Entre a Teoria e Pratica

Não deveria existir um distanciamento entre a teoria e a pratica ao em relação às coisas públicas ou nas parcerias publico privadas.

Nem sempre isso ocorre, mas existe uma justificativa que se sobrepõe: a margem para manipular os tais interesses. Interesses que geralmente são difusos, imperceptíveis ou inexplicáveis.

Por exemplo, no caso dos prédios da Vila Olímpica: de quem é a culpa pelos edifícios não ficarem totalmente prontos? Será de quem contratou ou quem os executou? Quem deveria ter supervisionado a construção ou o cumprimento de prazos? Ou a qualidade do que foi entregue?

Indo nos detalhes: obras são coisas de empreiteiras que têm pessoas teóricas e praticas que cuidam de projetos. Engenheiros ou arquitetos são pessoas detalhistas e cautelosas. Até por conhecer esses profissionais, ao debatemos, sei quanto sabem do que projetam e o que irão entregar.

No caso de obras públicas, resta saber, o que está no memorial descritivo é o que se aplica? Supondo que sim, que o designado será usado, e não se utilizará similar ou genérico. Cano é cano, tinta é tinta, diria um leigo. Só que entre essa teoria e pratica há um abismo de possibilidades na execução.

Ou seja, esses profissionais sabem o que desenharam em teoria e reconhecem que se usarem materiais de marca inferior qual será o resultado no acabamento. Nem precisa de muita teoria para conhecer diferenças entre materiais quando já se construiu algum ‘puxadinho’ no quintal.

Outro exemplo: visitou uma casa do ‘Minha Casa Minha Vida’? Cuidado para não dar um soco demonstrativo de irritação numa das paredes, pois pode ser que fique a marca dos ossinhos da mão ou faça um buraco com a pancada. Isso é o que digo: entre o que se pretende construir e o que se faz de concreto, do distanciamento da teoria e da pratica que reflete na qualidade do que é oferecido.

Já o interesse é algo que deixa qualquer político com as antenas ligadas.
Pensam: “se isso me convém eu faço, eu apoio. Se me der visibilidade, melhor ainda. Só quero o que melhor pelo menor preço”. Só que, entre querer o melhor pelo menor preço, nem sempre é possível. Seria melhor se ficássemos com um padrão que pudesse ser mais especificado ou determinado.

Mas, como há um conjunto de interesses como reguladores de preço ou prazo nesses projetos, têm aí esse distanciamento. E, também, na maioria dos projetos, a teoria não consegue dizer que o valor da obra projetado ficará naquele patamar, sempre há um aditivo corrigindo o valor da obra ou modificando seus prazos de conclusão.

Até parece marca registrada no país de fazer as coisas na última hora ou de deixar do jeito que está para ver como fica. Claro que a culpa não é dos que fazem contratos nem de técnicos que calculam, mas que qualquer valor adicional sem licitação é sempre um convite à corrupção.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).