Usos e costumes

Costumes estão ligados aos usos, que se baseiam na cultura ou na moda vigente de um lugar e em seu tempo.

Quanto mais enraizados são os costumes, mais difícil é de ser deixado de praticar. Quanto tempo leva para se deixar de lado um costume? Ou quem está disposto a mudar? Diz-se que a oportunidade faz o meliante, não é? Pois a resposta é: não! Ele, o gatuno, já tem tendência latente ao delito, apenas se faz manifestar.

Está enraizado nos seus princípios. Podendo, ainda, estar ligada à ganância, luxúria, inveja, alguns pecadinhos dessa natureza humana. Essa cultura do querer levar vantagem enraíza pelo corpo social, impregnada de manias de pequenos a grandes delitos, será difícil de ser extinta ou extirpada em curto prazo.

Vamos a uma analise: como de querer perdoar os crimes praticados em corrupção daqui para frente. É um ato simples para quem legisla. Basta criar uma lei em que os crimes do colarinho branco sejam, digamos, esquecidos, abrandados, aceitos, até agora. E, daqui para frente, como ficam? Quem for descoberto terá pena aumentada? Mas, se não foi investigado, nem julgado, não é culpado. Não haverá reincidência. Sabe-se no Direito que se não há lei não há pena.

E, como fica todo dinheiro desviado, todo presentinho recebido ao longo, desses digamos trinta anos, seria simplesmente considerado parte de uma pequena vontade desmedida ou descontrolada? Mas, daqui para frente tudo vai ser diferente. Ninguém mais na história desse país irá pedir uma ajuda para aliviar um problema nessa nova era política que se abrirá.

Você crê que com essa casta, esse grupo de políticos, que jogam esse jogo de interesses nem sempre claros, será possível acreditar que se houver esse perdão sem culpa, essa anistia total e irrestrita, poderá haver uma mudança no padrão de comportamento?

Estudos nessa linha falam que pau que nasce torto ficará desse jeito até ser cortado. Dica para uma única resposta: acredita que se livrar a cara de um corrupto agora, irá deixar de tê-los daqui para frente? Toda vez que lideranças ideológicas se vêem divididas, buscam soluções paliativas, querem acomodar os prejuízos acumulados em comum. Já que há perdas, danos e feridos para todos os lados, qual seja, olhando à esquerda ou à direita.

Duas soluções, sendo uma um ato legal: de acabar com essa cultura da impunidade, de pensar que iremos resolver, mas vemos que o processo se enfraquece ou se desmonta quando não se apresentam provas – nosso sistema não aceita essa acusação verbal - e tantos recursos que estendem numa defesa excessivamente protelatória, talvez até injusta, mesmo sendo dado o devido processo legal. E, outra, um ato individual, de que precisamos reverter esse quadro de querer levar vantagem, porque os políticos fazem irei fazer também.

Esse momento favorece a implantação de ideias boas, que sejam construtivas e não apelativas. Isso é: temos que acabar com esse ciclo de querer levar vantagem.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Email: (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.).