Sem moral

Cena de “Peer Gynt”.

“Peer Gynt” narra as aventuras e desventuras desse jovem sonhador que dá título à peça

Ao sair de uma pequena vila na Noruega para ganhar o mundo, ele encontra seres mágicos, como duendes e ninfas, passa por diferentes paisagens, enriquece de maneira ilegal e perde tudo em seguida. Assumindo diferentes identidades, ele substitui o lema dos homens “seja você mesmo” pelo o dos Trolls, “basta a ti mesmo”, o que o faz agir apenas a favor dos seus interesses. Ao retornar à sua terra natal, ele precisa lidar com as consequências desse seu espírito sem escrúpulos. Para apresentar esse épico, a encenação conta com o espírito transgressor do rock’n roll, com músicas dos Beatles, Queen e The Doors tocadas ao vivo pelo próprio elenco. Com Chico Carvalho, Dagoberto Feliz, Daniel Maia, Daniel Mazzarollo, Leonardo Ventura, Leticia Medella, Luciana Carnieli, Marco França, Marco Furlan, Maria do Carmo Soares, Mariana Elisabetsky, Mel Lisboa, Nábia Vilela, Rogerio Romera e Romis Ferreira.

Serviço: Teatro do Sesi-SP (Centro Cultural Fiesp-Ruth Cardoso), Av. Paulista, 1313. Sábados e domingos às 15h30. Entrada franca. Até 16/12.

REFLEXÃO

LIÇÃO OPORTUNA: o Dr. Albertino Silvério era conhecido advogado. Homem de invejável cultura. Conhecimento profundo e variado. Em particular, achava-se autoridade em assuntos socioeconômicos. Era contudo, refratário a qualquer tipo de assistência social. Não aceitava. Achava inútil. — Não acredito em beneficência diminuta. Caridade gota a gota não resolve. Prefiro soluções radicais. — Não é o que penso, Silvério. A caridade, mesmo pequenina, é sempre ajuda a alguém. É este o ensinamento de Jesus. Quem respondia era o Doutor Fontes, médico espírita e abnegado amigo dos sofredores. Silvério, no entanto, continuava: — Um copo de leite, por acaso, banirá do mundo a fome? Um cobertor ou uma veste resolverá, por ventura, a angústia da nudez? Isso é assunto de governos e não serão alguns poucos bem intencionados que irão solucioná-lo. A conversa prosseguia, quando passa um jovem anunciando o jornal da tarde. Silvério chama-o. Deseja o jornal. Rebusca o bolso e só encontra dinheiro alto. Não há troco. Nesse instante, porém, o doutor Fontes, tomando a quantia necessária e pagando o jornal, aproveitou a lição: — Veja, Silvério, o que a própria vida nos mostra. Ninguém nega o bem inestimável, que os grandes recursos, governamentais ou não, carreiam. Obras imensas. Doações fartas. Entretanto, é preciso convir que há passagens estreitas, que apenas a ajuda humilde e pequena transpõe. Para a compra do jornal agora o dinheiro de alto valor de que você dispõe só seria útil, se fracionado em valores menores e múltiplos. Assim ocorre também na assistência social. O muito realiza muito de uma só vez, mas o pouco feito com persistência e amor pode ser, em ocasiões, a única solução disponível para grandes problemas. Silvério compreendeu o ensinamento e mudo de espanto frente à lógica do amigo, iniciou, silenciosamente, a leitura das notícias. (De “Histórias da Vida”, de Antônio Baduy Filho, pelos Espíritos Hilário Silva e Valérium).

Últimos dias

Antonio Interlandi

O público tem mais está semana para conferir o monólogo de Antonio Interlandi, “Palavras Esquecidas – O Evangelho Segundo Tomé”. A montagem tem a participação da atriz portuguesa Maria de Medeiros em uma locução que abre a peça. O espetáculo é baseado no texto do Evangelho Segundo Tomé (Século II). Uma série de 114 dizeres atribuídos a Cristo e encontrados na década de 1940 durante escavações no Egito. Diferente dos demais evangelhos, este texto apócrifo (que não está na Bíblia) não narra a vida de Jesus, mas traz uma coletânea de dizeres que teriam sido por ele pronunciados.

Serviço: Teatro Eva Herz (Conjunto Nacional), Av. Paulista, 2.073, Bela Vista. Quintas e sextas às 21h. Ingressos: R$ 50 e R$ 25 (meia). Até 09/12.

A FLORESTA

No infantil João, o Criador de joaninhas, João Maria tem uma bicicletaria bem lá longe na periferia, na selva de pedra, com mar de casinhas e avalanche de automóveis. Mesmo assim, João ama a natureza e tem uma floresta em seu quintal. Bem, ela não é muito grande; cabe numa latinha. Nessa floresta na latinha, João vê surgirem joaninhas. As joaninhas inspiram seus sonhos e mudam a vida de João e das pessoas ao seu redor. Com Sergio Serrano.

Serviço: Sesc Campo Limpo, R. Nossa Senhora do Bom Conselho, 120, tel. 5510-2700. Domingo (5) às 14h. Entrada franca.

Condição humana

A peça Oração para um Pé de Chinelo de Plínio Marcos propõe reflexões pertinentes e atuais a partir do texto escrito em 1969, e censurado por uma década. O autor não realiza apenas uma crítica social ferrenha, mas vai mais fundo, revelando a tragédia da realidade daqueles à margem, abrindo espaço para uma reflexão sobre a condição humana. Com Guilherme Barroso Rodrigues, Natália Kronig e Yorran Furtado.

Serviço: Viga Espaço Cênico, R. Capote Valente, 1323, Pinheiros. Quartas e quintas às 21h. Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia). Até 15/12.

Santos Dumont

santos temporario

A exposição apresenta a trajetória do pai da aviação, Santos Dumont. A mostra de nome “Santos-Dumont na Coleção Brasiliana Itaú” apresenta um acervo com cerca de 600 peças, como objetos, documentos e fotos de Dumont, como também imagens que mostram balões, dirigíveis e aeroplanos que revelam detalhes não somente dos projetos e de sua maior invenção, o 14 Bis, mas também de sua personalidade. Há ainda uma reprodução de sua biblioteca, com publicações que o inspiraram, além de algumas de sua autoria. O público tem contato com plantas e documentos que relatam a doação de suas duas casas favoritas: a fazenda de Cabangú e a Villa Encantada em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Alguns objetos pessoais completam o acervo, como um binóculo, uma luneta e outros instrumentos científicos usados por Santos-Dumont.

Serviço: Instituto Itaú Cultural, Av. Paulista, 149, Bela Vista, 2168-1700. De terça a sexta das 9h às 20h e aos sábados e domingos das 11h às 20h. Entrada franca. Até 29/01.

Musical

O espetáculo “Um Amor de Vinil” se passa na loja de discos de Amanda (Françoise Forton). É nesse ambiente que o público acompanha o relacionamento entre a dona do local, meio desmemoriada, e um de seus clientes, Mauricio (Mauricio Baduh). A paixão por música acaba instigando sentimentos mais profundos entre os dois, no enredo embalado por 22 sucessos da música brasileira, como “Negro Gato”, “Evidências” e “Começar de Novo”. Marco Gérard também participa como ator e violonista.

Serviço: Teatro Fecomercio, R. Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, tel. 3254-1631. Sextas, às 21h30, sábados e segundas às 21h e aos domingos às 17h. Ingresso: R4 20. Até 18/12.