Esperar?

O que fazer se a situação não melhora? Um amigo diz, resmungando: espere. Outro colega sem convicção, mas com relativa certeza, retruca: o melhor é ir em frente. O que faço, afinal?

O certo é que os salários foram aumentados a uma casta de funcionários privilegiados. Está certo Isso foi em frente, não pode esperar. Enquanto outros ainda esperam encontrar algum emprego. Há situações, como os economistas gostam de afirmar, em cenários turbulentos que o melhor é deixar que o mercado dê os sinais para quais lados se projetam as tendências.

Aí é que as coisas pegam para quem tem seus problemas cotidianos. Se quiser comprar um terreno, o que faço? Se quiser construir uma casa? Se quiser vender? Há certo clima de desânimo e incerteza. Mas, nada que justifique ficar completamente parado. Há muitas ações que ficam no limbo da decisão, outras precisam e devem ser tomadas.

Os especialistas, às vezes, ajudam a complicar. Experimente. Se for conversar com um deles, um analista de mercado, dirá que é melhor esperar, pois nem tudo está claro nesses cenários. E, assim como os economistas, esses analistas nem sempre têm a mesma opinião, outros dirão que podemos ir atuando e fazendo investimentos com reservas. Bem, então, não é para esperar?

Sim, não espere, aja com cautela, toque sua vida, por que as oportunidades continuam ocorrendo. O mercado, que é uma ficção, é invisível, mesmo em crise há determinadas transações que não deixam de existir. Pessoas não deixam de agir em suas pequenas ou médias escalas: se alimentam, se vestem, movimentam-se. As ofertas aparecem e quem tem as informações precisas do que está buscando pode encontrar bons negócios nessas situações de crise. O importante é não deixar de agir. Não ficar estagnado.

Sei que não é uma das melhores dicas para quem não consegue controlar seus nervos, para quem está com a corda no pescoço, precisando de recursos. Para aqueles em que o verbo esperar pode parecer uma afronta às suas necessidades.

Não sei se posso afirmar com certeza que de uma maioria pode não estar nem aí para a crise no sentido macro e está preocupada em sair dessa situação pessoal.

Demonstra esse espírito guerreiro que quer modificar o que não está bom. São pessoas que aceitam desafios e querem construir um novo presente. Afinal precisa-se, de alguma maneira, resolver os problemas com as circunstâncias que estão à nossa frente. Esses são os que não esperam e fazem acontecer.

O que não se pode esperar é continuar aceitando essas reservas de mercado: os currais eleitoreiros, os erros do passado, as mazelas de discursos enganosos, a ética desvirtuada de honestidade. Não se pode aceitar que uma casta, a categoria de políticos na sua maioria, vivam numa zona de privilégios.

O que não se pode esperar é deixar de pressionar para que as tão prometidas reformas estruturais nos sistemas político, tributário, administrativo e eleitoral saiam do papel.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).