Dá pra mudar?

Não espere para mudar o quadro geral, pode começar pelo canteiro da sua casa. Ou seja: faça o que for preciso para mudar, mas comece pela sua cidade.

Quando viajo e analiso as dimensões do Brasil, vejo como é um país com vários países. Cheio de singularidades e particularidades. Esses regionalismos, as várias faces culturais, os costumes, a verbalização e sotaques. Em 2013, tínhamos 5.570 municípios. Se você é daqueles que gosta de viajar de carro, parando em cada cidade, irá encontrar curiosidades que irão lhe surpreender.

Se começasse a contar o que tenho descoberto essa coluna estaria em outra seção desse jornal. Quem sabe nas dicas de turismo. O que quero abordar é a força cidadã que existe a partir de todas essas cidades do interior. O que seria essa força? O que pode ser mudado, a partir de células menores, para se influenciar no todo. Só que a passividade me impressiona.

Geralmente, em uma cidade pequena conhecemos as pessoas com certa intimidade. Sabemos de suas preferências, de seus negócios, mazelas, amores, até amantes. Numa cidade ou vizinhas numa região conseguem-se informações precisas sobre pré-candidatos, políticos de carreira, outras pessoas do povo que querem nos representar. As pessoas também falam do que não gostam nos políticos, mas não aceitam a mudança. Ou pior: vêem que é difícil mudar o que está instalado.

Quando dizemos que acreditamos em nosso candidato, pelo menos, é o que esperamos: que sendo conhecido, seria qualificado e comprometido com a causa pública. Mas, é sabido que não é bem essa situação que acontece. Algo o transforma. Onde está o erro? Seria a escolha?

Naquela cidade que andei passando, o Zé do Bar, sujeito amigo, cordial, que foi eleito com promessa de renovação, ao entrar na Prefeitura, colocou sua esposa, como secretaria de educação. Cuidou de acertar a vida da família. A senhora em questão, não tinha o segundo grau completo. Essa é a cara de muitos municípios.

Quando olhamos para uma Câmara e o Senado formados, com seus 513 representantes e os 81 senadores, vemos o reflexo instalado dessas escolhas. Penso: estaria o erro nessa seleção de “notáveis” ou nas nossas escolhas? Quem é o sujeito que irá me representar? Não é porque ele ou ela é bom de papo e oferece vantagem imediata que deveríamos dar-lhes créditos.

Uma representação política é como comparo com essa imagem: de dar um talão de cheques a um desconhecido, para que use do jeito que quiser com sua assinatura, para fazer coisas que preciso no meu quintal, e que possa regular tudo que esteja relacionado com minha vida na comunidade. Essa participação vai além, não é apenas ceder parte do nosso poder de decisão, é querer entender como se administra uma cidade.

É básico: se quero mudar tenho que agir como se a cidade fosse uma empresa e não se deve deixar qualquer um cuidar do meu caixa.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Email: (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.).

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