Por Demais

A quem podendo estar de férias, pode estar se perguntando: “estou tranquilo com possíveis mudanças que nesse ano prometem ocorrer?”

Nem sempre queremos ficar pensativos com essa profundidade quando se está descansando. Quando esse pensamento vem à tona, a quem se vire para o lado e diga: “xô, saiam daqui, esses problemas!” A quem se desliga totalmente, que deixa de lado as preocupações e espera mais uns dias para entrar na frequência das notícias.

Já que o momento é de férias, para uns, nada mais seria cansativo do que querer saber como está o comportamento nas bolsas, se tem dinheiro em ações. Mas, parece que esse tipo de pessoa não se desliga mesmo em repouso, estão atrás de informações, já que não podem deixar de serem conectadas.

Claro, que se você quiser iniciar um período de relaxamento, a melhor alternativa seria sair da frente do computador ou simplesmente desligar seu celular. Seria isso possível? Como você se sentiria? Como não ficar sabendo do que ocorre mundo afora? E se as notícias trouxerem novidades que precisam ser acompanhadas de minhas interferências? Como me sentirei se não conseguir dar uma opinião ou um aparte?

Essa analise da minha dependência das redes sociais, com o estar conectado, perdeu nessa semana um de seus críticos e estudiosos: Zygmunt Bauman. A ele tudo o que era em demasia podia ser prejudicial nas relações.

Estar preocupado com as mudanças é algo sensível às nossas percepções, pois de alguma maneira vivemos ansiosos ou depressivos com a velocidade com que somos bombardeados com as informações diárias. Interessante observar ao colocarmos uma simples pergunta, a quem está em alguma situação de descanso, por conta desses dias de férias, como “o que espera além do dia de hoje?”.

Há quem vá responder essas suas expectativas com base nos acontecimentos que são notícia nos jornais desse mesmo dia. Considerando a mudança de governo nos Estados Unidos, a crise crônica nos presídios ou das contas que têm a pagar a mais no mês de janeiro. Vivemos magnetizados, carregados dessa energia, atrelados a esse momento social. Não conseguimos nos deixar levar e ‘esquecer’ que fazemos parte dele.

Há uma forte influência que quase nos obriga a ficar conectados, senão seremos mal vistos ou compreendidos. Seremos considerados desligados. Por isso, queremos ficar cada vez mais ligados. Só que esse pulsar é demais. Deixa qualquer um pirado. E, tudo que é demais cansa, se torna enfadonho. Fica-se buscando respostas e explicações a tudo.

Quem está longe, no meio do nada, talvez goste de saber o que ocorre nas cidades agitadas. Só que muita agitação também cansa. Esse ciclo abre espaço para perguntas sem respostas rápidas, na vibração inerte de “o que a vida não consegue me dar ou quais oportunidades estou perdendo?”

Preciso de férias das notícias chatas, cansativas ou repetitivas que ficam na retórica da fofoca ou na especulação de resultados. Por que tudo que é demais sobra na mente ou no papel.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).