Desencontros

A política, entre pensamentos lançados ao ar, é o reflexo das vontades de um determinado povo. Pode não ser sua expressão máxima, mas tenta chegar mais próximo de um representativo quadro social.

Somos nós que elegemos quem deveria nos servir atendendo desejos públicos. Estamos exaustos de saber disso. Só que há um tempo significativo entre o que escolhemos e o resultado desse desempenho. Desde uma eleição até a descoberta de como trabalham, se atendem às expectativas ou não.

Nesse período há um desencontro de interesses, entre saber com quem estamos lidando, sua índole, seu caráter ou suas verdadeiras intenções. Nesse descompasso temos um desencontro entre o que queremos e o que iremos conseguir.
Nem sempre estamos satisfeitos porque acabamos descobrindo que não foi bem assim que falavam quando estavam em campanha. Mas, nem por isso, deixamos de acreditar e votamos em quem mais confiamos. O ciclo se completa a cada quatro ou oito anos. E assim vamos nos entediando, frustrando ou sendo constantemente esperançosos que um dia iremos melhorar.

Pois é nessa linha que o desencontro se torna menos doloroso. É apelando para o lado humano da política, quando ela nos mostra que por trás desse jogo de forças, há sentimentos nobres ou valores humanos que precisam ser considerados. Afinal, penso nesses devaneios semanais, que ninguém da esquerda ou da direita quer que pessoas vivam em estado de extrema pobreza ou falta de dignidade? Ou querem?

Há determinadas políticas públicas que por mais que os jogos sejam praticados em clima de tensão e disputa, não há como não se envolver e pensar de maneira pratica em resolver essas questões dramáticas dos limites do sofrimento humano. Por mais que estejamos cercados de políticos que mais pensam em suas reeleições e na manutenção de seus interesses, em algum momento fazem algum bem aos seus eleitores.

O que nos salva e nos mantém são dessa retórica é o conhecimento da nossa realidade, mais próxima do problema, do cotidiano, da solução. Os políticos de carreira em geral, e conversando com eles, nota-se isso, por terem múltiplas demandas ou por receberem muitos pedidos, acaba sendo genéricos demais. Claro que há os que se especializam em determinados assuntos, por alguma afinidade ou formação.

Mas, muitos dependem de seus assessores para dar uma opinião a respeito de um assunto. Não tem a resposta na hora, coisa normal. Vão consultar um buscador com as informações pertinentes. Bem, isso quando se interessam por resolver um assunto.

Entre eleger, e saber o que tem feito aquele político, em ficar de olho nas suas ações há um vasto caminho a ser percorrido. Necessitamos de muitos olhos em estado de fiscalização para minimizar esse efeito resultado. Como se pode perceber, vivemos em constante ritmo de desencontros ou desse efeito de distanciamento da realidade em política. Quando a solução pode estar perto, há ritos a serem cumpridos.

Entre uma ideia apalavrada há todo um processo a ser desenvolvido para a sua concretização.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).