J. B. Oliveira

       

E “O homem do tempo”, heim?

 

J. B. Oliveira

 

No passado remoto, as previsões meteorológicas eram feitas pela observação da natureza. A direção, velocidade e movimento dos ventos constituíam um tipo de informação. O vento é o ar em movimento de uma área de alta pressão a outra, de baixa. Se esse deslocamento for de oeste para leste, a calma está garantida; se, ao contrário, for de leste para oeste, a indicação é de que vem clima pesado por aí.

 

A observação da superfície das águas também serve de orientação. Como a baixa pressão faz cessar a formação de ondas, isso indica clima calmo. Até mesmo uma simples fogueira pode dar indicações meteorológicas, de acordo com a direção que sua fumaça seguir. Se for diretamente para cima, o indício é de pressão alta. Se ela ficar em torno da fogueira, significa pressão baixa e indica que o clima logo vai fechar... Há, ainda, as dicas das nuvens. Brancas e altas, sinalizam clima calmo. Escuras e baixas trazem chuvas e tempestades. Brancas e ralas são sinal de clima calmo e aberto. As achatadas indicam que o ar está estável, e as arredondadas traduzem ar instável. Por fim, as inchadas e de pequeno tamanho tendem a sinalizar clima calmo. Porém, a ocorrência de aumento do tamanho, pode significar a possibilidade de tempestade...

 

Quem, na cidade, entendia essas mensagens cifradas da mãe natureza? Quase ninguém!

 

Então, em 1963, Narciso Vernizzi começou a informar ao público o que se ocultava por trás de nuvens, ares e ventos: surgia “O homem do tempo”. Até próximo de sua morte, em 2005, sua voz e entonação peculiares informavam o que devíamos esperar do clima. Atuando no rádio desde 1948, fazendo boletins esportivos, Narciso aceitou o desafio de decifrar os mistérios do tempo. Quando começou, não tinha formação na área. Responsável e dedicado, porém, pôs-se a estudar, chegando a fazer cursos na NASA e a dominar quatro línguas para se comunicar com centrais climáticas pelo mundo!

 

No início dos anos 1980, Felisberto Duarte – o Feliz – desempenhou a mesma função no SBT. Fiel a seu nome, fazia a apresentação sempre sorrindo. Começando com a frase “Tempos felizes”, encerrava com o bordão “piriri e pororó”. Foram 16 anos de homem do tempo, até 1988. Teve uma nova e breve passagem pela mesma emissora em 2008, ano em que faleceu, no dia 10 de agosto.

 

 

 

E aí, o que aconteceu?

 

 

 

Sumiu “O homem do tempo”! Em seu lugar, veio “A moça do tempo”! Ou “As moças do tempo”, distribuídas pelas várias emissoras. A mais notória é, sem dúvida, Maria Júlia Coutinho – a Maju. Com todas as características da mulher brasileira da gema, sorriso encantador e um modo especial de falar e gesticular, ela atrai a atenção dos telespectadores. As expressões que usa, fora da ortodoxia meteorológica rígida, como “chuvica”, “chuvona”, “chuvarada”; “menino danado” e “menina levada” (para designar “el niño” e “la niña”), e que tais, tornam sua apresentação leve e agradável.

 

 

 

Eu, entretanto, há muito vinha me perguntando: por que “A mulher do tempo” tomou o lugar de “O homem do tempo”?

 

Depois de muita pesquisa, descobri a razão, que, aliás, é bem lógica. É que para que a mulher faça algo, é preciso “pintar um clima”! Portanto, ninguém melhor do que a mulher para cuidar de assuntos climatológicos!

 

 

*Dr. J. B. Oliveira, Consultor Empresarial e Educacional, é

Advogado, Professor e Jornalista. Pertence à Academia Cristã

de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

www.jboliveira.com.br

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