Ignorância

Atitudes sem qualquer consciência, em geral demonstram de quem não está a par da existência de algo além do que consegue enxergar. Falta de conhecimento, afinal.

Em tempos de muita informação, cabeças ficam desconectadas do foco, e o desafio é tentar entender o que se passa no terreno do vizinho sem criticá-lo por qualquer motivo. Espero não estarmos caminhando para uma sociedade em que as pessoas estejam cada vez menos preparadas para compreender a crítica construtiva daquela destrutiva.

Em que agredir com palavras ou textos jornalísticos seja menos incoerente do que agredir com trancos, tapas, pitombas ou sopapos. Não estou para defender a institucionalização do crime que acomete as hordas políticas, mas não aceito que se parta para a agressão quando queremos viver em uma sociedade pluralista e capaz de aceitar todos os seus tipos de pessoas.

Como o ocorrido com um ex-deputado sendo agredido por uma mulher num aeroporto, não se pode negar que temos que aprender a conviver uns com os erros dos outros, que para mim é a máxima da democracia.

Assim funciona o sistema, se um dia elejo alguém que se sai como o pior dos mandatários, terei que aceitá-lo até que seu mandato expire. Nada mais coerente, já que da próxima vez, não devo cometer o mesmo erro. E, assim caminha a humanidade, de erro em erro, de acerto em acerto, vamos buscando os meios de nos conhecermos e nos irmos aperfeiçoando as relações. E, por conseguinte, as instituições.

Quando partimos para a agressão, querendo fazer justiça com as próprias mãos, estamos encarando que as instituições que estão para nos servir, não estão sendo eficazes e eficientes. Nesse sentido, estamos agindo como se não funcionassem a contento. E perdemos a razão, agimos de maneira ignorante.

Desprezamos o que estamos tentando construir como uma sociedade, de fato e de Direito, sem que sejamos responsáveis por aqueles atos. Aí é que mora o perigo. Sim, porque quando queremos tomar a lei em nossas mãos, agimos sem conhecimento de todas as partes que estão envolvidas no processo. Isso é querer voltar ao estado de barbárie.

E, para completar e complicar ainda mais esses cenários sociais, as tais redes que se ligam na internet, auxiliam, contribuem e proliferam essa enxurrada de contra informações ignorantes para que esse estado latente de desumanidade seja perpetuado. Onde o que é uma mentira passa a ser quase verdade, que não se pode checar sua origem, já que é mais fácil acreditar no que uma plataforma bem desenhada, estruturada, que está sendo mediada por um provedor que não deveria levantar suspeita. Isso é o que se supõe, para uma grande maioria, infelizmente.

Ou seja, atos de discórdia, de brigas, ofensas, passam a ser veiculados como se a vida fosse festejada, aceita e manipulada por aqueles sádicos, cruéis e desumanos que gostam de sentir prazer com o sofrimento dos outros. Não que sejam só ignorantes, como se analisa.


(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).