Imaginação e Surrealismo

Está fácil distinguir o que é verdadeiro do que é falso? O que lemos ou declaramos é tudo verdade?

Pode ser que sejam fragmentos de certa informação. A defesa de um criminoso, por exemplo. O quadro é assim: há testemunhas, existe a arma, tem o corpo, houve identificação técnica positiva de autoria, motivação e todos os quesitos da culpabilidade. E o advogado do réu, por uma questão, também, técnica alega a inocência do seu cliente.

Tudo que se viu não passou de outra história. O crime existiu, sim. Mas, a intenção era outra. Houve um acordo entre as partes de que haveria uma vantagem ao morto de ser assim, digamos, eliminado nessa altura da vida.
O que pensa disso? Parece uma situação real? Sim, parece, mas não é.

O campo da dissimulação nos permite dizer o que quisermos. A questão é definir o quanto estão tentando menosprezar a nossa inteligência com argumentos mentirosos. Ou, quem sabe, o quanto estão querendo nos fazer de bobos ou desinformados.

Com essa lógica distorcida, entramos no campo do atentado à inteligência, que é algo que a política nos dá lições primorosas, em que os argumentos escolhidos podem ser de toda a ordem de desordem. Ou, logo entram sem permissão no campo onírico, como o que vale é contar uma história que tenha começo, meio e fim, que tenha se passado em algum lugar do imaginário popular. E desse campo fértil podemos tirar inspirações que podem tanto nos encantar como nos deixar intrigados com tamanha criatividade. O país é grande o bastante para povoar nossa imaginação.

O que se diz é o que se quer dizer? O que se sabe está distante do que se pretende fazer entender? Fico raciocinando: em quanto somos enganados com as histórias que nos são contadas? Ainda bem que Alice – a do país das maravilhas – não vive no meu mundo e já descobri que personagens de novela são características de personagens. O quê está me dizendo? Que acredita que a novela seja um retrato da realidade? Que ela expõe situações que existem na vida real? Aqueles dias eram mesmo assim?

Bem, essa é outra boa abordagem do que é ficção. Um quase sinônimo de surreal. Nas novelas os atores são pagos para fingirem que estão vivendo determinado personagem. Pois, atuar é o ato ou efeito de interpretar um texto. Há toda uma elaboração de situações, é uma criação coletiva, que leva a um determinado desfecho fantasioso. Mas, é uma alucinação. Essa é a capacidade de envolvimento que as novelas têm, com ou sem devaneios. Não lhe parece que estamos vivendo dentro de uma novela.

Aquilo que se encontra para além do real, mostra todo esse ambiente de estranheza com toques de realidade. É uma transgressão da verdade sensível, da razão, que pertence ao domínio do sonho, da imaginação, do absurdo. É assim que se define no dicionário uma situação surreal.

Alguma semelhança com cenários políticos atuais?

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. E-mail: (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.).

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