Apertar Cintos

Nem escrevo a quem está sem algum emprego, que talvez já venha praticando esse sacrifício, mas a todos que acreditam que essa fase conjuntural já passou.

Quem acreditava que o mês de agosto seria uma maravilha viu que as previsões não deram por esse caminho. Podemos melhorar, mas não por agora. O FMI esteve fazendo análises que algumas ações ainda precisam ser feitas e a votação da PEC no teto para os gastos públicos demonstra, pelo andar dos deputados, que não será fácil de ser aprovada.

Por quê? Porque viver sem se preocupar com dinheiro é, em grande parte, um dos desejos que para uns levaria a felicidade. Afirma-se “se não tenho dinheiro não sou alguém”. Deixando de lado essas tontices, para se manter a qualidade de vida exigida para a dignidade humana, há que se prever e verter recursos.

Entendendo que essa se baseia em alguns preceitos de facilidades de acesso à educação, serviços de saúde, saneamento e segurança. E, ainda, oferecer condições para que se possa desenvolver empreendimentos e trabalhos honestos. Ou seja, esse é o cenário para pavimentar o caminho do desenvolvimento sustentável do ser humano, as tais condições mínimas à dignidade que não podem faltar, que de certa forma foram tratadas de maneira tímida nesses últimos anos.

Considero que houve mais publicidade nos atos desenhados do que nos resultados. Em vários anos, se é que houveram de fato tentativas ou fazia parte de uma encenação para manutenção de poder, não foram feitas as ditas reformas estruturais necessárias.

Quando se falam em reformas, alguns – os mais privilegiados em seus feudos de vantagens obtidas – não querem. Já os insatisfeitos vêm nessa oportunidade possível melhora em condições econômicas ou sociais. São tempos que exigem reflexão e, com certeza, mudanças.
Não adianta privilegiar o consumo, como foi feito.

A base para uma revolução, uma reviravolta, nos costumes está na boa educação. E avaliando esse padrão estamos – infelizmente – muito longe de atingir. Isso leva a um comportamento ainda mais consumista, de quem tinha muito crédito e gastou demais. Portanto, há muito a ser feito.

Que seja do meu conhecimento, quase ninguém gosta de considerar a possibilidade de deixar de lado alguns patamares financeiros. Daí, apertar cintos parece que é a melhor campanha que podemos encabeçar para os próximos meses. Isso não é ser pessimista, é ser realista. Para muitos, como deixar de lado gastar sem se preocupar, essa cena ficou para trás.

Analise esses pontos atuais: alguns Estados, catorze, a maioria no Norte e Nordeste, ameaçam decretar calamidade pública, se não houver uma ajuda do Governo Federal, outros já vêm parcelando salários de seus servidores, que complicam ainda mais a vida dos doze milhões de desempregados. Soma-se a isso um número considerável de rombo nas contas públicas.

Nem é preciso sugerir que o momento é de ponderação, que ainda temos muitos meses com notícias que não irão agradar. E se quiser encontrar culpados não procure só nos personagens de agora.


(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).