J. B. Oliveira

O PODER DA IMPRENSA LIVRE

 

                                                                                                                                                    J. B. Oliveira

« A verdade necessita de uma voz para expressar-se

e a voz mais poderosa, que alcança, hoje em dia,

o grande público, é a imprensa» Pio XII


Eu estava presidente de nossa gloriosa API – Associação Paulista de Imprensa, quando o amigo e colega na área de Direito Ives Gandra da Silva Martins resolveu entrevistar-me em seu conceituado programa de TV “Anatomia do Poder”.

A um homem de ideias e ideais elevados como ele, não se pode deixar de atender um pedido. Compareci. Já naquela época, o então presidente Lula buscava um meio (essa busca é antiga...), de, a todo custo, pôr cabresto na imprensa. (Passou suas gestões tentando isso...).

 

– O que você, como jornalista e presidente da associação de classe, acha do projeto do presidente Lula de criar esse tal de “Conselho de Imprensa”?

– Bem, respondi, sua pergunta me reconduz à infância, aos primeiros estudos. Lá, no primário, vez por outra tínhamos um exercício chamado DITADO. O professor ia falando, e a nós só cabia pôr no papel suas palavras – sem mais nem menos. Isso ocorria, como disse, nos primeiros estudos. Depois, passávamos a trabalhar REDAÇÃO! De nossos lápis – aí talvez já canetas, cujas penas molhávamos no tinteiro – saiam narrações, descrições e dissertações, produzidas por nós, por nossa mente, nossa criatividade!

        Ora, querer – a qualquer tempo e a qualquer custo – que a Imprensa se curve e se submeta àquilo que lhe dite um Conselho ou seja lá o nome que se lhe dê, é inaceitável! É ridículo. É tirania pura. Não é por acaso que DITADO e DITADOR se assentam na mesma base etimológica!

 

“A imprensa é o quarto poder do Estado” proclamou, no século XVI, o advogado, jornalista, filósofo e político anglo-irlandês Edmund Burke, nascido em Dublin em 12 de janeiro de 1729 e falecido em Beaconsfield, em 9 de julho de 1797.

Se é o quarto poder, tem de ter – como os demais – autonomia! O sagrado princípio da Harmonia dos Poderes, consagrado na afirmação de que os poderes devem ser “independentes e harmônicos entre si”, tem de albergar também a Imprensa!

Esse mesmo inspirado homem de visão deixou-nos o legado de outras frases igualmente poderosas e atemporais, aplicando-se, portanto, à nossa época e à nossa realidade:

         

        “As más leis são a pior espécie de tirania. ”

 

        “Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso. ”

 

        “No meio de um povo geralmente corrupto, a liberdade não pode durar muito. ”

 

        “Todos os opressores... atribuem a frustração dos seus desejos à falta de rigor suficiente.

         Por isso eles redobram os esforços da sua impotente crueldade. ”

Se o presidente Lula tivesse obtido êxito lá atrás, em suas investidas contra a liberdade de imprensa, todos esses escândalos escabrosos de corrupção, de roubo, de desvio de recursos, de lesa-pátria que vemos a cada dia na mídia, estariam convenientemente ocultos, varridos para baixo do tapete sórdido da conivência e da cumplicidade de bandidos de fora e de dentro do governo! É bem verdade que, por ocasião das primeiras reportagens investigativas, houve a tentativa de sufocar a verdade de várias formas – incluindo a de retirar os exemplares de circulação! Isso só não prosperou por duas razões: a primeira, pela ousadia e firmeza dessa imprensa ainda livre e soberana – que temos de elogiar. Ela está a provar que não estamos mais na Idade Média, mas sim na “Idade Mídia”! A segunda, pela estúpida arrogância dos próprios bandidos, que se julgavam acima da lei e da ordem e não tiveram nem pejo, nem escrúpulo, nem cautela – mas, crentes de sua impunidade, continuaram “metendo a mão na cumbuca”!

       

A imprensa livre do Brasil vem cumprindo sua missão: tem trazido à luz toda a sórdida roubalheira perpetrada contra o patrimônio financeiro e moral do país, como numa clarinada de civismo. Resta que os brasileiros não fiquem inertes e inermes, mas AJAM, porque, ainda nas palavras de Burke, “Para o triunfo do mal, só é preciso que os bons nada façam. ”

De minha parte, trago o slogan que criei e usei ao longo de minha campanha cívica:

 

“Os maus se juntam e praticam toda espécie de males. É tempo de unir os bons para a prática conjunta do BEM! 

J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista. É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras. -
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