Enganados e Desiludidos

A sensação de traição é uma forma de refletir como essa palavra que traz em si um vasto campo para analise de circunstâncias que ocorrem no cotidiano.

O momento em que descobrimos que o que era para ser feito e não foi. Como nos sentimos? Chateados, pois fomos enganados. Demos alguma ordem para que pessoas cumprissem, houve compreensão e todos entenderam o que era para ser feito e todos concordaram.

Passado um tempo, fomos conferir a ação. E descobrimos, novamente, que nada foi concretizado. Como ficamos? Compelidos a mandar os responsáveis embora? Não, vamos dar uma chance. Afinal, errar é humano. Mas, nos sentimos enganados. Deixamos passar? Vamos pensar que a culpa pode ter sido nossa que não explicamos corretamente que era para ser feito.

O ser enganado, nesse caso, fica por conta de quem está enganando. Se a pessoa entendeu, compreendeu, sabe o que lhe foi pedido ou confiado e está fazendo de maneira diferente é porque sabe que se não fizer está assumindo a culpa. Sabe que está enganando.

Vamos ao exemplo tradicional: um casal, relativamente de bem um com outro, resolvem ter amantes. Assumem o risco de serem descobertos. Mas, fazem tudo dentro de rituais, senhas, códigos e horários que sejam menos prováveis. Até que um dia, alguém vê o que não era para ser visto: os dois casais se encontram no mesmo espaço em que iam se divertir. E se sentem iludidos, trapaceados, fora de controle com aquela situação.

O que farão? Podem se abraçar e confraternizar, pois conseguiram manter a farsa por algum tempo. Ou podem ficar felizes que de agora em diante cada um irá ficar com que realmente gosta. Dando a possibilidade de tornarem amantes de seus pares oficiais depois dessa revelação. A pessoa que engana tem, de certa forma, muita criatividade para o ato da embromação. Cabe ao enganado aceitar ou não aquela situação por mais ou menos tempo.

Se pudermos ter acesso a determinadas áreas do Direito veremos que o campo da enganação mostra casos concretos em empresas: entre empregados e empregadores ou entre sócios e acionistas. Na área do direito do consumidor é uma constante, tem sempre alguém dizendo que não comprou, não assinou ou autorizou, e, mesmo assim, está sendo cobrada.

Penso que cometer um erro sem querer, por imperícia, impudência ou negligência pode até ser aceito dependendo do tipo de erro, que não fosse com um carro ou arma. O que iríamos entrar em um campo penal. Enganar é um ato de quem quer se aproveitar da condição de desinformação, descaso ou desconhecimento do outro. É de alguém que falta com a verdade no que diz, faz, crê ou pensa.

É aí que mora o maior perigo: o tal do autoengano. O que nós achamos que sabemos, mas é pura ilusão. É um equívoco, um erro que reside dentro da própria verdade.

Não se esqueça! Lembre-se disso quando chegar a hora de votar.

(*) - Escritor, Mestre em Direitos Humanos e Doutorando em Direito e Ciências Sociais. Site: (www.marioenzio.com.br).

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