Amigos ou Inimigos

Vamos estar preparados, sem surpresas, para o que vem pela frente nas eleições. Recomendo que anote o que for prometido, o quê e como pretendem resolver problemas da cidade. É um bom acompanhamento cívico.

Com certeza, muita gente faz isso, pois estão ligados no currículo dos candidatos ou os acompanham há tempo. A lei da ficha limpa ajuda, mas não elimina analises apuradas e mais profundas. Eleitor bom se move em direção à informação quando quer saber quem é o novato nessa área. Ele entra na internet e busca informações sobre a vida daquele que está querendo concorrer.

Enquanto isso, por baixo dos panos, o que ocorre nos bastidores sabemos pouco. Portanto ir atrás de dados nos sites de buscas nos dá alguma noção das manobras políticas. Por outro lado, conhecemos que as alianças que são feitas em muitos municípios são para que antigos inimigos fiquem amigos ou vice versa. Isso dá a dimensão para deixarmos de acreditar em propostas sem cabimento e aceitar que em política um dia concordam em outro discordam.

Tenho afirmado que aquele tipo de político profissional está com seus dias contados ou quase em extinção. Torço para que ocorra: que sejamos cada vez menos governados por pessoas que só queiram estar na vida pública para pensar somente em si e não na comunidade. Que vença a boa e clara informação.

Entretanto, há que ter paciência e certa dose de resignação, para não se envolver nas conversas emotivas e repletas de argumentos que parecem ilusão passageira. Temos que registrar essas promessas e cobrá-las, para no futuro conhecer quem está se passando por amigo nessa época de eleições.
Alguns irão caprichar no figurino para estarem próximos do seu público. Isso faz parte da estratégia.

Além disso, entre as atribuições dos marqueteiros estão estatísticas de temas generalizados, que irão exagerar ou enaltecer realizações e, na frente de oposição citar eventos inacabados, abandonados ou mal feitos. O argumento retórico sempre é usado para manipular a realidade em favor do falante.

Palavras como honestidade, integridade, ética, disposição, capacidade e competência serão usadas com frequência e, quase sempre, ultrapassarão as expectativas. Além da falsidade na postura ideológica que é o que nem se conta de quem dirá ser seu amigo do peito.

O que se tem que considerar é que nem sempre estamos preparados para receber esse impacto de atitudes cínicas, hipócritas ou falsas de candidatos que só aparecem nessa época para pedir votos. Alguns dirão que depois de eleitos terão tanto trabalho que não poderão voltar a estar com seus eleitores. Pode ser verdade, afinal trabalham tanto, se dedicam todos os dias da semana. Será? Não consigo acreditar.

Não seja enganado, escreva as promessas, as juras, e relaxe nessa festa porque é o que farão muitos desses aspirantes, novatos, entediantes ou até bons políticos. Jogo de cena ou não? Só ficaremos sabendo quando estiverem eleitos e formarem novas ou promissoras coligações.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).