“Lobby”

Grupos de pressão realizados por empresas privadas em políticos ou a poderes públicos para defender seus interesses. Está definido no âmbito da ciência política.

Influenciar em busca de determinado procedimento na tomada de decisões políticas. O que estiver ao alcance daquele grupo irá tentar algum controle ostensivo e formal no governo. É para buscar espaço nas decisões do poder público. Como uma lei que lhes favoreça, uma permissão, autorização ou concessão, em especial no poder legislativo. Esse trabalho pode ser realizado de algumas maneiras, sendo que há países em que essa atividade é protegida por uma legislação e até bem regulada.

Há ‘lobbies’ diversos que se caracterizam pela representação de interesses junto aos agentes públicos. Há grupos de empresas privadas que se aglutinam em associações e contratam profissionais com esse objetivo específico de lutar pelas suas causas. E esses profissionais defendem aqueles objetivos.

O termo em nosso país chega a ter uma conotação de troca de favores, de corrupção, mas no conceito original, a definição é mais neutra. Remete a uma condição organizada, exercida dentro da lei e da ética, na defesa de interesses legítimos. Para um observador atento, o que pode ser interpretado como ‘legítimo’ a um determinado grupo pode não ser para outro. Daí, o objetivo do ‘lobby’ é se mostrar e se fazer ouvir. Isso seria uma atividade legítima, dentro de um contexto democrático. Sem badernas, sem quebra-quebra, sem arruaça, no diálogo.

No fundo a ação do ‘lobbismo’ é quer chegar aos agentes públicos e informá-lo sobre o impacto de determinadas medidas, decisões que se tomadas podem ser equivocadas ou não, esclarecer dados, números, estatísticas, entre todo arsenal de informações que podem ser apresentadas. Ou seja, é mais do que fazer pressão porque se é amigo ou que aquela influência resida em troca de favores. É mostrar aos agentes públicos conheçam as demandas de determinados segmentos da sociedade.

Em síntese, com seus canais de comunicação, determinados ‘lobbistas’ buscam estreitar esses contatos. Eles seriam intermediários, que por conhecerem profundamente a forma de funcionamento do governo, de saberem quem são as pessoas que tomam decisões, tem condições quem podem auxiliar em determinados assuntos. Eles vão atrás das pessoas chave.

Com essa aproximação, aumentam-se as chances de que um grupo de empresas ou uma empresa possa influir naquela política em questão. Afinal, procura-se encontrar com quem está o poder de decidir. Claro, que quando há comissões com muitos membros ou uma representação ideológica em disputa esse acesso pode se tornar um pouco mais difícil.

O início dessa atividade surge no século XIX nos EUA na ocasião que antecedia a eleição de um presidente, que antes de tomarem posse ficavam hospedados em hotéis de luxo, locais que tinham enormes saguões que serviam de cenário para debates entre os futuros presidentes e representantes de empresas. Outra versão vem da Inglaterra, de que os parlamentares, na Câmara dos Comuns, eram abordados antes das reuniões.

Nesses ambientes informais se pode falar de quase tudo, reclamar, propor vantagens ou indagar sobre reais interesses.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).