Olhar ao Futuro

Toda vez que me deparo com mudanças bruscas, penso que em verdade elas não são tão imprevisíveis, mas que se arquitetam, edificam ou se armam ao longo do tempo.

Nesse sentido, há sempre uma causa. Ela pode ser facilmente descoberta, pode estar evidente, aparente, visível, como a causa inicial ou central que provocou uma consequência na sua vida pessoal. Num simples exemplo: se deixou cair água quente na mão, há uma grande chance de se machucar. Entretanto, se quisermos analisar um fato de um passado recente na história de um país pode haver causas que nunca iremos saber ou ter algum conhecimento de como deram início naquelas mudanças.

Nada de querer entrar em teorias conspiratórias ou as ditas secretas que aí nosso campo de imaginação fértil será dominado por absurdos, asneiras, incoerências ou inverdades.

Ficando com a sua realidade do momento presente, quando acordado, e se dá conta no que está diferente. E constata que uma vez que a mudança esteja instalada, que seja necessário se conformar com aquele acontecimento, já que não pode ser evitado, que não há como voltar atrás, e que não mais importa saber como se chegou ao ponto em que se chegou, olha-se ao futuro e se pergunta: - o que será daqui para frente?

O futuro, seja ele qual for, é idealizado e preparado de distintas maneiras com muitas intervenções, com ou sem contra gosto, com empenho, foco, motivação, perseverança e dedicação. Isso quando se tem uma meta que seja alcançável, até que seja relativamente definida, quando se sabe, pelo menos, aonde se quer chegar. Ou seja, o futuro tem em sua essência a característica do imponderável, do incalculável.
Então, se conclui que não há como se prever com exatidão.

Aí se descobre que para qualquer lado que se vá, sempre é preciso estar preparado para qualquer tipo de mudança. Acaba-se chegando à conclusão de que mudança é o estado natural das coisas. Como estamos divagando, vamos continuar nessa linha: de todas as mudanças que ainda estão por acontecer, umas serão previstas outras virão de repente.

Acabamos por nos conformar ainda mais, já que somos diferentes a cada dia que passa. Algo em nós muda, altera, enruga, envelhece, acostuma, emperra, acabamos pensando que qualquer dia desses nem mais estaremos por aqui. Afinal, somos o único animal do reino que sabe que um dia irá morrer. Os outros vivem o seu dia a dia com foco no presente.

Nós – como somos diferentes – pensamos no futuro, com ou sem ansiedade, com ou sem estresse. Uns procuram o bem estar individual, já outros querem o estado de bem estar coletivo. Cada um a seu jeito de conseguir. Afinal, cada um tem um jeito para administrar e alcançar seus objetivos. Mas, o que acaba se concluindo é que o futuro que vem com uma mudança pode ser para uma situação melhor ou pior daquela em que se estava vivendo.

Quem viver verá.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).