladas pelos Bancos Centrais e especuladores. A situação é complexa, há insatisfação popular e lutas pelo poder. Nesse meio, qual será o futuro do país? Há muitos cargos eletivos, vereadores, deputados, senadores, todos disputando vagas nos ministérios e nas estatais; faltam estadistas patriotas.

Bloquear estradas, impedir o abastecimento das cidades não é atitude civilizada. Se não for traçada a linha entre liberdade e licenciosidade, chutar o balde vai se tornar usual, mas o que poderá trazer soluções é que o Brasil e sua população renasçam para uma fase responsável de busca do progresso e combate ao apagão geral, do espírito e da mente. Basta de tanto descaso com o país e sua consolidação como sociedade que prima pelos valores humanos, não pela baderna e chulices que levam ao declínio moral e falência geral.

Não há segredo. Os políticos, em geral, e ditadores, acabam sendo dominados pela tirania e pela ânsia por dinheiro, essa coisa que se tornou abstrata fisicamente, mas circula de forma oculta nos bits dos computadores, dando poder aos seus detentores que tudo fazem para que não haja alterações no sistema, que permite que se crie dinheiro do nada, o grande ídolo da humanidade que renegou o espiritual. Mas os abusos contra a população, acobertados pela estrutura estatal, tendem ao limite da saturação, inquietando e criando o mundo das incertezas.

A situação é muito complicada. Estamos próximos da eleição. Se ela for impedida, qual será o futuro do Brasil? Que bagunça haverá nesse período. No Brasil tem faltado governo e não é de hoje, mas faltou governo porque a população tem pouco preparo e é incentivada a permanecer na vida indolente sem propósitos nobres. Faltam estadistas sérios e capacitados. Mais de 60 mil cargos eletivos que pouco fazem para a melhora.

Enxugar tudo seria o alvo, a começar nas prefeituras, seus secretários e vereadores, até Brasília. As estatais, do jeito que ficaram na mão da classe política, deixaram de servir a população. Organizou-se uma paralisação nos transportes em nível nacional,sem que houvesse uma pauta de melhora geral, a população tem de se unir para melhorar o país de forma sensata.

O Brasil, há décadas explorado por interesses escusos, precisa de um esforço de longo prazo. A paralisação despertou o anseio por um país melhor, uma grande causa que precisa da adesão de todos, de bom senso e uma atitude permanente de exigir que o Brasil se torne um país decente para se viver de forma condigna com saúde, educação e trabalho, caso contrário nos tornaremos meros fornecedores de matérias-primas e minerais para as potências que só pensam nelas, enquanto a população vai regredindo aos estágios de Brasil quando colônia da Europa.

O desmando pode gerar desemprego, queda na produção e mais miséria, a sina nos venezuelanos. A cidade turística de Embu das Artes (na rodovia Regis Bittencourt) ficou bloqueada com a paralisação dos caminhoneiros, houve prejuízo para os artesãos, para os empresários e risco para os empregos. É preciso que cada pessoa se esforce por manter pureza em suas ações.

Ao se afastar do espiritual, o ser humano se acorrentou ao mundo material, ao tempo-espaço, perdendo a visão da amplitude da vida. Agora as leis da Criação impulsionam tudo mostrando a colheita indigna, e o raciocínio por si, sem o despertar espiritual, é incapaz de restabelecer o que ele arruinou com o egoísmo.

É preciso vontade sincera e querer o bem acima de tudo.

(*) - Graduado pela FE A/USP, coordena os sites (www.library.com.br) e (www.vidaeaprendizado.com.br). Autor de: Nola – o manuscrito que abalou o mundo; 2012...e depois?; O Homem Sábio e os Jovens; O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida; entre outros. E-mail: (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.).

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